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‘Nikolas de saia’: conheça Julia de Castro, deputada federal mais jovem do Rio na próxima legislatura

Aos 24 anos, jovem nascida em São João de Meriti recebeu 103.880 votos no domingo. A futura parlamentar ganhou o apoio de Michelle Bolsonaro durante a campanha e vai reforçar a bancada do PL.

Agência O Globo - 07/10/2026
‘Nikolas de saia’: conheça Julia de Castro, deputada federal mais jovem do Rio na próxima legislatura
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

A família defendia o Direito como primeira opção. No entanto, ainda na adolescência, enquanto morava em Coelho Neto, na Zona Norte do Rio, Julia de Castro escreveu uma carta para si mesma: “Quero fazer História”.

Dos 46 eleitos, apenas dez são mulheres.

Apesar de envolvida em escândalos que resultaram na prisão de deputados, Julia recorda: “Escrevi essa carta aos 16 anos, e dizia também que queria fazer o bem, entrar na política. Dizia que o coração dos homens era corruptível, mas o meu não era”.

Aos 24 anos, a jovem nascida em São João de Meriti recebeu 103.880 votos no último domingo e foi eleita a deputada federal mais jovem do Rio na próxima legislatura. A futura parlamentar conquistou o apoio de Michelle Bolsonaro durante a campanha e reforçará a bancada do PL, partido ao qual se filiou há um ano e meio. Nos tempos de escola, era elogiada pela oratória e pela habilidade de defender suas ideias. Em 2021, ao iniciar os estudos em História na UniRio, começou a gravar vídeos na internet para romper o isolamento imposto pela pandemia.

“Minha mãe me incentivou a gravar para começar a expor meus pensamentos. Eu achava que precisava aprender mais. Treinei por seis meses. Fui atacada, mas precisava começar”, conta.

Com bandeiras “contra a legalização do aborto, das drogas e em favor do bolsonarismo”, Julia conquistou seguidores da direita, especialmente jovens e religiosos. No Instagram, acumula 511 mil seguidores. Na campanha, além dos votos, enfrentou uma gastrite e um processo da deputada Erika Hilton: a parlamentar do PSOL de SP impetrou uma ação na Justiça Eleitoral citando impulsionamento negativo e “viés transfóbico”.

“Ela me processou por propaganda negativa. A parlamentar usou o termo ‘pessoas que gestam’ e eu disse que achava isso errado. É apagamento da mulher. A maternidade é a única função em que a mãe é insubstituível”, defende-se Julia, que tem uma filha de 2 anos e migrou da igreja evangélica para a católica após conhecer seu marido. “Quando me chamam de ‘Nikolas de saia’, penso que o estado ansiava por gente nova na política. Me inspiro nas convicções e no vigor dele”, diz sobre as comparações com o jovem fenômeno da direita.

‘Milícia é crime organizado’
Julia de Castro defende o SUS (“com mais acesso, não como é hoje”), a universidade pública (com “mais liberdade”), o fim da escala 6x1 (“nossa legislação foi feita pelo Vargas, as pessoas têm que ganhar por hora”) e o empreendedorismo. Sobre a morte da vereadora Marielle Franco, que militava em um campo político oposto ao seu, é enfática: “Uma vereadora morreu por conta do crime organizado. É um absurdo. Para mim, é surreal. Quando penso na história da Marielle, é triste, trágico e revoltante. O que me incomoda são políticos de esquerda usarem o nome dela para palanque. Para mim, milícia é crime organizado, entende?”