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Clínica é investigada suspeita de realizar procedimentos invasivos por profissionais não habilitados; 'Desmaiei três vezes', diz paciente

Mulher relatou complicações, dores e nódulos na região glútea; exame de corpo de delito confirmou existência de lesões corporais

Agência O Globo - 22/10/2026
Clínica é investigada suspeita de realizar procedimentos invasivos por profissionais não habilitados; 'Desmaiei três vezes', diz paciente
Clínica é investigada suspeita de realizar procedimentos invasivos por profissionais não habilitados; 'Desmaiei três vezes', diz paciente - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil do Rio investiga uma clínica de estética localizada no Centro de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, por suspeita de realizar procedimentos invasivos — incluindo intervenções com características de lipoaspiração — por profissionais sem a habilitação necessária. Buscas foram realizadas, nesta quinta-feira, no local e na casa da dona do espaço.

As investigações da 52ª DP (Nova Iguaçu) começaram em 5 de outubro de 2026, após policiais civis irem à clínica para apurar uma denúncia de irregularidades. Na ocasião, foram apreendidas 16 ampolas de Midazolam, medicamento controlado utilizado para sedação, cuja origem ainda está sendo investigada.

Durante a apuração policial, uma paciente relatou ter sido submetida a um procedimento anunciado como “hidrolifting”, mas que, segundo sua descrição, envolveu a introdução de uma cânula, aspiração de gordura abdominal e posterior aplicação dessa gordura nos glúteos. A paciente afirmou que recebeu medicamentos sedativos e disse ter desmaiado três vezes durante o procedimento, que teria sido realizado por uma profissional sem formação concluída.

A mesma paciente também relatou complicações após outro procedimento estético, apresentando dores e nódulos na região glútea. Segundo a Polícia Civil, o exame de corpo de delito confirmou a existência de lesões corporais.

Os policiais identificaram publicações em redes sociais e mensagens em um grupo de WhatsApp da clínica, usado para divulgar procedimentos e promoções, nas quais clientes relatam dores intensas durante os atendimentos.

Outro ponto investigado é a possível utilização indevida dos dados de um profissional apresentado como responsável técnico da clínica. Em depoimento, ele negou ter assumido a função, recebido pagamentos ou autorizado a utilização de um carimbo com seu nome encontrado no estabelecimento.

A Polícia Civil investiga possíveis crimes de exercício ilegal da medicina, lesão corporal, exposição da vida ou saúde de terceiros a perigo, falsidade documental e crimes contra as relações de consumo. As investigações continuam para esclarecer a natureza dos procedimentos realizados, identificar possíveis outras vítimas e apurar a responsabilidade dos envolvidos.

No grupo de WhatsApp da clínica, o responsável, ao ler reclamações de dor, diz: "Gente, vamos ter senso (...) penetrou na pele, é passível de dor. Mas ninguém morreu ou vai morrer por causa disso". Em outro trecho, a pessoa debocha: "Gente, quem não quer dor passa creme ou vai fazer uma lipoaspiração com anestesia geral".

Uma paciente relata: "Eu apaguei mais de uma vez". E afirma que ter saído “grogue” do consultório. A mesma paciente afirma: "Se eu soubesse que isso seria com anestesia local, não teria feito".