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Cristo Redentor e Nossa Senhora Aparecida de mãos dadas: missa celebra 95 anos do monumento e dia da padroeira do Brasil

Comemoração teve ainda a inauguração de mostra com obras que contam a história do cartão-postal carioca, que é reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pela Unesco

Agência O Globo - 12/10/2026
Cristo Redentor e Nossa Senhora Aparecida de mãos dadas: missa celebra 95 anos do monumento e dia da padroeira do Brasil
Cristo Redentor e Nossa Senhora Aparecida de mãos dadas: missa celebra 95 anos do monumento e dia da padroeira do Brasil - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Uma segunda-feira atípica e solene, este 12 de outubro já seria grandioso se celebrasse "apenas" o Dia das Crianças e de Nossa Senhora Aparecida, mas vai além. Simboliza ainda os 95 anos de um dos monumentos mais icônicos do Brasil, o Cristo Redentor, que está em festa. As comemorações começaram nas primeiras horas da manhã. Às 7h30, uma missa presidida pelo arcebispo do Rio, o cardeal Orani João Tempesta, no Centro de Visitantes Paineiras, no Morro do Corcovado, homenageou o aniversário e prestou honras à padroeira do país, a quem é consagrada a igreja que fica aos pés da estátua. Antes, no mesmo local, foi inaugurada a “Mostra Cristo Redentor – Rumo aos 100 Anos”, com obras que contam a história deste bem reconhecido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e pela Unesco, além de ostentar o título de uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno desde 2007.

A Santa Missa em Ação de Graças pelos 95 Anos do Cristo Redentor foi aberta com a troca do manto da imagem de Nossa Senhora Aparecida, em sinal de devoção do povo carioca à santa, explicou Orani.

— Nós temos, hoje, o dia de Nossa Senhora Aparecida, e recordamos com muito carinho que, em 1717, essa imagem foi achada e pescada no Rio Paraíba. Ela tem uma relação com o Rio, porque a imagem histórica veio para a cidade, onde foi declarada padroeira do Brasil. E quis o cardeal Dom Sebastião Leme que Cristo Redentor fosse inaugurado neste mesmo dia, há 95 anos — observou.

O cardeal afirmou que as celebrações marcam uma nova etapa do Cristo: uma contagem regressiva para seu centenário, a ser celebrado em 2031. Os próximos cinco anos serão de preparação para a grande data.

— O Cristo tem uma missão: está de braços abertos para acolher todo mundo que vem ao Rio de Janeiro. Faço um chamado para acolhermos uns aos outros. De outro lado, que Maria interceda por todos nós, para sermos uma nação onde a justiça, a paz e a prosperidade aconteçam — destacou Orani, antes de comentar o cenário de polarização política: — Que cada um exerça o direito ao voto com responsabilidade, sabendo das consequências de suas escolhas. Desejamos que os eleitos possam fazer o melhor pelo nosso estado e pelo nosso país.

Reitor do Santuário Cristo Redentor, o padre Omar Raposo definiu o dia de hoje como “um momento histórico e especial”:

— É um dia marcado por muita fé em todo o nosso país. Hoje, estamos fortalecendo neste espaço as boas práticas do turismo religioso, regenerativo e sustentável, integrando as dimensões cultual e cultural. É um dia de festa.

Na abertura da exposição que precedeu a missa, maquetes das fases históricas, o molde da cabeça do Cristo Redentor, a estrutura original de para-raios em formato de coroa, a réplica do Sagrado Coração do Redentor e um conjunto de medalhas e cunhos comemorativos estão entre as atrações.

Um dos destaques é um vídeo especial com imagens da estátua e, ao fundo, a voz da atriz Fernanda Montenegro, recitando o poema “Cristo Redentor - a engenharia da fé”, do escritor Carlos Dimuro.

— Quando falo da engenharia, me refiro à construção. Na época, transformar a pedra-sabão naquele monumento maravilhoso foi uma grande novidade. Então, houve uma combinação de fé e engenhosidade. Na voz de Fernanda Montenegro, o texto fica irredutível — comentou Dimuro.

Com curadoria do padre Omar, a mostra exibe também charges, fotos e páginas do Jornal O GLOBO, com destaque para a capa histórica do dia da inauguração do Cristo Redentor. Outras obras assinadas por artistas de renome estrelam a exposição: “Cristo Redentor em acrílico colorido” e “Nossa Senhora Aparecida”, de Marco Velasquez; “Rosto de Cristo / Sagrada Face”, “Virgem Maria em Oração” e “Cristo em Glória”, de Rafael Ferraraccio; “Christ The Redeemer - Limited Edition Print”, de Romero Britto; “União dos Povos” e “Gênesis”, de Alexandre Pinhel.

Os visitantes puderam conferir ainda “O Corcovado, o Redentor e uma Oração”, série construída pela fotojornalista Claudia Martini ao longo de 22 anos, a partir das fotografias feitas da janela de seu apartamento. O trabalho revela diferentes paisagens do Morro do Corcovado e do Cristo Redentor, tendo o Pai-Nosso como estrutura narrativa.

— Queríamos contar a história do Cristo, do período de construção e falar das pessoas que participaram. E a ideia foi começarmos a trabalhar o Museu do Cristo Redentor, que será entregue no centenário. O que já temos aqui é uma mostra de tudo que pode ser aproveitado no museu, como uma sala mostrando como são feitas todas as projeções do Cristo — afirma Pablo Morbis, CEO do Grupo Cataratas, que organiza a exposição em parceria com a Arquidiocese do Rio e a empresa Mude.

No local, também foram produzidas, ao vivo, duas obras pelo artista Rafael Ferraraccio. Uma delas, a imagem do Cristo, fará parte do futuro museu do monumento; a outra, a de Nossa Senhora Aparecida, será doada para o Hospital Pediátrico Jutta Batista, em Botafogo, na Zona Sul do Rio.

Rafael Ferraraccio tem uma habilidade peculiar: pinta com os dedos, em vez dos pincéis. Ele começou a pintar em 2022, por hobby, e sua primeira tela foi uma Nossa Senhora, de quem é devoto. O artista foi motivado por uma visão que teve da santa aos 18 anos.

— Já tive a oportunidade de pintar o Cristo Redentor a convite do padre Omar, e estou extremamente feliz por estar nas celebrações dos 95 anos. Sempre fico um pouco nervoso ao pintar ao vivo, mas pintar imagem sacra me dá força. Então, acabo perdendo o medo e dá certo — contou.

Após a missa, é realizada a Ação de Amor do Cristo Redentor, na Catedral Metropolitana de São Sebastião do Rio de Janeiro, no Centro, com cerca de 50 serviços gratuitos voltados para a população em situação de vulnerabilidade social, nas áreas de saúde, cidadania, educação, empreendedorismo e empregabilidade, beleza e meio ambiente. A programação inclui, até o fim da tarde, um café da manhã comunitário, recreação infantil, almoço, Cortejo de Nossa Senhora e a Oração do Ângelus, atendimentos médicos em diversas especialidades (ginecologia, oftalmologia, clínica geral, ultrassonografia e endocrinologia), assistência jurídica, cadastro para vagas de emprego, corte de cabelo, rodas de conversas para fortalecimento da autoestima e banhos para moradores em situação de rua.

No âmbito da sustentabilidade, haverá exposições e oficinas de projetos ambientais, distribuição de mudas e ação com incentivo ao descarte correto de materiais eletrônicos. O mundo animal também está no foco, com atendimento clínico, vermifugação, aplicação de medicamentos para eliminação de pulgas e carrapatos e vacinação antirrábica e microchipagem.

— Não teria sentido algum termos um dia de expressão cultural e da fé sem a dimensão caritativa presente, com um impacto que é múltiplo — comentou padre Omar.