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'Ele quer pegar na minha ferida mais aberta', diz filho de Cissa Guimarães sobre perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão

Desabafo do ator João Velho foi feito em post publicado nas redes sociais dele e da mãe

Agência O Globo - 23/10/2026
'Ele quer pegar na minha ferida mais aberta', diz filho de Cissa Guimarães sobre perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão
'Ele quer pegar na minha ferida mais aberta', diz filho de Cissa Guimarães sobre perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A atriz Cissa Guimarães usou suas redes sociais, nesta sexta-feira, para postar um vídeo do seu filho, o ator João Velho, onde ele fala sobre o ataque sofrido em uma postagem por um perfil no Instagram que exaltou Rafael de Souza Bussamra. Este último foi condenado pelo atropelamento e morte, em 2010, de Rafael Mascarenhas, de 18 anos, irmão do ator e também um dos filhos da atriz. Na gravação, Velho diz que o homem responsável pela exaltação, feita em um comentário de um post, o atacou na parte que mais dói.

Ataque nas redes:

Veja detalhes:

Velho afirma ainda que o homem usou um golpe baixo porque ele (João Velho) vota num candidato que o autor do ataque não gosta. "Ele lança mão de um golpe baixo para destilar a fúria dele política. Ele quer pegar na parte da minha ferida mais aberta. Pegar na parte que mais dói, que é a perda do meu irmão. Ele quer me fazer sofrer nesse lugar porque eu voto num candidato que ele não gosta. Isso é importante de ser dito porque tem coisas que a gente não mexe. Meu irmão que morreu não está aqui para se defender. Só que eu estou", disse em trecho do vídeo.

João Velho diz ainda na gravação que fez um boletim de ocorrência e que apresentou uma notícia-crime na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRI). O caso foi enquadrado como apologia de crime e ameaça. Segundo o ator, o comentário foi recebido em post em que ela falava sobre trabalho e que nada teria a ver com política. Velho também exibiu a mensagem que o ataca e que diz: \"Na próxima eleição, teremos o Rafael Bussamra, para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro.\"

Na Região dos Lagos:

A informação sobre o ataque sofrido pelo ator foi adiantada pela coluna de Lauro Jardim, do GLOBO.

Os advogados Ricardo Brajterman e Maíra Fernandes argumentam que "a liberdade de expressão não pode ser confundida com autorização para incitar a violência". Em uma publicação nas redes sociais, eles destacam que "a rivalidade, seja na política, seja no esporte, jamais pode servir de justificativa para ameaças, glorificação de crimes ou manifestações que banalizem a violência e a vida humana". A defesa exalta, ainda, o regime democrático.

'Estava perdendo muito sangue':

"A democracia pressupõe divergência, debate e confronto de ideias. Mas há uma diferença fundamental entre criticar, discordar e defender posições — ainda que de forma contundente — e utilizar o discurso para exaltar a prática de crimes ou transmitir mensagens com potencial de estimular condutas criminosas. A liberdade de expressão é um direito fundamental, indispensável à sociedade democrática, mas não é absoluta. Seu exercício deve respeitar os demais direitos fundamentais e os limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis.

Câmeras corporais de policiais:

Nenhuma divergência ideológica, política ou esportiva pode justificar a ameaça, a intimidação ou a celebração da violência contra quem pensa diferente. Discordar é um direito. Ameaçar e incitar a violência não são formas legítimas de exercer esse direito. Liberdade de expressão exige responsabilidade. Divergência não é licença para a violência", afirmam os advogados na publicação.

Relembre o caso de Rafael Mascarenhas

Rafael Mascarenhas morreu na madrugada do dia 20 de julho de 2010, após ser atropelado no Túnel Acústico (o qual, três anos depois, ganhou o nome da vítima), extensão do Túnel Zuzu Angel, na Gávea, Zona Sul do Rio. Ele estava andando de skate com dois amigos em uma pista que estava fechada para o tráfego de veículos no sentido Gávea para manutenção noturna.

Dois carros teriam entrado no túnel interditado em alta velocidade. Um deles, conduzido por Rafael Bussamra, atingiu o jovem. Rafael Mascarenhas foi socorrido ainda com vida e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos.

O motorista foi inicialmente indiciado por homicídio doloso, quando há intenção ou se assume o risco de matar. Seu pai, Roberto Bussamra, também foi denunciado por tentativa de corrupção ativa, após ter oferecido dinheiro a policiais militares para liberar o carro e o filho logo após o acidente.

Em setembro de 2023, após 13 anos de recursos judiciais, Rafael e Roberto Bussamra se entregaram à Justiça para cumprir suas penas em regime semiaberto.

Rafael Bussamra foi condenado a três anos e seis meses de detenção pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar). Inicialmente, em 2015, ele havia sido sentenciado a uma pena muito maior (sete anos de reclusão e cinco anos e nove meses de detenção), mas a tipificação do crime foi alterada ao longo do processo.

Já seu pai, Roberto, recebeu a pena de três anos, dez meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 18 dias-multa, pelo crime de corrupção ativa. Ele foi condenado por subornar os policiais militares para tentar acobertar o filho logo após o atropelamento.

Em junho de 2024, Roberto Bussamra foi autorizado a cumprir o restante da pena em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica, após passar nove meses preso.