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Maestro Roberto Tibiriçá morre aos 72 anos em São Paulo

Legado eterno na música brasileira

Estadao Conteudo 03/10/2026
Maestro Roberto Tibiriçá morre aos 72 anos em São Paulo
Maestro Roberto Tibiriçá morre aos 72 anos de idade em São Paulo

O maestro Roberto Tibiriçá teve a morte anunciada neste sábado, 3, aos 72 anos. A causa do óbito não foi divulgada, mas o músico lutava contra um câncer há pelo menos dois anos.

A informação foi divulgada pelo perfil oficial do Theatro Municipal de São Paulo no Instagram. A entidade destacou que o legado de Roberto Tibiriçá "permanece na música brasileira, nas orquestras que regeu e, sobretudo, nas gerações de músicos que tiveram suas trajetórias marcadas por seu trabalho e dedicação à formação musical."

O velório será aberto ao público e ocorrerá neste sábado, 3, no Salão Nobre do Theatro Municipal, das 18h às 22h, e continuará no domingo, 4, das 8h às 12h, no palco da Sala de Espetáculos. O sepultamento está previsto para as 13h de domingo, 4, no Cemitério São Paulo.

Relação com a música começou na infância

Em entrevista à Rio TV Câmara, em 2017, Tibiriçá falou sobre sua paixão pela profissão: "A regência para mim é tudo, cara. Não é uma coisa de vaidade, é uma coisa de comando."

"Acredito que a regência e a orquestra são uma das profissões mais disciplinares que existem. O músico, na verdade, não pode falar - ele tem que tocar. E há o gesto do regente, uma coisa meio neurótica. Eu digo 'bom dia', e os músicos já se preparam. Eu relaxo, eles relaxam", disse.

Aos 5 anos, Roberto Tibiriçá ganhou seu primeiro piano de brinquedo, influenciado pela família - sua mãe era música e a avó pianista na época do cinema mudo.

Ao longo das décadas, destacou-se à frente da Osesp, da Orquestra Sinfônica Brasileira, de Minas Gerais, do Paraná e da Petrobras Sinfônica. Fora do Brasil, regeu a Orquestra Simón Bolívar, na Venezuela.

Recebeu, ao longo da vida, os prêmios APCA, Carlos Gomes e a Ordem do Ipiranga. Também foi agraciado com o título de Doutor por Notório Saber pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 2024.

Em 2005, tornou-se diretor do Instituto Bacarelli, à frente do projeto que consolidou a Orquestra Sinfônica de Heliópolis. Ele ocupava a cadeira nº 5 da Academia Brasileira de Música, que assumiu em 2003. Desde 2018, era membro honorário da Academia Nacional de Música.

Entre suas influências, citava Eleazar de Carvalho (1912-1996) e os russos Dmitri Shostakovitch (1906-1975), Sergei Rachmaninoff (1873-1943), Serguei Prokofiev (1891-1953) e Piotr Ilitch Tchaikovski (1840-1893).