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Prefeita de Belford Roxo visitou Canella duas vezes em Bangu 8

Mariana Malta Monteiro esteve com o ex-prefeito no sábado e no domingo, segundo registros do presídio. Seppen abriu procedimento para apurar o caso e comunicou a PF e o STF.

Agência O Globo - 21/10/2026
Prefeita de Belford Roxo visitou Canella duas vezes em Bangu 8
Prefeita de Belford Roxo visitou Canella duas vezes em Bangu 8 - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A prefeita de Belford Roxo, Mariana Malta Monteiro, visitou duas vezes o ex-prefeito do município Márcio Canella (União Brasil), preso preventivamente pela Polícia Federal na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro com movimentação de R$ 7,6 bilhões em seis anos. Para entrar no presídio de segurança máxima Bangu 8, no Complexo de Gericinó, na Zona Oeste do Rio, Mariana se identificou como advogada, segundo registros de entrada aos quais O GLOBO teve acesso. As visitas ocorreram no último sábado e no domingo. A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que abriu um procedimento apuratório e comunicou o caso à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Perseguição e sete tiros de fuzil:

Morte em abordagem:

Nos dois dias, Mariana passou cerca de uma hora com Canella. Procurada sobre as visitas, a Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que a visitante se apresentou como advogada e teve a entrada autorizada pelos policiais penais de plantão após comprovar essa condição. Ao tomar conhecimento do caso, a Corregedoria da instituição instaurou um procedimento apuratório, ainda em andamento. A secretaria informou também que o episódio foi comunicado à Polícia Federal e ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Mariana assumiu a prefeitura de Belford Roxo em 3 de abril deste ano, depois de ter sido eleita vice-prefeita em 2024. Ela trabalhou durante sete anos ao lado de Canella na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), antes de chegar ao Executivo municipal. Formada em Direito, com pós-graduação concluída em 2016, a prefeita construiu sua trajetória política ao lado do ex-prefeito, que renunciou ao cargo no início de 2026 para disputar uma vaga no Senado, candidatura da qual desistiu posteriormente.

A prisão mais recente de Canella ocorreu em 15 de outubro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal. O ex-prefeito, que foi eleito deputado estadual e ficou entre os mais votados do estado, é investigado em um caso que apura a atuação de uma organização criminosa suspeita de utilizar uma rede de postos de combustíveis para lavar dinheiro. Segundo as investigações, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos. A operação também teve como alvo o ex-secretário estadual de Polícia Civil Marcus Amim e outros agentes públicos. A prisão preventiva foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Esta não foi a primeira vez que Canella foi preso neste ano. Em julho, ele foi detido em flagrante pela Polícia Federal após agentes encontrarem um fuzil de uso restrito no carro que utilizava. Na ocasião, o político afirmou que a arma não lhe pertencia. Ele permaneceu preso por quatro dias e foi solto posteriormente. A investigação sobre a rede de postos de combustíveis avançou e resultou na nova ordem de prisão em outubro.

Marido é exonerado do Detran

Em maio deste ano, o Detran-RJ exonerou Felipe Carvalho Rebelo da Silva, marido da prefeita, do cargo de diretor-geral da Diretoria de Administração e Finanças. Documentos financeiros do órgão também registram a programação de um pagamento de cerca de R$ 24,8 mil a Felipe, referente a uma Bonificação de Desempenho Individual do ciclo do primeiro semestre deste ano. O documento, emitido neste mês, classifica a operação como reconhecimento de dívida e menciona o fim da cessão do servidor em junho. A programação não detalha o cálculo do valor nem explica por que a dívida foi reconhecida.

A relação entre Canella e o Detran-RJ também já foi alvo de investigação. Em julho, a Polícia Federal procurava saber se um policial militar cedido ao departamento estadual de trânsito trabalhava efetivamente no órgão ou se havia sido transferido para integrar a escolta do então ex-prefeito. O Detran-RJ foi apontado pela PF como um espaço de influência política de Canella. O policial, que tinha sob sua responsabilidade o fuzil encontrado no carro utilizado pelo político, acabou exonerado do cargo comissionado no departamento e devolvido aos quadros da Polícia Militar.

A reportagem buscou esclarecimentos da Prefeitura de Belford Roxo sobre as visitas e aguarda manifestação sobre o procedimento instaurado pela Polícia Penal.