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Entenda a participação de Marcio Canella e Marcus Amim, presos pela PF suspeitos de integrarem organização criminosa

Polícia Federal mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões

Agência O Globo - 15/10/2026
Entenda a participação de Marcio Canella e Marcus Amim, presos pela PF suspeitos de integrarem organização criminosa
Entenda a participação de Marcio Canella e Marcus Amim, presos pela PF suspeitos de integrarem organização criminosa - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira mais uma etapa da operação Unha e Carne, que investiga a relação do crime organizado com o poder público no Rio. Entre os presos estão o deputado eleito Marcio Canella (União) e o ex-secretário de Polícia Civil Marcus Amim, suspeitos de integrarem uma organização criminosa. O ex-prefeito de Belford Roxo é apontado pela PF como “articulador político e patrono das nomeações do grupo” e o delegado é descrito como operador institucional e garantidor de blindagem policial ao grupo, valendo-se dos cargos de cúpula por ele ocupados para proteger as atividades ilícitas da organização.

Unha e Carne:

Quem é Márcio Canella:

Nesta etapa, a investigação da Polícia Federal mira um suposto esquema de lavagem de dinheiro que movimentou mais de R$ 7,6 bilhões ao longo dos últimos seis anos por uma rede de postos de combustíveis. Essas empresas estariam registradas em nome de familiares de policiais civis e suspeitas de lavagem de dinheiro e envolvimento de políticos.

Segundo deputado estadual mais votado pelo Rio e ex-prefeito de Belford Roxo, Marcio Canella é descrito pelos delegados como articulador político do grupo. Ele teria atuado para impedir ações de fiscalização por órgãos de controle ou investigações policiais e até favorecer as empresas da organização criminosa em fraudes de licitações públicas.

Na casa de bilhões:

Relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) revela que o deputado eleito movimentou de maio de 2025 a abril deste ano R$ 2,6 milhões, sendo mais da metade de uma empresa em que ele é sócio com Bruno Viana de Souza, dono de uma rede de postos de combustíveis. Os investigadores descobriram que desse valor, parte foi repassada a familiares e aliados políticos de Canella.

“Ainda que não identificado como operador direto das movimentações financeiras do grupo, ocupa posição de beneficiário recorrente de recursos originados no núcleo econômico investigado, com trânsito de valores por estrutura societária formal cuja origem primária os próprios bancos comunicantes declararam não conseguir estabelecer — circunstância que, para os fins da Lei n. 9.613/1998, é o núcleo do que se qualifica como indício de lavagem de capitais”, descreve a PF ao pedir a prisão do deputado eleito.

Quem é Marcus Amim:

Delegado da Polícia Civil, Marcus Amim se tornou presidente do Detran e secretário de Polícia Civil por indicação e articulação política de Márcio Canella. A Polícia Federal aponta que ele é “o operador institucional e garantidor de blindagem policial, usando os cargos de cúpula para proteger as atividades do grupo”. Também figura como sócio de fato/direito das "laranjas", sócio oculto de uma rede de postos de gasolina. O policial e a esposa declaram renda de quase R$ 50 mil mensais, mas possuem um padrão de vida incompatível, seguindo a PF.

Marcus Amim é sócio formal da empresa Mamim Consultoria, que recebeu mais de R$ 2 milhões de repasses das redes de combustível investigadas pela PF. Da ADM OIL Prestadora de Serviços, a empresa de Amim recebeu R$ 70 mil mensais nos últimos dois anos. A movimentação “é um padrão típico de "aluguel" ou "consultoria" fictícios usados para justificar formalmente repasses que, na prática, remuneram a proteção/influência do agente público”.

Investigação:

Como presidente do Detran, Marcus Amim, aponta a PF, contratou sem licitação a empresa de reboques Opção Ativa, que tem como sócio irmão de um aliado político de Márcio Canella, representando um “evidente o desvio de finalidade do ato administrativo com a fim de retroalimentar financeiramente a organização criminosa por meio do escoamento deliberado de verbas públicas em favor de seus integrantes.”

O que dizem os citados na investigação:

Ubiratan Guedes, advogado dos irmãos Cristiano e Giovani, afirmou que ainda não teve acesso aos autos do processo. Os dois estão sendo levados para Benfica. Segundo o advogado, a defesa ainda avalia os próximos passos e busca reverter a prisão dos clientes. Guedes acrescentou que os irmãos ficaram surpresos com a prisão.

Por meio de sua advogada, Sheila Lustoza, Márcio Canella disse que “confia em Deus, na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido”.

O advogado Thiago Minagé, que representa Amim, afirmou que aguarda acesso à decisão para prestar os devidos esclarecimentos.

Sobre os policiais presos, a Polícia Civil respondeu, por meio de nota que a Corregedoria-Geral de Polícia Civil (CGPOL) participa da operação, em apoio à Polícia Federal, e que "não compactua com qualquer desvio de conduta e adota, de forma rigorosa, as medidas administrativas e disciplinares cabíveis diante de indícios de irregularidades." O texto diz ainda que "a instituição mantém atuação integrada com outras forças de segurança e órgãos de controle, respeitando as atribuições de cada instituição, para garantir a apuração dos fatos e a responsabilização dos envolvidos, quando cabível".