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'Canção de ninar' para crianças de Gaza leva dor da guerra ao Festival de Sanremo

'Stella Stellina' é de autoria do artista ítalo-albanês Ermal Meta

Redação ANSA 25/02/2026
'Canção de ninar' para crianças de Gaza leva dor da guerra ao Festival de Sanremo
Ermal Meta se apresenta no Festival de Sanremo

O cantor Ermal Meta levou ao palco do 76º Festival de Sanremo, evento de maior audiência da TV na Itália, uma canção dedicada às crianças vítimas da guerra entre Israel e Hamas na Faixa de Gaza.

O artista de origem albanesa, campeão do concurso em 2018, busca seu segundo título com a faixa "Stella Stellina", uma espécie de canção de ninar permeada pela musicalidade árabe e que, no Teatro Ariston, se transformou em uma emotiva oração pelas meninas e meninos mortos no enclave palestino.

"Stella stellina / La notte si avvicina / Non basta una preghiera / Per non pensarci più / Dalla collina si attende primavera / Ma non c'è quel che c'era / Non ci sei più tu [Estrela estrelinha / A noite se aproxima / Não basta uma oração / Para não pensar mais nisso / Na colina, se espera a primavera / Mas não há aquilo que havia / Você não está mais aqui]", canta Ermal Meta na música.

Para reforçar a mensagem, o artista apareceu com o nome Amal, que significa "esperança" em árabe, bordado na gola da camisa e, a cada noite do Festival de Sanremo, levará ao palco do Ariston o nome de uma criança palestina.

"'Stella Stellina' fala sobre uma menina de Gaza, uma menina sem nome, nascendo da consciência de que tudo aquilo que vemos não é capaz de mostrar o tamanho dessa tragédia", declarou o cantor à ANSA antes do início do festival.

"É um dever não virar as costas e é um dever fazer com que um povo que está na boca de todos não seja esquecido", acrescentou.

Segundo Meta, a inspiração para a música veio de sua filha de um ano e meio, em um dia em que ela repetia sem parar a clássica canção de ninar italiana "Stella Stellina". "Peguei o violão, e a faixa nasceu em meia hora", disse ele recentemente, acrescentando que o objetivo era contar a história "da impotência de uma jovem vida interrompida pela brutalidade humana".

Em outro trecho da composição, Meta canta: "Ho pensato anche di scappare / Da una terra che non ci vuole / Ma non so dove andare / Tra muri e mare non posso restare [Também pensei em fugir / De uma terra que não nos quer / Mas não sei para onde ir / Entre muros e mares não posso ficar]", em alusão à Faixa de Gaza, enclave cercado por muros construídos por Israel e pelo Mar Mediterrâneo.