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Agradecida por estar viva, diz arqueóloga baleada no Leblon

Tania Andrade Lima foi atingida por três disparos ao impedir que criminosos armados levassem seus pertences na última quinta-feira.

Agência O Globo - 21/10/2026
Agradecida por estar viva, diz arqueóloga baleada no Leblon
Agradecida por estar viva, diz arqueóloga baleada no Leblon - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

“Tudo o que tenho comigo agora é uma imensa gratidão por, milagrosamente, estar viva”. A frase é da arqueóloga Tania Andrade Lima, de 81 anos, na Rua General Venâncio Flores, no Leblon, na Zona Sul do Rio. Em um áudio, ela conta detalhes do episódio e agradece às pessoas que a socorreram e às manifestações de solidariedade recebidas por ela e sua família após o crime.

Segunda-feira de desdobramentos:

De acordo com a Polícia Civil, Tania foi seguida por criminosos após sair de uma agência bancária, no dia 15 de outubro. Ao ser abordada, tentou impedir que levassem sua bolsa, mas foi derrubada e arrastada.

Um dos assaltantes disparou três vezes contra ela e fugiu na garupa de uma motocicleta conduzida por um comparsa, levando seus pertences. Após os disparos, três homens correram para socorrê-la. No relato, a idosa agradece àqueles que, mesmo diante do perigo, se mobilizaram para ajudá-la.

— Apesar de ter levado 3 tiros à queima-roupa, alguns homens que viram o que estava acontecendo não se intimidaram e correram para me socorrer apesar do perigo. Naquele momento, não tive como registrar todos os que me socorreram nem tampouco pude agradecer do fundo do meu coração a solidariedade que me prestaram — afirma a arqueóloga.

A professora aposentada do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) também destacou a ajuda de uma jovem que usou o celular para que ela pudesse avisar o marido sobre o ocorrido. De um taxista preocupado com a quantidade de sangue que ela perdia, improvisou um garrote com um cadarço em seu braço. E de outras duas pessoas que ofereceram seus agasalhos para ajudar a conter os sangramentos.

Ajuda solidária:

— Agradeço imensamente a uma jovem mulher que usou seu celular para que eu pudesse avisar o meu marido o que tinha ocorrido. Lembro de um taxista que, muito preocupado com a quantidade de sangue que eu estava perdendo, fez um garrote no meu braço com um cadarço. Outra pessoa me cedeu um moletom verde para ajudar a estancar a hemorragia na minha mão, e um terceiro um casaco também para estancar o sangue — diz ela.

Após o crime, a arqueóloga foi socorrida por uma equipe do programa Segurança Presente e encaminhada ao Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea. No depoimento, a professora agradeceu aos agentes, com destaque para o sargento Anderson, a quem chamou de “meu anjo da guarda”:

— Agradeço muito aos agentes da Segurança Presente que prontamente me acudiram e providenciaram meu transporte a jato ao hospital Miguel Couto. Um agradecimento muito especial vai para o sargento Anderson que foi o meu anjo da guarda naquele hospital.

Reconhecimento hospitalar:

Tania reconheceu ainda o trabalho das equipes do Hospital Municipal Miguel Couto e da Casa de Saúde São José, no Humaitá, para onde foi transferida posteriormente. Na unidade, passou por um procedimento para a retirada de um projétil alojado no pescoço e por uma cirurgia para reconstituição da mão:

— Todas essas pessoas ajudaram a salvar a minha vida, e jamais me esquecerei do que elas fizeram por mim.

Ela também agradeceu às equipes policiais responsáveis pela investigação, especialmente aos profissionais da 14ª DP (Leblon), pelo trabalho no caso.

Investigações em curso:

“Agradeço muito a todas as delegacias que vêm trabalhando incessantemente na investigação desse episódio e, em particular, ao extremo empenho e eficiência da equipe de investigação da 14ª DP do Leblon”, relatou.

Ao final da mensagem, Tania afirmou estar emocionada com as manifestações de apoio recebidas, mas disse sentir constrangimento com a atenção dedicada ao caso. Para ela, outros episódios de violência acontecem diariamente na cidade e não recebem a mesma visibilidade.

— Em um momento em que a gente se vê em meio a tanta desumanidade, como é reconfortante receber tantas manifestações de força e de apoio que restauram a nossa crença na humanidade. Fico muito constrangida com toda essa atenção voltada ao meu caso específico, já que dezenas de outros ocorrem diariamente, alguns muito mais violentos do que o meu, mas que não chamam tanta atenção. Eu não sou diferente de ninguém — diz ela.

Esperança de mudança:

A arqueóloga disse esperar que a mobilização em torno do caso contribua para reduzir a violência no Rio:

— Torço para que essa mobilização sirva para ajudar a diminuir a escalada de violência que vem assolando a nossa cidade, o nosso querido Rio de Janeiro.

Na segunda-feira, agentes da 14ª DP (Leblon) realizaram uma operação em busca de Dean, apontado como suspeito de ser autor dos disparos que atingiram a arqueóloga. Na ocasião, ele não foi localizado.

De acordo com a apuração policial, há indícios de que o suspeito integra um grupo criminoso responsável por cometer assaltos na região. As investigações prosseguem com o objetivo de identificar todos os envolvidos na tentativa de latrocínio — roubo seguido de morte —, esclarecer a dinâmica da ação criminosa e apurar a possível participação dos investigados em outros roubos.

Depoimento da arqueóloga:

“Muito obrigada pelo seu contato e interesse pelo meu caso. Peço imensas desculpas, mas ocorre que eu sou uma pessoa extremamente reservada que não gosta de se expor, ainda mais nesse momento de grande insegurança. Me desculpe. Tudo o que tenho comigo agora é uma imensa gratidão por, milagrosamente, estar viva.

Eu fiquei muito agradecida às pessoas que me acolheram e ampararam ali naquele momento de extrema violência e fragilidade.

Apesar de ter levado 3 tiros à queima-roupa, alguns homens que viram o que estava acontecendo não se intimidaram e correram para me socorrer apesar do perigo. Naquele momento, não tive como registrar todos os que me socorreram nem tampouco pude agradecer do fundo do meu coração a solidariedade que me prestaram.

Agradeço imensamente a uma jovem mulher que usou seu celular para que eu pudesse avisar o meu marido o que tinha ocorrido.

Lembro de um taxista que, muito preocupado com a quantidade de sangue que eu estava perdendo, fez um garrote no meu braço com um cadarço. Outra pessoa me cedeu um moletom verde para ajudar a estancar a hemorragia na minha mão, e um terceiro, um casaco também para estancar o sangue.

Agradeço muito aos agentes da segurança presente que prontamente me acudiram e providenciaram meu transporte a jato ao hospital Miguel Couto. Um agradecimento muito especial vai para o sargento Anderson que foi o meu anjo da guarda naquele hospital, assim como aos médicos e enfermeiras que cuidaram de mim tão bem. Agradeço imensamente também à equipe do hospital particular que fez a remoção do projétil do meu pescoço e à equipe que fez a cirurgia para a reconstituição da minha mão. Todas essas pessoas ajudaram a salvar a minha vida, e jamais me esquecerei do que elas fizeram por mim.

Agradeço muito a todas as delegacias que vêm trabalhando incessantemente na investigação desse episódio e, em particular, ao extremo empenho e eficiência da equipe de investigação da 14ª DP do Leblon.

Estou muito emocionada com a gigantesca onda de solidariedade e apoio a mim, meus filhos, meu marido, e meus sobrinhos, que são como meus filhos. Em um momento em que a gente se vê em meio a tanta desumanidade, como é reconfortante receber tantas manifestações de força e de apoio que restauram a nossa crença na humanidade. Fico muito constrangida com toda essa atenção voltada ao meu caso específico, já que dezenas de outros ocorrem diariamente, alguns muito mais violentos do que o meu, mas que não chamam tanta atenção. Eu não sou diferente de ninguém. Torço para que essa mobilização sirva para ajudar a diminuir a escalada de violência que vem assolando a nossa cidade, o nosso querido Rio de Janeiro. Muito obrigada”.