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Ator João Velho, filho de Cissa Guimarães, aciona a polícia contra perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão

Conta no Instagram chamou de herói Rafael Rafael de Souza Bussamra, responsável pelo atropelamento fatal de Rafael Mascarenhas, em 2010

Agência O Globo - 22/10/2026
Ator João Velho, filho de Cissa Guimarães, aciona a polícia contra perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão
Ator João Velho, filho de Cissa Guimarães, aciona a polícia contra perfil que exaltou condenado pela morte de seu irmão - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O ator João Velho, primogênito da atriz e apresentadora Cissa Guimarães, acionou a polícia contra um perfil no Instagram que exaltou Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento e morte, em 2010, de seu irmão, Rafael Mascarenhas, então com 18 anos. O comentário, feito num post em que João manifesta apoio à candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva, diz: “Na próxima eleição, teremos o Rafael Bussamra, para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro”. A informação foi adiantada pela GLOBO.

João fez um registro de ocorrência e apresentou uma notícia-crime na Delegacia de Repressão a Crimes de Informática (DRI). O caso foi enquadrado como apologia de crime e ameaça.

Os advogados Ricardo Brajterman e Maíra Fernandes argumentam que "a liberdade de expressão não pode ser confundida com autorização para incitar a violência". Em uma publicação nas redes sociais, eles destacam que "a rivalidade, seja na política, seja no esporte, jamais pode servir de justificativa para ameaças, glorificação de crimes ou manifestações que banalizem a violência e a vida humana". A defesa exalta, ainda, o regime democrático.

"A democracia pressupõe divergência, debate e confronto de ideias. Mas há uma diferença fundamental entre criticar, discordar e defender posições — ainda que de forma contundente — e utilizar o discurso para exaltar a prática de crimes ou transmitir mensagens com potencial de estimular condutas criminosas. A liberdade de expressão é um direito fundamental, indispensável à sociedade democrática, mas não é absoluta. Seu exercício deve respeitar os demais direitos fundamentais e os limites estabelecidos pela Constituição e pelas leis.

Nenhuma divergência ideológica, política ou esportiva pode justificar a ameaça, a intimidação ou a celebração da violência contra quem pensa diferente. Discordar é um direito. Ameaçar e incitar a violência não são formas legítimas de exercer esse direito. Liberdade de expressão exige responsabilidade. Divergência não é licença para a violência", afirmam os advogados na publicação.

Na representação, a defesa solicita a abertura de inquérito e pede que a Meta forneça dados cadastrais do perfil, como telefones, endereços, registros de IP e logs de criação e acesso à conta.

Relembre o caso de Rafael Mascarenhas

Rafael Mascarenhas morreu na madrugada do dia 20 de julho de 2010, após ser atropelado no Túnel Acústico (o qual, três anos depois, ganhou o nome da vítima), extensão do Túnel Zuzu Angel, na Gávea, Zona Sul do Rio. Ele estava andando de skate com dois amigos em uma pista que estava fechada para o tráfego de veículos no sentido Gávea para manutenção noturna.

Dois carros teriam entrado no túnel interditado em alta velocidade. Um deles, conduzido por Rafael Bussamra, atingiu o jovem. Rafael Mascarenhas foi socorrido ainda com vida e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas não resistiu aos ferimentos.

O motorista foi inicialmente indiciado por homicídio doloso, quando há intenção ou se assume o risco de matar. Seu pai, Roberto Bussamra, também foi denunciado por tentativa de corrupção ativa, após ter oferecido dinheiro a policiais militares para liberar o carro e o filho logo após o acidente.

Em setembro de 2023, após 13 anos de recursos judiciais, Rafael e Roberto Bussamra se entregaram à Justiça para cumprir suas penas em regime semiaberto.

Rafael Bussamra foi condenado a 3 anos e 6 meses de detenção pelo crime de homicídio culposo (sem intenção de matar). Inicialmente, em 2015, ele havia sido sentenciado a uma pena muito maior (7 anos de reclusão e 5 anos e 9 meses de detenção), mas a tipificação do crime foi alterada ao longo do processo.

Já seu pai, Roberto, recebeu a pena de 3 anos, 10 meses e 20 dias de reclusão, além do pagamento de 18 dias-multa, pelo crime de corrupção ativa. Ele foi condenado por subornar os policiais militares para tentar acobertar o filho logo após o atropelamento.

Em junho de 2024, Roberto Bussamra foi autorizado a cumprir o restante da pena em liberdade com o uso de tornozeleira eletrônica, após passar nove meses preso.