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Operação Escola de Papel mira ex-secretária de Educação por suspeita de desvio de recursos da pasta

MPRJ e Polícia Civil cumprem 19 mandados de busca e apreensão em investigação que mira ex-cúpula da Seeduc; bloqueio de bens dos investigados chega a cerca de R$ 19 milhões

Agência O Globo - 01/10/2026
Operação Escola de Papel mira ex-secretária de Educação por suspeita de desvio de recursos da pasta
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Ministério Público do Rio (MPRJ) e a Polícia Civil deflagraram, na manhã desta quinta-feira, a Operação Escola de Papel contra uma organização criminosa. Entre os investigados estão a ex-cúpula da Secretaria Estadual de Educação (Seeduc), incluindo a ex-secretária da pasta, Roberta Oliveira, seu genro e um ex-subsecretário responsável pela área de infraestrutura. Ao todo, estão sendo cumpridos 19 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos, há também um capitão do Corpo de Bombeiros e um policial militar, além de empresários. O MP pediu o bloqueio de cerca de R$ 19 milhões em bens dos investigados.

Ex-prefeita de Magé:

Cifra bilionária:

Equipes estiveram na casa da ex-secretária, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Os agentes encontraram o imóvel vazio e arrombaram o local.

A operação está sendo coordenada pelos promotores com Atribuição Originária Criminal do procurador-geral de Justiça e pela Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro (Ciaf), da Polícia Civil. Estão sendo investigados crimes de peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Violência:

Desde quarta-feira, O GLOBO vem publicando uma série sobre a suspeita de desvio de verbas da Seeduc, em contratos sem licitação, para reformas de escolas do estado, durante a gestão do ex-governador Cláudio Castro. Investigações e auditorias apontam, inclusive, a suspeita de cartel em vários contratos num suposto esquema de cartas marcadas apontando vencedores para realizar as obras nas unidades educacionais, além da influência de políticos.

O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governo do Estado, responsável por auditar os contratos, estima que as contratações irregulares tenham alcançado R$ 1,6 bilhão entre 2023 e 2025.

Ex-policial militar:

R$ 500 mil em sacola plástica:

A investigação começou a partir de informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) ao MPRJ sobre saques frequentes em torno de R$ 500 mil, em espécie, de uma agência bancária em Duque de Caxias. Em 16 de janeiro, agentes do Ciaf, a pedido do MPRJ, acompanharam a retirada do dinheiro feita pelo administrador da empresa MCK Reformas, contratada para obras em escolas do estado. As notas estavam numa sacola plástica, transportadas em uma caminhonete blindada conduzida por um policial militar armado. Segundo os investigadores, o PM realizava a segurança do transporte dos valores.

Em depoimento aos policiais do Ciaf e aos promotores, o empresário informou que a empresa recebeu cerca de R$ 6 milhões por aproximadamente 15 obras, mas admitiu que apenas R$ 2 milhões teriam sido gastos nos serviços. Os outros R$ 4 milhões, conforme o policial, ficaram com o intermediário que organizava as contratações e controlava a conta bancária.

Biblioteca dos saberes:

O caminho do dinheiro:

De acordo com a investigação, os recursos saíam da Seeduc, passavam pelas Associações de Apoio às Escolas (AAEs) — entidades de direito privado, sem fins lucrativos, vinculadas às escolas, cujos gestores são seus diretores — e chegavam às contas das empresas contratadas para reformas. Os contratos mostravam indícios de direcionamento e valores superiores ao custo real dos serviços. Após os pagamentos, a diferença era sacada em dinheiro ou transferida para outra empresa do grupo, que também realizava saques em espécie. Segundo o MP, isso dificultava o rastreamento do dinheiro e a identificação de quem se apropria dele.

A análise dos processos de contratação e dos dados financeiros revelou que a empresa alvo recebeu cerca de R$ 19,8 milhões em dinheiro público somente em 2025. No mesmo período, R$ 8,93 milhões foram sacados em espécie.

Um homem foi preso:

Para os investigadores, a ex-secretária e o ex-subsecretário ocupavam posições estratégicas na autorização das despesas e na liberação dos recursos. A apuração também encontrou vínculos entre os responsáveis pelos saques e pelo transporte do dinheiro e pessoas próximas à antiga direção da Seeduc.

O capitão do Corpo de Bombeiros é suspeito de auxiliar na ocultação dos valores. Segundo a investigação, ele abriu e capitalizou empresas, inclusive no exterior, e realizou operações patrimoniais incompatíveis com a renda declarada.

Com a operação, o MP e a polícia buscam identificar quem recebeu o dinheiro desviado e reunir provas sobre os núcleos administrativo, empresarial e financeiro do esquema.