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Hospital universitário do Rio usa tecnologia 3D para planejar cirurgias pelo SUS

Técnica transforma exames de imagem em modelos físicos de órgãos e ossos; tecnologia auxiliou 45 procedimentos no Hupe.

Agência O Globo - 14/10/2026
Hospital universitário do Rio usa tecnologia 3D para planejar cirurgias pelo SUS
Hospital universitário do Rio usa tecnologia 3D para planejar cirurgias pelo SUS - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Um hospital público do Rio passou a utilizar modelos tridimensionais de órgãos e ossos humanos para auxiliar o planejamento de cirurgias pelo Sistema Único de Saúde (SUS). No Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a tecnologia transforma exames de imagem em peças físicas que permitem aos médicos visualizar estruturas anatômicas e definir com mais precisão a abordagem cirúrgica. Nos últimos 12 meses, o laboratório produziu 50 modelos para auxiliar 45 procedimentos.

A tecnologia é utilizada em especialidades como urologia, neurologia, proctologia, ortopedia e cardiologia. A partir de exames como tomografias e ressonâncias magnéticas, os profissionais produzem réplicas em tamanho real que podem ser manuseadas antes da operação. O recurso permite identificar a localização e a profundidade de lesões, além de visualizar vasos e artérias. Segundo a coordenação do projeto, a técnica também pode contribuir para reduzir o tempo de cirurgia, o sangramento e o risco de complicações.

Um dos pacientes beneficiados foi Yago Moraes Costa, que convive com fortes dores renais desde os 14 anos devido à formação de cálculos. Em 2025, ele passou por uma litotripsia, procedimento que utiliza laser para fragmentar as pedras nos rins. Segundo o material divulgado pelo hospital, a intervenção permitiu tratar o problema que já comprometia o funcionamento de um dos órgãos.

Na urologia, uma pesquisa do médico Bruno de Medeiros Corrêa identificou redução no tempo médio de punção, uma das etapas mais delicadas do procedimento, de 5,3 para 2,8 minutos com o auxílio dos modelos 3D. A queda da hemoglobina, utilizada como indicador de sangramento, passou de 1,95 g/dL para 0,83 g/dL. Já o tempo total de cirurgia caiu de 57 para 52 minutos.

Em outro caso, um modelo de rim produzido no fim de 2024 levou a equipe a mudar a estratégia cirúrgica inicialmente prevista. A análise da réplica indicou que a abordagem planejada não seria eficaz. Com a mudança, o tumor foi retirado com sucesso, preservando o órgão, de acordo com o material divulgado.

Oito impressoras 3D

A Unidade Saúde 3D funciona no laboratório digital do Núcleo de Telessaúde e Saúde Digital da Uerj, criado em 2023. A estrutura conta com oito impressoras que utilizam resina e termoplástico, além de dois escâneres para peças anatômicas e de corpo inteiro.

Além das réplicas anatômicas, o laboratório desenvolve dispositivos ortóticos, peças de apoio e componentes para equipamentos hospitalares, incluindo respiradores mecânicos. Segundo a coordenação do projeto, o Hupe é o único hospital público universitário a integrar a tecnologia à assistência pelo SUS.

O laboratório também desenvolve um protótipo de videolaringoscópio para recém-nascidos prematuros extremos. Criado pela estudante Iasmin Lourenço Ribeiro, o equipamento busca tornar mais segura a intubação endotraqueal. O custo estimado é de cerca de R$ 400, enquanto modelos disponíveis no mercado podem chegar a R$ 15 mil.

Outra pesquisa utiliza palmilhas impressas em 3D, integradas a aplicativos de celular, para monitorar a pressão exercida pelos pés durante a caminhada. A proposta é auxiliar na prevenção de alterações em pacientes com pé diabético. As duas iniciativas estão em fase de patenteamento.