Variedades
Festival Literário do Museu Judaico terá Nora Krug e Sarah Hurwitz em 2026; veja a programação
Uma palavra pode valer mais que mil imagens?
O Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo 2026 contará com a presença da autora e ilustradora alemã Nora Krug e da escritora americana Sarah Hurwitz, ex-redatora de discursos de Barack Obama, Michelle Obama e Hillary Clinton. O evento ocorrerá entre os dias 14 e 17 de outubro, na sede do museu, situada na região da Bela Vista.
Em sua quinta edição, o festival abordará o tema "Uma palavra pode valer mais que mil imagens?", subvertendo o ditado popular para destacar uma tradição da cultura judaica, onde a palavra escrita, lida e transmitida se torna essencial na construção da memória coletiva.
Sarah Hurwitz participará da abertura, com mediação de Roberto Simon, discutindo seu livro As a Jew (ainda sem edição brasileira), um best-seller do New York Times que narra sua reaproximação com o judaísmo.
Nora Krug, autora de Heimat - Ponderações de uma Alemã sobre sua Terra e História (Quadrinhos na Cia, 2019), vencedor do National Book Critics Circle Award, conversará, no dia seguinte, com o quadrinista brasileiro Marcelo DSalete, vencedor do Jabuti por Angola Janga - Uma história de Palmares (Veneta), sob a mediação de Gabriela Franco. Ela também co-authora, com Timothy Snyder, do livro Sobre a Tirania - Vinte Lições do Século XX para o Presente em quadros, e está trabalhando em uma graphic novel sobre a guerra da Rússia na Ucrânia, tendo participado da Festa Literária Internacional de Paraty em 2023.
Outros destaques incluem mesas com a israelense Hila Blum e a brasileira Giovana Madalosso, que discutirão o afeto materno na literatura, com mediação de Luara Calvi Anic, e o brasileiro Bernardo Ajzenberg e a francesa Valérie Zenatti, mediada por Gabriela Longman, discutindo um livro de Zenatti que imagina uma troca de cartas entre uma adolescente israelense e um jovem palestino.
Ao todo, o festival contará com nove mesas ao longo de quatro dias. A grande novidade será a estreia do FliMUJinho, um dia dedicado totalmente à literatura voltada às infâncias, que ocorrerá no dia 18 de outubro, com o tema "E se fosse eu?", buscando o exercício da alteridade sob a perspectiva das crianças. Com curadoria da jornalista Thais Bilenky, o primeiro FliMUJinho contará com participação de Julia Rettmann, Mariana Poppovic, Ilan Brenman e Hélio Ziskind.
Programação do FliMUJ 2026
As descrições das mesas são da organização.
14 de outubro, quarta-feira
19h - Mesa 1 - Abertura - Como judeus incrédulos retornam ao judaísmo?
Com Sarah Hurwitz | Mediação de Roberto Simon
Sarah Hurwitz era uma judia afastada da religião quando, por impulso, participou de uma aula introdutória ao judaísmo e ficou maravilhada com o que descobriu: belos rituais, orientações úteis para viver uma vida ética e concepções de Deus que iam muito além da imagem de um homem barbudo e crítico que vive no céu. Como poderia haver um abismo tão grande entre a riqueza do judaísmo e a maneira como tantos judeus e judias o compreendem e vivenciam? Como explicar que uma tradição milenar, marcada por reflexões sobre ética, comunidade, justiça e espiritualidade, seja frequentemente reduzida a estereótipos, obrigações e lembranças pouco inspiradoras da infância? Na mesa de abertura do Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo, Sarah Hurwitz compartilhará suas descobertas que transformaram sua relação com o judaísmo e refletirá sobre as razões que levam tantos judeus e judias a rejeitarem essa herança.
15 de outubro, quinta-feira
15h - Mesa 2 - O que o hebraico tem a ver com o iorubá?
Com Rachel Reichhardt e Rodney William | Mediação de Dalia Schneider
Mais do que um mero vocabulário, as línguas carregam histórias e modos de compreender o mundo, estabelecendo vínculos entre gerações. No judaísmo, cada letra da Torá possui forma, significado e regras rigorosas de transmissão, fazendo da escrita um privilegiado espaço de encontro com o sagrado. Já nas culturas de matriz africana, narrativas, cantos e ensinamentos em iorubá perpetuam saberes ancestrais e modos de relação com o divino. Nesta mesa, a soferet Rachel Reichhardt, primeira mulher brasileira a escrever uma Torá, e o babalorixá, antropólogo e escritor Rodney William, líder da casa de candomblé Ilê Oba Ketu Axé Omi Nlá, dialogarão sobre elementos das culturas judaica e afro-brasileira.
17h - Mesa 3 - Quem pode acertar as contas com o passado?
Com Marcelo D'Salete e Nora Krug | Mediação de Gabriela Franco
O passado pode ser superado? Quanto tempo é necessário para elaborar traumas coletivos como a escravidão e a Shoá? O que significa virar a página? A autora e ilustradora Nora Krug, nascida décadas após a queda de Hitler, cresceu sob a sombra de uma história silenciada. Em busca de respostas sobre o envolvimento de sua própria família com o nazismo, Krug mergulhou em arquivos, documentos e memórias esquecidas, transformando essa investigação no livro Heimat, que aborda as relações entre culpa e identidade. Marcelo DSalete, por sua vez, dedica sua trajetória a reconstruir histórias frequentemente apagadas da experiência negra no Brasil, trazendo à luz personagens e formas de resistência na narrativa oficial. Nesta mesa, dois autores que transitam entre imagem e palavra refletirão sobre os desafios de representar passados traumáticos.
Esta mesa tem o apoio do Goethe-Institut.
19h - Mesa 4 - O que faremos com tantos anos de vida?
Com Alexandre da Silva e Sharon Sanz Simon | Mediação de Micheline Alves
Com o aumento da longevidade, é essencial repensar a saúde, convivência e participação social intergeracional. Nesta mesa, Alexandre da Silva, Secretário Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa, e Sharon Sanz Simon, pesquisadora das relações entre cérebro, emoção e envelhecimento, discutirão os significados de viver mais e melhor.
16 de outubro, sexta-feira
15h - Mesa 5 - O que você faria hoje se soubesse que sua vida acabaria amanhã?
Com Bruna Waitman e Oscar Nakasato | Mediação de Bianca Mantovani
Quando começa a velhice? Ao se aposentar? Ao perder alguém que amamos? Quando a memória começa a falhar? Ou quando os outros nos veem apenas por meio das limitações da idade? Em seus romances, Bruna Waitman e Oscar Nakasato apresentam personagens que buscam reinventar suas vidas diante das mudanças trazidas pelo envelhecimento. Nesta mesa, os autores refletirão sobre relações familiares e os diferentes lugares reservados aos mais velhos na sociedade, mostrando que a velhice pode não ser apenas um desfecho, mas uma oportunidade de transformação.
17h - Mesa 6 - Há limites para um amor de mãe?
Com Giovana Madalosso e Hila Blum | Mediação de Luara Calvi Anic
Até onde vai o amor? Quando o cuidado se transforma em excesso de zelo? Nesta mesa, as autoras discutirão os delicados limites entre proteção e liberdade, apresentando como os vínculos mais profundos podem ser desafiadores.
Esta mesa tem o apoio do Instituto Brasil-Israel.
17 de outubro, sábado
11h - Mesa 7 - Quando uma imagem se torna preconceito?
Com Karl Schurster e Juliano Spyer | Mediação de Anita Efraim
Como as comunidades são retratadas através de estereótipos? Nesta mesa, o historiador Karl Schurster e o antropólogo Juliano Spyer discutirão como preconceitos são construídos e a importância de enxergar as pessoas para além das caricaturas.
15h - Mesa 8 - Como encontrar a palavra certa para falar com um estranho?
Com Bernardo Ajzenberg e Valérie Zenatti | Mediação de Gabriela Longman
Traduzir não é apenas encontrar equivalentes entre idiomas. Nesta mesa, os autores discutirão como estabelecer contato com experiências radicais e como a literatura pode criar pontes entre diferentes culturas.
17h - Mesa 9 - Como se tornar um estrangeiro?
Com Mariano Horenstein | Mediação de Julián Fuks
E se ser estrangeiro fosse uma maneira particular de ver o mundo? Nesta conversa, Mariano Horenstein refletirá sobre como a verdadeira escuta exige um permanente exercício de deslocamento e estranhamento.
Evento: 5º FliMUJ | Festival Literário do Museu Judaico de São Paulo
Data: 14 a 17 de outubro de 2026
Local: Museu Judaico de São Paulo (Rua Martinho Prado, 128 - São Paulo, SP)
Funcionamento do museu: Terça a domingo, das 10h às 18h (última entrada às 17h30).
Ingresso: Gratuito, com retirada no site.
Programação: FliMUJinho
As descrições das mesas são da organização.
18 de outubro, domingo
11h - O que você faria com um bichinho frágil no seu quarto?
Com Julia Rettmann e Mariana Poppovic
Das malas das autoras saem diversas surpresas. O que podemos fazer para lidar com esses bichos? A mesa reúne diversas linguagens para sensibilizar o conceito de sujeito e alteridade.
14h - O que você faz assim que acorda de manhã?
Com Ilan Brenman
Qual é a primeira coisa que você faz ao abrir os olhos pela manhã? Alguns rituais nos marcam a vida inteira. A mesa trata da relação com o outro a partir de laços de afeto.
16h - Muitas vozes, vários tons: Vamos cantar juntos?
Com Hélio Ziskind
Hélio Ziskind, uma das vozes mais queridas da música infantil brasileira, encerrará o FliMUJinho com um passeio musical por sua obra, transformando em canção reflexões sobre o encontro com o outro.
Evento: FliMUJinho
Data: 18 de outubro de 2026
Local: Museu Judaico de São Paulo (Rua Martinho Prado, 128 - São Paulo, SP)
Ingresso: Gratuito, com retirada no site.
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