Televisão e Mídia

Mais de mil redações e organizações se unem em campanha global pelo Dia Mundial do Jornalismo

Mobilização começa hoje, sexta-feira (25) e segue no Brasil até 1º de outubro; participação brasileira chega a 130 inscritos, 40 a mais que no ano passado

ANJ 25/09/2026
Mais de mil redações e organizações se unem em campanha global pelo Dia Mundial do Jornalismo
Mais de mil redações e organizações se unem em campanha global pelo Dia Mundial do Jornalismo

Mais de mil redações e organizações de mais de 100 países começa hoje, sexta-feira (25) uma mobilização global pelo Dia Mundial do Jornalismo, celebrado em 28 de setembro. No Brasil, a campanha reúne neste momento 130 participantes, 40 a mais que no ano passado, e segue até 1º de outubro, com ênfase no dia 28.

A mobilização internacional é organizada pelo World Editors Forum, da Associação Mundial de Editores de Notícias (WAN-IFRA), pela Canadian Journalism Foundation e pelo Project Kontinuum. No Brasil, a Associação Nacional de Jornais (ANJ) participa da articulação ao lado da Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER), da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), do Instituto Palavra Aberta, do Instituto Tornavoz e do Jornalismo da ESPM, além de veículos, organizações e universidades de diferentes regiões do país.

Neste ano, a campanha procura mostrar ao público o trabalho que existe antes da publicação de uma notícia e por que o jornalismo baseado em fatos continua necessário. A mobilização abrange temas relacionados à sustentabilidade do jornalismo, às liberdades de imprensa e de expressão, à integridade da informação, à educação midiática, aos direitos humanos e civis, ao desenvolvimento sustentável e à justiça social, além dos efeitos da transformação tecnológica sobre a produção, a circulação e o financiamento da informação.

Os artigos preparados para a campanha ampliam essa discussão com diferentes perspectivas sobre o jornalismo, sua relação com a sociedade e os desafios para que a atividade continue cumprindo seu papel público.

Vozes brasileiras
Marcelo Rech, presidente-executivo da ANJ, “Sem jornalismo confiável, nossas sociedades retrocederão séculos de civilização.”

Cristiano Lobato Flôres, presidente-executivo da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT), “Rádio e televisão seguem próximos das pessoas porque levam informação confiável, cultura e companhia. A IA pode apoiar esse trabalho, mas nunca substituir a autoria, a criatividade e o jornalismo profissional.”

Regina Bucco, diretora-executiva da ANER, “As revistas continuam sendo, no meio digital, o jornalismo aprofundado que tanto precisamos. Grandes reportagens e as coberturas nichadas têm papel decisivo nos rumos da sociedade. É preciso garantir a sustentabilidade desse tipo de jornalismo também.”

Jornalismo e educação

Os professores Guilherme Costa e Leonardo Mancini, coordenadores dos cursos de Jornalismo da ESPM em São Paulo e no Rio de Janeiro, respectivamente, escrevem em artigo que começa a ser distribuído nesta sexta-feira (25) sobre a importância da aproximação entre jornalismo, educação e sociedade diante da hiperinformação e da desinformação.

“A profissão enfrenta a queda das receitas tradicionais, a dependência das plataformas e pressões políticas que vão do assédio judicial ao ataque direto a repórteres. Nenhum desses problemas se resolve apenas dentro das redações, nem apenas na academia. É no encontro entre as duas que se pode experimentar novos formatos, modelos de financiamento e formas de relação com o público. Formar jornalistas é também formar quem vai encontrar as condições para que o jornalismo continue existindo”, afirmam os dois professores.

Vozes internacionais

Garry Pierre-Pierre, fundador do The Haitian Times, “O jornalismo, em sua melhor forma, oferece algo cada vez mais raro: um método.”

Stig Ørskov, CEO da WAN-IFRA, “As pessoas precisam de fatos nos quais possam confiar, de contexto para compreender o que acontece e de jornalismo capaz de cobrar o poder.”

Branko Brkic, fundador do Project Kontinuum, “Uma sociedade que perde o vínculo com os fatos perde o vínculo consigo mesma. Uma sociedade que luta pela verdade ainda pode reencontrar seu caminho.”

Em 2026, o foco internacional é ajudar o público a conhecer os fatos, compreender o que importa e escolher o jornalismo confiável, mostrando como a informação jornalística é produzida e por que seu método faz diferença em um ambiente de desinformação e de expansão de conteúdos gerados por inteligência artificial.