RJ em Foco
Secretário morto na Avenida Brasil: Polícia Civil determina apreensão das armas de PMs
Agentes afirmam que motorista desobedeceu ordens de parada e que disparos foram ouvidos perto da Nova Holanda.
A Polícia Civil determinou a apreensão das armas dos policiais envolvidos na abordagem que resultou na morte do secretário. O carro em que ele estava foi interceptado por agentes do 22º BPM (Maré) na Avenida Brasil, altura de Bonsucesso, onde o veículo foi atingido por disparos. Os policiais envolvidos na ocorrência afirmaram que o motorista desobedeceu a diversas ordens de parada e que tiros foram ouvidos nas proximidades do acesso à comunidade Nova Holanda. Segundo os agentes, a situação proporcionou uma reação armada diante da percepção de perigo. A família da vítima, por sua vez, alega que a viatura policial estava descaracterizada.
Aos 152 anos:
Durante abordagem:
A perseguição teve início por volta das 20h, quando policiais do 22º BPM (Maré), durante patrulhamento, receberam informações via rádio sobre a movimentação suspeita de um BYD branco. Após localizar o veículo, os agentes afirmaram que ordenaram ao motorista que desligasse o motor e desembarcasse, mas ele não obedeceu.
Os policiais relataram que disparos de arma de fogo foram ouvidos nas proximidades, levando a equipe a reagir atirando contra um dos pneus do carro. Em seguida, o motorista teria fugido, e os agentes iniciaram a perseguição.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que o carro do secretário é alvejado. É possível ouvir uma conversa entre dois homens. "Largou o prego na BYD agora", diz um deles. O outro responde: "É bandido, você sabe?". "Tá gritando, tá mandando sair", diz o primeiro, sugerindo que acreditava que o ocupante do carro fosse um criminoso. Em seguida, ele completa: "Olha lá, está tentando sair. Caraca, largando o prego. Foi atrás, mané".
PMs relatam fuga
Os PMs envolvidos relataram que o motorista passou por dois pontos de bloqueio durante a perseguição. O veículo foi interceptado apenas na altura da passarela 14, quando o condutor perdeu o controle e colidiu contra uma mureta de proteção. Segundo os policiais, ele ainda tentou dar marcha à ré para escapar da abordagem. Familiares do secretário afirmam que a viatura envolvida era descaracterizada e com o giroflex desligado.
Ex-presidente da Alerj:
Os policiais declararam que, diante da possibilidade de fuga, efetuaram novos disparos contra os pneus. Outra equipe que prestou apoio ao 22º BPM relatou ter ouvido tiros próximos ao local da interceptação. Um dos PMs afirmou ter disparado sete vezes com um fuzil ao perceber a situação de perigo.
Vítima estava em quiosque
Jefferson, que residia na Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste do Rio, havia estado em um quiosque e ingerido bebida alcoólica durante a tarde. Sua esposa contou à polícia que recebeu uma ligação em que Jefferson dizia que estavam brigando com ele, mas não conseguiu compreender a situação.
A família suspeita que ele tenha deixado o quiosque e seguido pela Avenida Brasil em direção à Baixada Fluminense, onde moram seus pais. Os parentes alegam que foram informados de que, além dos policiais militares envolvidos, um frentista de um posto de combustíveis nas proximidades também foi ouvido. A viúva de Jefferson prestou depoimento.
Agentes foram afastados
Após o episódio, o governador em exercício do Estado do Rio, desembargador Ricardo Couto, determinou o afastamento dos policiais militares envolvidos. Em nota, o Governo do Estado expressou "profunda consternação" em relação aos parentes e amigos de Jefferson.
"A gravidade do episódio exige uma apuração rigorosa, célere e transparente. A Polícia Civil iniciou imediatamente as investigações para esclarecer as circunstâncias da ocorrência. A perícia foi realizada no local, as armas dos policiais foram apreendidas e imagens de câmeras corporais estão sendo analisadas. A Polícia Militar também investiga o caso por meio da Corregedoria Geral e se comprometeu a colaborar integralmente. O Governo do Estado acompanhará de perto a apuração e adotará todas as providências necessárias para garantir o completo esclarecimento dos fatos e as devidas responsabilizações", diz a nota.
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