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Réus por tentativa de homicídio de homem em situação de rua com coquetéis molotov no Rio vão a júri popular

Tribunal do Júri vai julgar, em 3 de março de 2027, dois homens acusados de arquitetar crime, envolvendo um adolescente, e transmitir ao vivo em plataformas digitais

Agência O Globo - 07/10/2026
Réus por tentativa de homicídio de homem em situação de rua com coquetéis molotov no Rio vão a júri popular
Réus por tentativa de homicídio de homem em situação de rua com coquetéis molotov no Rio vão a júri popular - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Réus por planejar um ataque com coquetéis molotov contra um homem em situação de rua, Miguel Felipe dos Santos Guimarães da Silva, de 20 anos, e Gabriel Utrini da Veiga Carvalho Silva, de 24, serão julgados pelo Tribunal do Júri do Rio por homicídio qualificado, associação criminosa e corrupção ou facilitação de corrupção de menor. O julgamento está marcado para o dia 3 de março de 2027.

Membro de grupo de ódio:

O crime aconteceu em fevereiro do ano passado. Um adolescente de 17 anos atirou os coquetéis molotov contra o homem em situação de rua por volta de 1h da manhã, na Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste do Rio. O crime era filmado e transmitido ao vivo em plataformas digitais por Miguel Felipe, soldado do Exército. A vítima, Ludierley Satyro José, de 46 anos, estava dormindo no momento em que sofreu o ataque, e teve queimaduras de terceiro grau em 60% do corpo. Ele foi socorrido no Hospital Municipal Lourenço Jorge e conseguiu sobreviver.

As investigações mostram que o ataque foi motivado por um desafio lançado numa comunidade no Discord. Segundo o Ministério Público do Rio, Gabriel ofereceu R$ 2.500 para Miguel e o adolescente praticarem o crime e transmitirem online. Desse valor, R$ 250 já haviam sido repassados ao menor apreendido e ao militar preso.

'Desafio' no Discord:

Segundo a Polícia Civil, o adolescente era integrante de um grupo voltado à prática e incitação a crimes de ódio na internet. A quadrilha já vinha sendo monitorada pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav).

Miguel Felipe, de acordo com as investigações, procurava promover o crime nas redes sociais para obter aprovação e reconhecimento. Na delegacia, segundo o delegado titular da Dcav, Cristiano Maia, o militar afirmou friamente "sentir prazer em ficar na frente do computador consumindo conteúdo de violência e pornografia infantil". O militar e o adolescente participaram de grupos virtuais com conteúdos de crimes de ódio e neonazistas. Ele foi preso temporariamente em fevereiro do ano passado, e teve a prisão convertida em preventiva.

Crime brutal:

Em março de 2025, policiais da Dcav prenderam Gabriel em uma casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Três meses depois, o adolescente de 17 anos foi apreendido na cidade Camaragibe, na região do Grande Recife, em Pernambuco.

Na decisão, a juíza Lucia Mothe Glioche manteve a prisão preventiva dos acusados Miguel Felipe e Gabriel.

"Os crimes descritos na denúncia e imputados aos acusados são de extrema gravidade e geraram, na Cidade do Rio de Janeiro e, quiçá, em todo o País, grande repercussão. A transmissão, em tempo real, do crime fez com que ele chegasse ao conhecimento de muitos. A liberdade dos acusados pode repercutir negativamente na Cidade e no País, gerando a sensação de impunidade, despertando a possibilidade de que novos atos deste tipo venham a ser praticados, ao vivo e por meio de rede social, atacando pessoas que estão em situação de rua e de vulnerabilidade", diz trecho da decisão da juíza.