RJ em Foco
Operação da PF e do MPRJ investiga policiais acusados de vender armas e vazar informações para Peixão
Agentes cumprem sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão domiciliar em diversos bairros do Rio, da Baixada, e na Costa Verde
A Operação Magen, deflagrada nesta manhã pela Polícia Federal (PF) em conjunto com o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), cumpre sete mandados de prisão preventiva e 18 mandados de busca e apreensão para desarticular um grupo criminoso especializado no comércio ilegal de armas, no vazamento de dados restritos da segurança pública, na prática de usura e na lavagem de capitais para uma facção criminosa atuante no chamado "Complexo de Israel", na Zona Norte da cidade, área de atuação do Terceiro Comando Puro (TCP) sob o comando de Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão. Dos dez investigados, cinco já foram presos, um deles em um hotel na Barra da Tijuca, segundo informações do Bom Dia Rio, da TV Globo.
Terror na via expressa:
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Agentes estão em endereços localizados em diversos bairros do Rio, como Barra da Tijuca, Copacabana, Parada de Lucas e Vila da Penha, além dos municípios de Nova Iguaçu, Mesquita, Seropédica e Nilópolis, na Baixada Fluminense, e Angra dos Reis, na Costa Verde. Estão sendo cumpridas, ainda, medidas cautelares diversas da prisão contra investigados vinculados à estrutura patrimonial e financeira do grupo, cumuladas com monitoramento eletrônico (tornozeleira).
De acordo com as investigações conduzidas pelo Grupo de Investigações Sensíveis (GISE/PF/RJ) e pelo Grupo de Atuação Especializada de Defesa da Integridade e Repressão à Sonegação Fiscal (GAESF/MPRJ), a organização criminosa mantinha um núcleo estruturado para a obtenção, transporte e revenda clandestina de material bélico. Ainda segundo as investigações, o grupo comercializava fuzis de uso restrito, revólveres, pistolas, carregadores e munições. Em uma ocasião, os investigados chegaram a fornecer dez fuzis AR-15 diretamente à principal liderança da facção criminosa que opera no Complexo de Israel.
Saiba:
As investigações mostram ainda que o grupo recebia fuzis e equipamentos policiais como forma de comissão ou pagamento pelas transações. Os criminosos contavam ainda com a atuação de agentes da segurança pública, entre eles um policial civil e um policial militar da ativa, além de ex-policiais. Esses agentes utilizavam o acesso funcional a sistemas restritos da Administração Pública, segundo os investigadores.
Conforme as apurações da PF, esses servidores consultavam e repassavam aos líderes da quadrilha informações sigilosas referentes a mandados de prisão em aberto, endereços, registros de veículos e alvos de ações policiais em andamento. Os dados de uso restrito eram explorados tanto para alertar comparsas e evitar a repressão policial, quanto para conduzir investigações clandestinas voltadas à extorsão e à obtenção de lucros ilícitos.
Análise:
As apurações da Polícia Federal revelaram que os operadores do esquema movimentaram mais de R$ 100 milhões em um intervalo de quatro anos, entre contas pessoais e de pessoas jurídicas de fachada. O montante é manifestamente incompatível com as rendas declaradas dos investigados. Os envolvidos foram denunciados pelo MPRJ e responderão pelos crimes de organização criminosa armada, comércio ilegal de armas de fogo e munições, violação de sigilo funcional, usura e lavagem de capitais, sem prejuízo de eventuais outros delitos que possam ser revelados no curso das apurações.
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