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Passeio Público ganha movimento com samba e feira aos domingos, mas enfrenta problemas de conservação e segurança
Chuva deixa trechos do parque enlameados e dificulta a circulação; frequentadores também reclamam da iluminação e do policiamento, enquanto Prefeitura prevê intervenções
Tem samba, tem feira e tem carioca redescobrindo o Passeio Público. Mas o parque ainda não parece pronto para a própria festa. Basta a chuva cair ou a noite chegar para que o jardim histórico revele um outro lado. Tombado pelo Iphan desde 1938, o espaço entre a Lapa e a Cinelândia — considerado o primeiro parque público das Américas — vem passando por uma retomada cultural e recebe um público numeroso aos domingos. Nos outros dias, sem a programação que anima o lugar, o cenário é outro.
Desde agosto de 2025, o local recebe, aos domingos, o Samba do Passeio e uma feira com barracas de artesanato, moda, acessórios, gastronomia e bebidas. A programação atrai moradores, turistas e comerciantes. Durante o evento, o acesso é controlado, com revista na entrada, seguranças particulares, bombeiros e equipes de limpeza.
Durante a semana, os problemas de conservação ficam mais evidentes. Depois de chuvas fortes, a área onde acontece a roda de samba pode ficar alagada. O chão de terra batida acumula lama e poças, e partes do gramado estão desgastadas. Depois de alguns dias de chuva no Rio, a lama tomou conta de trechos do Passeio no domingo, dificultando a circulação e o trabalho dos comerciantes.
A técnica de enfermagem Jéssica Andrade, de 26 anos, frequenta o samba todos os domingos, geralmente acompanhada da filha.
— Quando chove, geralmente cancelam o samba. O chão fica tão enlameado que a gente não consegue frequentar o parque. O que fizeram aqui com o samba é incrível, mas sempre vou embora antes de escurecer, tanto pela iluminação quanto pela segurança nos arredores — conta.
Bueiros abertos, problemas na iluminação e sinais de falta de cuidado com a vegetação e o lago também fazem parte do cenário. À noite, a iluminação insuficiente em alguns pontos e a preocupação com a segurança tornam a circulação pelo parque menos tranquila.
Moradora da região, a psicanalista Rhayanne Louback, de 38 anos, passeia com o cachorro pelo Passeio Público todas as manhãs desde antes da revitalização. Ela vê com bons olhos a movimentação cultural, que diz ter trazido mais limpeza e segurança ao espaço. Para ela, no entanto, o solo, já bastante degradado, pode ter piorado com o aumento da circulação.
— A conservação está bem ruim. Quando chove, fica cheio de lama. Começaram a fazer vários eventos, e não tem mais grama, então qualquer chuva fica esse monte de poça d'água — diz.
Além disso, Rhayanne observa que a atuação da Guarda Municipal no local perdeu frequência. Segundo a moradora, a cabine de segurança raramente conta com agentes, e a passagem de viaturas é inconstante. Para evitar problemas, ela restringe suas caminhadas à parte da frente do Passeio Público.
Com a chuva dos últimos dias, a lama se acumulava em frente à barraca de comida árabe Aboud. O dono, Abdolla Alazanoun, trabalha no parque há cerca de três meses e diz que as condições dificultam o trabalho e a circulação de fregueses. Apesar das dificuldades, ele vê potencial no evento e considera que o aumento do público exige mais organização.
— O Passeio estava abandonado há muitos anos. Acho que estão fazendo um milagre, mas dá para melhorar bastante coisa. A cada semana o público está ficando maior. Se não tiver uma atenção melhor, uma organização melhor, vai chegar um momento que não vai dar vazão. Tem muita área morta [na região] que a gente pode aproveitar — avalia.
Construído a partir de 1783 sobre a área aterrada da antiga Lagoa do Boqueirão, o Passeio Público é considerado o primeiro parque ajardinado do Brasil. Com cerca de 33 mil metros quadrados, reúne alamedas, lago, chafarizes, estátuas e obras atribuídas a Mestre Valentim.
Procurada, a Secretaria municipal de Conservação informou que há uma licitação em andamento para recuperar o gradil e reformar o Passeio Público. O órgão também fará uma vistoria para identificar outras necessidades de reparo. A resposta não detalha quais intervenções serão feitas no solo nem se estão previstas medidas específicas para evitar o acúmulo de água.
A RioLuz informou ter realizado serviços de manutenção e normalizado a iluminação do parque. A Guarda Municipal argumentou que realiza rondas no local para reforçar a segurança e proteger os equipamentos públicos. Já a Comlurb disse manter a limpeza diária, com varrição, coleta de resíduos e corte de mato, além de reforçar o serviço antes e depois do Samba do Passeio, aos domingos.
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