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Nova subida da Serra de Petrópolis terá túneis novos, menos curvas e tempo de viagem reduzido; veja os detalhes

O traçado atual, repleto de curvas, é uma fonte constante de preocupação para os motoristas

Agência O Globo - 23/10/2026
Nova subida da Serra de Petrópolis terá túneis novos, menos curvas e tempo de viagem reduzido; veja os detalhes
Nova subida da Serra de Petrópolis terá túneis novos, menos curvas e tempo de viagem reduzido; veja os detalhes - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Cruzar um trecho de 22 quilômetros de montanhas pela primeira rodovia asfaltada do país, inaugurada em 25 de agosto de 1928 com o nome do então presidente Washington Luís, tornou-se, quase cem anos depois, um desafio para motoristas que viajam entre o Rio e a Região Serrana. No rol das dificuldades enfrentadas por quem passa pela Serra de Petrópolis estão as 158 curvas do traçado sinuoso (114 na subida e 44 na descida), as pistas estreitas e sem acostamento em alguns pontos e os engarrafamentos provocados, por exemplo, por obras emergenciais, acidentes ou panes em veículos pesados.

Os motoristas estão mais perto de ver esses problemas solucionados. O Ministério dos Transportes informou que as obras na Serra de Petrópolis serão retomadas em 2027. No trecho inicial, a nova pista de subida ficará ao lado da atual pista de descida, que ganhará, entre outras melhorias, faixas adicionais. A obra, que deveria ter sido concluída há 20 anos, segundo documentos do Tribunal de Contas da União (TCU), prevê a redução ou atenuação de curvas, um traçado mais reto e a construção de acostamentos.

A reforma, porém, não ficará pronta até o centenário da estrada, em 2028: a conclusão está prevista para 2030. Orçado em aproximadamente R$ 2 bilhões, o projeto será custeado pela Elovias, concessionária responsável pela administração da rodovia desde novembro de 2025, conforme estabelecido no contrato de concessão.

Segundo o ministro dos Transportes, George Santoro, o projeto prevê dois novos túneis, com 4,5 quilômetros de extensão e três faixas de rolamento cada, que atenderão às pistas de subida e descida. Quando as obras estiverem concluídas, no trecho entre os quilômetros 80 e 102, a atual pista de subida deixará de ser utilizada por quem segue em direção a Juiz de Fora, em Minas Gerais. A via será transformada em um acesso exclusivo para quem quiser ir diretamente a Petrópolis.

— Iniciaremos as obras a partir do ano que vem, já com licenciamento ambiental. São dois túneis, de ida e de volta, com quatro quilômetros e meio de extensão, nos quais você vai simplesmente fazer um traçado em linha reta e reduzir o tempo de subida e descida. Então, é uma obra muito importante. A rodovia existente hoje passará a ser uma via interna de Petrópolis, para acessar o Quitandinha. E quem vai fazer o percurso direto para Minas Gerais passará pelo novo túnel. Então, você vai tirar todo o tráfego pesado da entrada de Petrópolis, vai retificar as curvas e a geometria, e terá uma rodovia muito mais reta, com muito menos curvas e muito mais segura, totalmente duplicada, tanto na ida quanto na volta — explicou o ministro.

Santoro afirmou que outros dois túneis, existentes no traçado atual, serão mantidos, mas deixarão de ser utilizados por quem seguir no sentido de Juiz de Fora.

— Eles serão mantidos, e um desses túneis será usado como uma via interna, de acesso a Petrópolis, enquanto o outro será uma estrada para acessar o Parque Nacional da Serra dos Órgãos — concluiu o ministro, acrescentando que a execução da obra já foi aprovada pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Segundo Guilherme Motta Gomes, diretor-executivo da Elovias, a conclusão das obras permitirá reduzir o tempo necessário para percorrer a serra nos dois sentidos.

— A gente fez um cálculo considerando a ida e a volta para subir e descer a Serra de Petrópolis. Hoje, o tempo total de ida e volta é de cerca de 53 minutos. A gente espera que esse tempo total caia para 36 minutos — disse.

O novo traçado foi desenhado pela Elovias, que modificou o projeto anterior, elaborado pela Concer, antiga concessionária que interrompeu as obras em 2016. Parte de um extenso viaduto da nova pista de subida, já concluído, será aproveitada.

De acordo com documentos do TCU, os trabalhos deverão começar pelo trecho entre o pedágio de Xerém, em Duque de Caxias, e o Belvedere, entre os quilômetros 102 e 89, com a duplicação das pistas. Na pista de descida, que atualmente tem duas faixas, será implantada uma terceira. No sentido oposto, também haverá três faixas. As demais melhorias serão executadas em uma segunda etapa, com a conclusão dos túneis.

O traçado atual, repleto de curvas, é uma fonte constante de preocupação para os motoristas. Levantamento da Polícia Rodoviária Federal (PRF) mostra que, entre 2024 e setembro de 2026, foram registrados 429 acidentes, com 21 mortes no trecho. O número de ocorrências na Serra de Petrópolis superou a soma dos acidentes registrados, no mesmo período, em outras duas serras fluminenses cortadas por rodovias federais: a de Teresópolis (BR-116) e a das Araras (Rodovia Presidente Dutra), que, juntas, contabilizaram 346 acidentes.

Na terça-feira e ontem, a equipe de reportagem do EXTRA percorreu a Serra de Petrópolis. No primeiro dia, enfrentou um engarrafamento de 40 minutos provocado pelo bloqueio eletrônico acidental de uma carreta na pista de subida. No dia seguinte, flagrou um acidente sem gravidade: um carro perdeu o controle na pista molhada e se chocou contra um barranco.

A construção da nova pista de subida da Serra de Petrópolis já estava prevista no primeiro contrato de concessão da rodovia. Ao encerrar sua administração, iniciada em 1996 e cujo término, inicialmente apontado para 2021, foi prorrogado até 2025, a Concer alegou ter paralisado as obras porque a União deixou de repassar recursos. Já o governo federal, com base em parecer do TCU, afirmou, em 2024, ter identificado indícios de sobrepreço — valores acima dos praticados no mercado — em itens do projeto, entre outros problemas.

Para quem mora ou trabalha em Petrópolis, a demora na execução da obra provoca uma série de transtornos. Marcelo Fiorini, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Petrópolis (Sicomércio), destaca a dificuldade de ultrapassar carretas em trechos estreitos da subida, onde veículos pesados costumam invadir a faixa contrária para fazer as curvas.

— A gente vem sofrendo nos últimos 25 anos com o aumento do volume de tráfego e da circulação de grandes caminhões. Isso causa acidentes constantes, e carretas que acabam colidindo umas com as outras. Os engarrafamentos geram problemas não só para os moradores de Petrópolis, mas também para os turistas e viajantes. Esse é o principal problema causado pelo traçado antigo — disse Fiorini.

Cláudio Mohammad, integrante do Movimento Petrópolis 2030 e presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) da cidade, tem opinião semelhante.

— Uma cidade se faz pelos seus acessos, e o principal deles, a BR-040, não corresponde à evolução da cidade e, por outro lado, representa uma barreira ao desenvolvimento. O atraso histórico na conclusão da nova pista da Serra de Petrópolis já acumulou prejuízos econômicos — afirmou.