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Quando o Cristo se ilumina para criar consciência

Projeto que altera cores do Cristo Redentor começou em 2008 com o Outubro Rosa e já se tornou marca da cidade, chamando a atenção para causas como saúde mental ou eventos grandiosos como a Bienal do Livro

Agência O Globo - 18/10/2026
Quando o Cristo se ilumina para criar consciência
Cristo Redentor já foi iluminado de verde e amarelo em homenagem a seleção feminina - Foto: Reprodução

Os cariocas já se acostumaram a levantar os olhos em direção ao Cristo Redentor e vê-lo brilhar em cores. Ao longo do ano, ações de iluminação e projeções no monumento servem como alerta para causas sociais relevantes, como prevenção de doenças e conscientização sobre direitos e proteção social. Outras iniciativas visam chamar atenção para eventos, lançamentos de produtos ou datas comemorativas.

A primeira campanha do tipo ocorreu em 2008, durante o Outubro Rosa — uma mobilização para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama. Por sugestão da socialite carioca Gisella Amaral, o Santuário decidiu apoiar a causa, iluminando a estátua com refletores cobertos por películas de gelatina cor de rosa, alertando sobre a doença.

“Eu e Gisella fomos ao Saara para comprar o material que cobriria os refletores. O evento não podia passar de 20 minutos, porque aquele material que colocávamos derretia”, conta o padre Omar Raposo, reitor do Santuário Cristo Redentor. Segundo ele, o monumento já havia sido iluminado anteriormente, mas sem conexão com alguma causa específica.

Desde então, o Cristo anualmente ganha as cores de campanhas como Setembro Amarelo (saúde mental e prevenção ao suicídio), Novembro Azul (câncer de próstata) e o Dia Mundial de Luta contra a Aids, em dezembro. Também há iluminações dedicadas à conscientização sobre violência doméstica e ao estímulo à informação e denúncia (Agosto Lilás).

Embora a iluminação seja a principal forma de chamar a atenção para as causas, o movimento inverso também mobiliza. Em maio de 2023, o monumento teve suas luzes apagadas por uma hora, em solidariedade ao jogador Vinicius Jr., vítima de racismo durante uma partida do Real Madrid. Em suas redes sociais, o atleta comentou: “Preto e imponente. O Cristo Redentor ficou assim há pouco. Uma ação de solidariedade que me emociona”. A mesma ação já foi utilizada para alertar sobre o retinoblastoma, câncer infantil que pode levar à cegueira e à morte se não tratado.

Além das iniciativas de conscientização, há ações propostas por empresas privadas, instituições públicas e do terceiro setor. Foram mais de 40 parcerias em 2025, relacionadas a eventos, lançamentos de produtos e alusões a datas comemorativas. Uma projeção marcou os cem dias que faltavam para a COP-30, por exemplo, exibindo as cores da bandeira brasileira e imagens estilizadas da fauna amazônica. Também no ano passado, a Bienal do Livro lançou sua programação aos pés do Cristo, que “vestiu” a camisa da feira.

Os eventos e ativações realizados no Cristo são sempre vinculados a contrapartidas sociais, por meio de doações financeiras, de bens ou de alimentos, oferta de cursos e oficinas, atendimentos e serviços oferecidos à comunidade. Tudo isso se reverte para as obras desenvolvidas ou apoiadas pelo consórcio, que tem como braço social a Obra Social Leste Um — O Sol. Somente em 2025, foram mais de 45 mil atendimentos.

No caso da Bienal do Livro, a contrapartida se traduziu em doação de ingressos e credenciais para a feira. A parceria possibilitou a visita de crianças e adolescentes da Pastoral do Menor e do projeto Educagente, da Associação Beneficente São Martinho, que tiveram acesso a livros e atividades voltadas ao incentivo à leitura e ao apoio à formação educacional. Também por meio de contrapartida, foi possível promover a revitalização do Centro de Acolhimento à Mulher Nossa Senhora do Parto, projeto ligado ao Santuário Cristo Redentor, voltado a mulheres gestantes e puérperas em situação de vulnerabilidade social.