RJ em Foco

Homem apontado como operador financeiro do CV é preso no Galeão ao voltar de viagem de luxo pela Europa

Gabriel Maurício Soares Paes, o Ximba, seria ligado a núcleo de Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes da facção criminosa do Rio, afirma Polícia Civil

Agência O Globo - 09/10/2026
Homem apontado como operador financeiro do CV é preso no Galeão ao voltar de viagem de luxo pela Europa
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Policiais da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) prenderam em flagrante, na madrugada desta sexta-feira, Gabriel Maurício Soares Paes, o Ximba, pelo crime de organização criminosa. Ele foi capturado quando chegava, segundo a Polícia Civil, de uma viagem de luxo pela Europa no Aeroporto Internacional do Galeão, na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio.

Ligada ao Comando Vermelho:

Ainda de acordo com a Polícia Civil, a investigação da DRE relaciona Ximba com Nikolas Fernandes Soares, o Hurley, preso durante a megaoperação Contenção realizada em 28 de outubro de 2025. Hurley foi identificado como operador financeiro subordinado a Edgar Alves de Andrade, o Doca, um dos chefes do CV no Rio, e a Rosemberg da Silva Medeiros Gomes, o Berg, apontado como contador do Complexo da Penha, na Zona Norte da capital.

Conforme a Polícia Civil, Ximba e Hurley seriam responsáveis por dissimular valores obtidos pelo CV com o tráfico de drogas usando contas de laranjas e empresas de fachada sediadas em diferentes estados do Brasil. A atuação de Ximba, afirma a DRE, foi aprofundada a partir da análise de dados telemáticos vinculados a Hurley.

Negociações:

Segundo a Polícia Civil, Ximba e Hurley revelaram uma dinâmica habitual de transferências bancárias, uso de contas e empresas de terceiros, saques e circulação de elevadas quantias em dinheiro, além da conversão de valores em espécie em transferências bancárias. Ainda de acordo com a DRE, provas obtidas na investigação demonstram movimentações de grande expressão econômica.

Em um dos episódios, aponta a especializada, Hurley informou a Ximba que tinha R$ 700 mil em espécie — episódio em que o investigado passou a providenciar conta para a realização das correspondentes transferências. Em outro momento, a DRE afirma ter identificado comprovantes que totalizavam R$ 268.150,01 direcionados entre pessoas jurídicas. A investigação também identificou um diálogo sobre uma transação de R$ 2 milhões realizada por Ximba, destacou a DRE.

Empreendimento:

Parte do mecanismo, diz a Polícia Civil, consistia em receber ou disponibilizar dinheiro em espécie — inclusive proveniente do tráfico de drogas — e realizar a correspondente compensação por meio de PIX, transferências bancárias e contas de “laranjas” ou empresas utilizadas para circulação dos valores.

Ximba também é apontado pela Polícia Civil como chefe de uma central de golpes financeiros. A corporação destacou que há indícios de utilização de pessoas próximas a ele para recepção e circulação de recursos, inclusive sua companheira — contas vinculadas a ela podem ter sido usadas como extensão da estrutura de movimentação financeira atribuída a Ximba, inclusive com recepção de valores de empresas com características de fachada localizadas em Rondônia.