RJ em Foco
PF prende mulher e filho de Marcinho VP em operação contra monopólio do tráfico sobre internet no Rio
Ação cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão; bloqueio de bens pode chegar a R$ 558 milhões
A Polícia Federal prendeu, nesta segunda-feira, a mulher e o filho de Marcinho VP, apontado como um dos principais chefes do Comando Vermelho (CV), durante a Operação Backbone, que investiga o monopólio imposto pela facção sobre o fornecimento de internet nos Complexos do Alemão, da Penha e do Chapadão, no Rio. Segundo a PF, a cobrança pelo serviço chegou a representar mais de 40% da arrecadação do grupo no Complexo da Penha em um único mês.
Não é a primeira vez que Márcia Gama dos Santos Nepomuceno e o filho Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, são alvos de operações policiais. Em abril, os dois foram alvo de uma investigação sobre lavagem de dinheiro do Comando Vermelho, ao lado do rapper Oruam, também filho de Marcinho VP.
Batizada de Operação Backbone, a ação desta segunda cumpre 23 mandados de prisão preventiva e 24 de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF). As diligências ocorrem no Rio, em Nova Iguaçu, São João de Meriti, Teresópolis, Maricá e Magé. Parte das prisões será realizada no sistema prisional, inclusive em uma unidade penitenciária federal.
A operação também prevê o bloqueio de bens e valores de até R$ 558 milhões, atingindo 40 pessoas físicas e 42 empresas. Foi determinada ainda a suspensão das atividades econômicas das pessoas jurídicas investigadas, entre elas provedores de internet, produtoras de eventos, uma empresa de contabilidade e empresas de fachada.
Corte de cabos e ameaças
De acordo com a PF, integrantes da facção cortavam cabos e incendiavam caixas de distribuição de operadoras regulares e concorrentes, impedindo reparos e obrigando moradores e comerciantes a contratar a chamada “internet do tráfico”.
Os provedores autorizados pelo grupo pagavam mensalmente uma tarifa para ter o direito de operar nos territórios dominados pela facção. Registros contábeis do próprio grupo indicaram que, em um único mês, a cobrança pelo serviço de internet respondeu por mais de 40% de toda a arrecadação da organização criminosa no Complexo da Penha.
Para os investigadores, a exploração do serviço se tornou uma das principais fontes de lucro da facção e também alimenta a disputa por territórios. Cada comunidade dominada representa, segundo a PF, uma base de clientes cativos e uma nova fonte de receita para o grupo.
As investigações apontaram que um dos líderes históricos da facção, preso há quase três décadas e atualmente custodiado no Sistema Penitenciário Federal, continuava a controlar as atividades empresariais exploradas nos territórios, em conjunto com familiares e outras lideranças.
Segundo a PF, os lucros chegavam à família do líder por meio de empresas arrecadadoras, operadores financeiros e contas de passagem. Os recursos eram dissimulados em produtoras de eventos, empresas de publicidade, imóveis de alto padrão — pagos em dinheiro vivo — e criptoativos.
A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) será oficiada para cassar as outorgas e interditar os serviços de telecomunicações prestados pelas empresas investigadas. A PF informou que serão adotadas medidas para assegurar a continuidade do serviço aos moradores das áreas afetadas.
Os investigados poderão responder por domínio social estruturado, extorsão majorada, atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública, interrupção de serviço telemático, desenvolvimento clandestino de telecomunicações e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que possam ser identificados durante as apurações.
A operação integra a Força-Tarefa Missão Redentor II, coordenada pela Polícia Federal para combater organizações criminosas no estado do Rio, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo STF na ADPF 635.
Mais lidas
-
1COMPORTAMENTO
Apartamento, jatinhos e festa: O que o caso Yasmin Brunet e Vorcaro revela sobre a dinâmica dos relacionamentos sugar
-
2A CONTA NÃO FECHA
Pastor em Delmiro, salário em Maceió: folha aponta jornada de 40 horas a 290 km de distância na prefeitura de JHC/Cunha
-
3CORREGEDORIA
CNJ convoca desembargador Fábio Ferrario para auxiliar em inspeção no TJ de Roraima
-
4SEGURANÇA PÚBLICA
Homem apontado como integrante de 'Equipe Caos' do CV no Morro do Fubá morre em confronto com PMs
-
5EXTREMISTA EXALTADO
Panelaço contra Flávio em Maceió termina com porteiro que participava do ato com moradores e vizinhos levado pela polícia; morador denunciou intimidação bolsonarista