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PGE-RJ e UFRJ firmam parceria para usar inteligência artificial na cobrança de dívidas

Iniciativa visa desenvolver ferramenta para analisar 1,2 milhão de registros de dívidas de cerca de 770 mil devedores.

Agência O Globo - 08/10/2026
PGE-RJ e UFRJ firmam parceria para usar inteligência artificial na cobrança de dívidas
PGE-RJ e UFRJ firmam parceria para usar inteligência artificial na cobrança de dívidas - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A Procuradoria-Geral do Estado do Rio de Janeiro (PGE-RJ) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) firmaram, nesta quarta-feira, um acordo para desenvolver uma ferramenta que utilizará análise de dados, estatística e inteligência artificial para aprimorar a cobrança de dívidas com o estado. A iniciativa permitirá avaliar 1,2 milhão de Certidões de Dívida Ativa (CDAs), relacionadas a cerca de 770 mil devedores, entre pessoas físicas e empresas, e classificá-las de acordo com a probabilidade de pagamento e o tempo estimado para a quitação dos débitos.

O projeto, desenvolvido em parceria com o Instituto de Matemática da UFRJ, terá duração inicial de 24 meses, com possibilidade de prorrogação por igual período. A proposta é criar um sistema capaz de identificar quais créditos públicos apresentam maiores chances de recuperação, fornecendo informações para orientar as estratégias de cobrança adotadas pela Procuradoria.

A ferramenta contará com um painel interativo, integrado ao banco de dados da Dívida Ativa, que permitirá visualizar e comparar informações sobre os débitos e os perfis dos devedores. Segundo a PGE-RJ, a tecnologia servirá de apoio ao trabalho dos procuradores, sem substituir a análise jurídica individualizada nem automatizar decisões que dependam de avaliação institucional.

— Estamos dando um passo importante para tornar a gestão da Dívida Ativa cada vez mais estratégica e eficiente. A parceria com a UFRJ permitirá incorporar técnicas avançadas de análise de dados à experiência da Procuradoria, qualificando as estratégias de cobrança e ampliando as possibilidades de recuperação dos créditos públicos — afirmou o procurador-geral do estado, Bruno Dubeux.

A Dívida Ativa reúne débitos com o poder público que não foram pagos dentro do prazo e passaram a ser formalmente inscritos para cobrança. Com a nova ferramenta, a expectativa é que o estado consiga direcionar seus esforços de recuperação de créditos com base em informações mais precisas sobre a possibilidade de pagamento.

De acordo com o procurador Bruno Leite, da Procuradoria da Dívida Ativa (PG-5), o projeto permitirá aperfeiçoar a classificação dos créditos por meio de técnicas de análise de dados e estatística, além do uso de inteligência artificial quando pertinente.

— Vamos aperfeiçoar a metodologia de classificação dos créditos que estão inscritos em Dívida Ativa, com técnicas de análise de dados, estatística e, quando pertinente, inteligência artificial para identificar diferentes perspectivas de recuperação e fornecer informações mais qualificadas para a definição das estratégias de cobrança — explicou.

O desenvolvimento será conduzido por uma equipe multidisciplinar da PGE-RJ, formada por profissionais das áreas de análise de dados, jurídica e contábil, em conjunto com pesquisadores da UFRJ. A Procuradoria contribuirá com seu conhecimento sobre os créditos inscritos, os perfis dos devedores e os mecanismos de cobrança, enquanto a universidade ficará responsável por agregar conhecimentos científicos em estatística, ciência de dados e modelagem.

Durante a assinatura do acordo, o reitor da UFRJ, Roberto Medronho, destacou que a parceria busca aproximação da produção acadêmica com as necessidades da administração pública.

— Precisamos investir mais na interação com os órgãos públicos para aprimorar as políticas públicas. A junção entre o conhecimento produzido na academia e aquele construído no dia a dia pode facilitar e dar mais precisão às políticas públicas — afirmou.

Segundo o procurador-assistente da PG-5, Ricardo da Rocha, a análise do comportamento dos devedores e das características dos débitos poderá tornar mais eficiente a recuperação dos recursos devidos ao estado.