RJ em Foco
Advogada é presa suspeita de desviar dinheiro e ocultar documentos de idosa de 90 anos
Filho da vítima cobrava a devolução dos documentos havia sete anos, mas a advogada alegava que estavam guardados em caixas
Uma advogada foi presa em flagrante nesta sexta-feira, na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, por ocultação de documentos de uma idosa de 90 anos. Policiais civis da 37ª DP (Ilha do Governador) cumpriram um mandado de busca e apreensão determinado pela Justiça no apartamento dela, na Cacuia.
Jéssica Cabral Barradas mantinha em casa documentos da vítima morta havia sete anos. Segundo a polícia, a advogada já responde por 16 crimes relacionados ao patrimônio da antiga curatelada. No imóvel, os agentes encontraram a certidão de óbito e a carteira de identidade originais da idosa, que morreu em julho de 2019. Segundo a investigação, o filho da vítima cobrava a devolução dos documentos desde então, mas a advogada alegava que estavam “guardados em caixas”.
A busca foi acompanhada por representantes da OAB/RJ. O celular da advogada, que era procurado pelos policiais, foi encontrado após mais de uma hora de procura, dentro do ralo do banheiro. A suspeita é que a advogada teria escondido o telefone no local para impedir sua apreensão, autorizada pela Justiça.
Além dos documentos, foram apreendidos equipamentos eletrônicos, joias e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o filho da idosa reconheceu os talheres e um relógio como pertencentes à mãe. As peças da família já haviam sido descritas por ele em depoimento anterior.
Segundo a investigação, em 2014, Jéssica foi nomeada curadora pela Justiça e passou a administrar os interesses e o patrimônio dela. À época, ela era vizinha da vítima, que morava sozinha e recebia pensão militar e benefício do INSS. Os recursos deveriam ser utilizados em benefício da pensionista. A investigação, entretanto, identificou transferências da conta da vítima para a conta pessoal da advogada e movimentações que continuaram depois da morte.
Jéssica já responde por 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. As acusações também envolvem a suposta omissão de rendimentos nas prestações de contas sobre a administração do patrimônio.
Documentos retidos
Mesmo após sucessivas cobranças do filho da vítima, os documentos originais não foram entregues. Segundo a polícia, a advogada chegou a enviar fotografias dos papéis, indicando que sabia onde estavam, mas continuou sem devolvê-los. O herdeiro relatou que a retenção dificultou a abertura do inventário e a regularização da sucessão.
Para acionar o seguro de vida da mãe, precisou obter uma segunda via da certidão de óbito, conseguindo fazê-lo apenas em 2023, quatro anos depois. Nesta sexta-feira, os originais finalmente foram localizados pelos policiais dentro do apartamento da antiga curadora.
Os aparelhos apreendidos serão submetidos à extração de dados. Os talheres e o relógio passarão por perícia e avaliação, com posterior restituição ao filho da vítima. Após os procedimentos na delegacia, a advogada será encaminhada à Justiça. As investigações prosseguem na 37ª DP (Ilha do Governador).
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