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Rio já teve deputado preso por fraude em reforma de escola; relembre

Thiago Rangel, que renunciou ao mandato, foi alvo da 4ª fase da Operação Unha e Carne, da PF, que investigava também irregularidades em contratos no âmbito da educação

Agência O Globo - 01/10/2026
Rio já teve deputado preso por fraude em reforma de escola; relembre
Thiago Rangel

A Polícia Federal prendeu, no começo de maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) na quarta fase da Operação Unha e Carne. A ação buscava desarticular uma organização criminosa investigada por fraudes em procedimentos de compra de materiais e contratação de serviços, incluindo obras de reforma no âmbito da Secretaria estadual de Educação.

Ação policial:

Cifra bilionária:

A investigação apontou que na Educação, o esquema, segundo a PF, consistiria no direcionamento de obras de reforma em escolas públicas do Norte Fluminense — área de influência política de Rodrigo Bacellar (União), que também está preso, e Rangel — para empresas pré-definidas com integrantes da organização criminosa.

Na ocasião, a PF cumpria mandados de prisão expedidos pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra Rangel e outros seis investigados. Na decisão, Moraes destacava que a operação avançou a partir de dados extraídos de um computador apreendido na Alerj, ligado ao gabinete do ex-presidente da Casa Rodrigo Bacellar (União).

Saiba:

Entre os arquivos, foi identificada uma planilha com a relação de deputados estaduais e indicações para cargos em órgãos estratégicos do governo, com campos como “o que tem” e “o que está pedindo”. No caso de Thiago Rangel, aparecia a Superintendência Regional do IPEM em Campos dos Goytacazes — cargo cuja nomeação ocorreu dias após a data do documento, segundo a investigação.

A partir desses elementos, foram reunidas informações de diferentes investigações que embasaram os mandados de prisão desta fase.

Nota vermelha:

Segundo os investigadores, conversas extraídas do celular de Thiago Rangel e de seu operador financeiro indicavam tratativas para manipulação de licitações e articulação direta com empresários envolvidos em contratos de obras. Os diálogos fazem referência à liberação de serviços e à divisão de valores após a assinatura dos contratos, além de menções a saques em dinheiro vivo.

Em alguns trechos, há indícios de organização prévia das contratações e de repasses vinculados à execução das obras, o que, para a Polícia Federal, reforça a suspeita de desvio de recursos públicos e uso de um sistema de pagamentos paralelos.

Veja também:

Na época da prisão de Rangel, a defesa do então deputado negou a prática de qualquer ato ilícito e afirmou que prestaria todos os esclarecimentos necessários no processo. Em agosto, ele renunciou ao mandato na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).