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Das Ilhas Canárias à Suíça: PF prende suspeitos de tráfico de ovos de papagaios
Operação Ninho Vazio teve ações em três países após mulher ser flagrada no Galeão com 24 ovos escondidos sob a roupa.
Uma viagem da Suíça às paradisíacas Ilhas Canárias, arquipélago espanhol conhecido por suas praias e paisagens vulcânicas, terminou em prisão para dois homens apontados como líderes de uma organização criminosa suspeita de traficar ovos de aves silvestres brasileiras, especialmente papagaios. A dupla foi detida na Ilha de Gran Canaria, na Espanha, durante uma operação internacional deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta segunda-feira. Batizada de Ninho Vazio, a ação mobilizou autoridades de três países e teve como ponto de partida a apreensão de 24 ovos escondidos sob a roupa de uma passageira no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio, em outubro do ano passado.
Os dois investigados haviam viajado juntos da Suíça para as Ilhas Canárias, região que abriga diversos criadouros e parques dedicados a papagaios e outras aves da mesma família. As prisões foram realizadas pela Polícia Nacional da Espanha, com base em mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça brasileira, no âmbito da cooperação policial internacional.
Enquanto os suspeitos eram detidos em território espanhol, autoridades suíças cumpriam três mandados de busca e apreensão na cidade de Weinfelden. No Brasil, policiais federais prenderam temporariamente dois investigados e cumpriram outros três mandados de busca e apreensão em Curitiba, no Paraná.
Durante as buscas realizadas na capital paranaense, agentes encontraram dezenas de animais empalhados, além de ossadas e crânios de animais. Imagens divulgadas pela PF mostram exemplares de diferentes espécies dispostos no chão de uma residência e uma grande quantidade de crânios organizados em recipientes. O material foi apreendido durante o cumprimento dos mandados.
Uma mulher de nacionalidade suíça, apontada como responsável pelo transporte clandestino dos ovos, também é alvo de mandado de prisão preventiva. Ela foi incluída na Difusão Vermelha da Interpol, mecanismo de cooperação internacional destinado à localização e prisão de procurados pelas autoridades judiciais.
A investigação começou em outubro de 2025, quando a Polícia Federal interceptou uma passageira suíça que se preparava para embarcar no Galeão com destino ao seu país de origem. Sob a roupa, junto ao corpo, ela escondia 24 ovos de aves silvestres brasileiras. A apreensão levou os investigadores a identificar indícios de uma rede internacional dedicada à retirada de ovos da fauna brasileira e ao transporte clandestino para o exterior.
Entre os exemplares que sobreviveram, foram identificados o papagaio-de-cara-roxa (Amazona brasiliensis) e o papagaio-charão (Amazona pretrei). Este último, encontrado principalmente no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, está ameaçado de extinção. Já o papagaio-de-cara-roxa, que vive no litoral de São Paulo e do Paraná, é classificado como quase ameaçado.
Segundo a PF, além de comprometer a reprodução das espécies, a retirada ilegal dos ovos provoca danos à conservação da fauna brasileira. As condições inadequadas de transporte também teriam causado sofrimento e elevada mortalidade dos embriões.
Ao aprofundar as investigações, a Polícia Federal identificou um histórico de viagens recorrentes de integrantes do grupo entre o Brasil e a Suíça ao longo de aproximadamente 20 anos. Entre os deslocamentos analisados, havia diversas passagens de curta duração pelo território brasileiro.
Para os agentes, o padrão das viagens, somado às comunicações entre os suspeitos, aos vínculos identificados e à apreensão dos ovos no Galeão, constitui indício de uma atividade reiterada de tráfico internacional.
A PF também aponta uma divisão de tarefas entre os integrantes da organização. Enquanto alguns seriam responsáveis pela obtenção dos ovos no Brasil, outros atuariam na organização das viagens, no transporte clandestino e na recepção do material no exterior.
Os investigados poderão responder, conforme a participação de cada um, por tráfico de animais silvestres, maus-tratos, contrabando e organização criminosa.
As apurações continuam para identificar outros possíveis fornecedores, intermediários e destinatários dos animais, além de esclarecer a extensão das atividades ilegais atribuídas ao grupo.
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