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Seis pessoas são presas, suspeitas de impor monopólio ilegal de internet ligado ao Comando Vermelho em Vila Isabel

O grupo cortava sistematicamente os cabos de fibra óptica de operadoras regulares e impedia que técnicos dessas empresas realizassem os reparos necessários

Agência O Globo - 09/10/2026
Seis pessoas são presas, suspeitas de impor monopólio ilegal de internet ligado ao Comando Vermelho em Vila Isabel
Seis pessoas são presas, suspeitas de impor monopólio ilegal de internet ligado ao Comando Vermelho em Vila Isabel - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Polícia Civil prendeu em flagrante, na quinta-feira, seis funcionários de uma empresa de telecomunicações suspeitos de participar de um esquema ligado ao Comando Vermelho (CV) para impor o monopólio do fornecimento de internet em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio. Segundo a 20ª DP (Vila Isabel), o grupo cortava cabos de operadoras regulares e usava ameaças para obrigar moradores a contratar os serviços de uma empresa de fibra óptica.

Violência doméstica e psicológica:

Anúncio em rede social:

A investigação começou após informações de inteligência indicarem que moradores eram ameaçados para contratar exclusivamente os serviços da empresa. De acordo com os agentes, o grupo cortava sistematicamente os cabos de fibra óptica de operadoras regulares e impedia que técnicos dessas empresas realizassem os reparos necessários, deixando os clientes sem acesso à internet.

Durante a operação, os policiais apreenderam dois carros, cerca de três quilômetros de cabos e equipamentos utilizados na instalação da rede. A perícia técnica foi acionada para documentar a interrupção dos serviços e os danos à infraestrutura.

Penas distantes, corações próximos:

Os seis funcionários foram levados à delegacia e autuados em flagrante por extorsão e integração de organização criminosa.

Segundo a delegada responsável pelo caso, Camila Neves, a prática é uma estratégia recorrente do Comando Vermelho, que já atua nesse segmento no Morro dos Macacos, nas proximidades do local da operação. Segundo ela, a facção tem diversificado suas fontes de renda e explorado atividades econômicas como o comércio de gás, o fornecimento de internet e até a cobrança de aluguéis em comunidades. Essa expansão, afirma, também tem alcançado áreas do chamado asfalto, fora dos limites das favelas.

— Essa prática tem se expandido para além dos domínios das comunidades. Ela não tem ficado restrita apenas às comunidades e tem ganhado o asfalto, tem ganhado as ruas. Então, esses traficantes entram em contato com o síndico, assumem o controle de câmeras de segurança, cortam, interrompem o fornecimento de internet de outras operadoras, deixam os moradores por dias sem internet e, logo após, ingressam com o serviço de internet ligado a eles. Esse serviço de internet opera como um braço financeiro da "narcotraficância", estabelecendo um monopólio nas regiões por eles dominadas e impondo [o serviço], de modo que o morador não tenha oportunidade de escolher o prestador — explica a delegada.

Saiba quem são:

Neves ressalta que o serviço de internet não é necessariamente clandestino do ponto de vista regulatório, uma vez que a atividade é regulamentada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A ilegalidade, segundo ela, está na atuação vinculada a uma organização criminosa e na imposição do serviço por meio de práticas criminosas.

A delegada também revelou que, enquanto a nova rede era instalada, olheiros do tráfico circulavam pela região. O inquérito reúne relatos de moradores, segundo os quais um mototaxista que atuaria como olheiro da facção entrou no condomínio e fotografou áreas internas, em uma tentativa de intimidar os residentes.

R$ 250 milhões em movimentações:

Camila ainda disse que as investigações continuam para identificar os responsáveis pela coordenação da empresa e as lideranças do tráfico que seriam beneficiadas pelo esquema.

*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga