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‘Meu pai foi meu melhor amigo, meu maior amor’: filha de policial do Bope morto na Gardênia Azul faz homenagem emocionante

Em relato nas redes sociais, filha do subtenente Gláucio Marcelo lembra cuidados do pai, que ligava durante seu trabalho para saber se estava segura; agente morreu em tiroteio com suspeita de fogo amigo

Agência O Globo - 14/10/2026
‘Meu pai foi meu melhor amigo, meu maior amor’: filha de policial do Bope morto na Gardênia Azul faz homenagem emocionante
‘Meu pai foi meu melhor amigo, meu maior amor’: filha de policial do Bope morto na Gardênia Azul faz homenagem emocionante - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Mesmo durante os atendimentos a pacientes ou no centro cirúrgico, Laryssa Viana precisava interromper o trabalho para tranquilizar o pai. O subtenente Gláucio Marcelo Fonseca da Silva, do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), acompanhava a localização da filha pelo celular e telefonava para saber se ela estava segura. Era uma demonstração de cuidado que fazia parte da rotina dos dois e que agora se transformou em lembrança. Morto aos 54 anos, no último domingo, durante uma ação policial na Gardênia Azul, em Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio, Gláucio foi homenageado pela filha em uma publicação nas redes sociais.

‘Será que ninguém viu uma farda?’:

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"Quantas e quantas vezes eu pedia licença a uma paciente só para atender ele e avisar que estava tudo bem, porque ele via na minha localização e queria saber se eu estava segura ou precisando de algo", escreveu Laryssa.

Na publicação, a filha procurou apresentar uma face do policial que, segundo ela, nem todos conheciam: a do pai dedicado à família, que encontrava no cuidado com os filhos sua maior felicidade.

"Muitos conhecem o Glaucio policial, que deu a vida pela sociedade, que honrou o BOPE, que dedicou os últimos 26 anos à população. Mas hoje eu quero falar do meu pai, de quem escolheu me amar, de quem me ensinou o que é ser pai", afirmou.

Laryssa descreveu Gláucio como seu melhor amigo, conselheiro e porto seguro. Segundo ela, o pai tinha o hábito de colocar as necessidades dos outros à frente das próprias e transmitiu aos filhos os valores da fé cristã.

"Meu pai foi meu melhor amigo, meu conselheiro, meu maior amor, meu pastor, meu exemplo, meu intercessor, meu Porto Seguro. Meu pai VIVIA o amor ao próximo, se precisasse ficar sem algo só para o outro ter, assim então ele fazia".

O policial deixou três filhos, duas mulheres, de 30 e 19 anos, e um menino de 7. Na homenagem, a filha contou que Gláucio fazia questão de acompanhar a vida dos filhos e que não havia pessoa próxima a ela que não tivesse ouvido histórias sobre o pai.

"Não tem uma pessoa que me conheça e não tenha escutado falar do meu pai. Meus pacientes, meus colegas, meus amigos, meus conhecidos, TODOS já ouviram um pouquinho sobre ele", enfatizou.

Ao falar da ausência, Laryssa relembrou situações cotidianas que não poderá mais compartilhar com o subtenente, como as ligações que precisava encerrar às pressas durante o expediente.

"Hoje, uma parte de mim se foi, eu nunca mais poderei ouvir sua voz, sentir seu abraço, sentir seu cheirinho, te receber na minha casa. Nunca mais vou ter que parar no meio do centro cirúrgico ou do atendimento e falar baixinho 'to trabalhando, já te ligo'. Hoje, parte dos meus sonhos se encerram. Eu estou despedaçada, sem chão, com uma dor que sempre foi o meu maior medo sentir".

Suspeita de fogo amigo e duas perdas na família

Gláucio morreu no domingo após um tiroteio envolvendo agentes do Bope e do 18º BPM (Jacarepaguá), na Gardênia Azul. A suspeita é de que policiais do batalhão de área tenham confundido uma abordagem feita por integrantes da tropa de elite com uma ação criminosa e disparado contra os colegas. Outros cinco PMs ficaram feridos. O subtenente completaria 26 anos de serviço na Polícia Militar em dezembro.

A morte representa a segunda perda de um integrante do Bope na mesma família em menos de um ano. Em outubro de 2025, seu irmão, o terceiro-sargento Heber Carvalho Fonseca, foi um dos cinco policiais mortos durante a megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, considerada a mais letal da história do Rio.

Os dois irmãos construíram suas trajetórias na tropa de elite da Polícia Militar. Menos de um ano depois de se despedir de Heber, os parentes tiveram de enfrentar novamente o luto, desta vez em uma ocorrência marcada pela suspeita de fogo amigo, quando integrantes de uma força de segurança acabam atingidos por disparos dos próprios colegas.

Segundo a versão inicialmente divulgada pela Polícia Militar, agentes do 18º BPM teriam confundido a atuação da equipe do Bope com uma ação de criminosos. A ocorrência terminou com a morte do subtenente e outros cinco policiais feridos.

Na homenagem, Laryssa não abordou diretamente as circunstâncias do tiroteio. Preferiu concentrar suas palavras na relação com o pai e no legado que, segundo ela, permanecerá na família.

"Hoje eu perdi sua presença física, mas o seu legado será eterno! Que eu possa ser pelo menos 1% do que você foi, isso já me bastaria". "Eu te amo mais do que tudo, pai! Nos encontraremos na eternidade", encerrou.