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Feira de São Cristóvão passará por reforma; obras têm início nesta terça-feira

Intervenções no Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas vão aprimorar estrutura, fachada, banheiros e acessibilidade

Agência O Globo - 30/09/2026
Feira de São Cristóvão passará por reforma; obras têm início nesta terça-feira
Feira de São Cristovão - Foto: TÂNIA RÊGO/AGÊNCIA BRASIL)

Iniciaram nesta terça-feira as obras de requalificação do Centro Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a Feira de São Cristóvão, localizada na Zona Norte do Rio. O custo da reforma, realizada pela Secretaria Municipal de Infraestrutura, é de R$ 10,7 milhões, com projeto desenvolvido pela Empresa Municipal de Urbanização Rio-Urbe.

As intervenções abrangem a estrutura das paredes e lajes do pavilhão, além de impermeabilização, pintura e a implantação de um sistema de para-raio. Serão reformados também os banheiros, com acessibilidade, e o espaço administrativo, além da recuperação da fachada e do letreiro. O projeto inclui ainda melhorias nas redes do sistema de esgoto e no depósito de lixo, garantindo a gestão de resíduos sólidos.

— É o início de uma grande revitalização nesse espaço importante para o desenvolvimento econômico, que gera cultura e riqueza para a cidade. Vamos começar fazendo uma recuperação estrutural no entorno dessa estrutura antiga, incluindo a recuperação dos sanitários, da questão de acessibilidade, da rede de esgoto e drenagem — explicou o secretário municipal de Infraestrutura, Wanderson Santos.

Marco da arquitetura moderna brasileira, projetado por Sergio Bernardes, o Pavilhão de São Cristóvão foi inaugurado em 1962 e concebido para abrigar a Exposição Internacional de Indústria e Comércio durante o Governo Juscelino Kubitschek. Em 2003, o espaço passou a receber a feira nordestina, que originalmente era realizada do lado de fora do pavilhão, no estacionamento em volta do Campo de São Cristóvão.

Elisabeth Oliveira, proprietária da barraca Xique-xique e viúva de Agamenom de Almeida, um dos líderes históricos dos barraqueiros, celebrou a renovação:

— É lindo estar vivendo isso aqui hoje. A união é tudo. A estrutura atual está bastante danificada e a obra vai beneficiar a todos. Todos os feirantes e o público irão ganhar com as melhorias. A feira é um patrimônio cultural — afirma Elisabeth.

O Pavilhão de São Cristóvão é um bem tombado devido à sua importância histórica, turística e cultural, abrangendo uma área de mais de 31 mil metros quadrados. A conhecida feira tornou-se uma referência na representação da cultura nordestina na cidade e um ponto turístico que atrai visitantes durante todo o ano. O gestor da Feira de São Cristóvão, Pedro Porto, destacou o potencial econômico do espaço.

— É um projeto que nasceu orgânico e autônomo do povo nordestino, celebrando esses 81 anos com a reconfiguração e o resgate desse equipamento. Este lugar possui um enorme potencial para se constituir em um espaço de economia criativa, permitindo que a comunidade nordestina mate a saudade de casa. O cuidado com a Feira de São Cristóvão impacta diretamente em mobilidade urbana, segurança pública, cultura e cidadania, tanto para o bairro de São Cristóvão quanto para a cidade do Rio de Janeiro — disse Porto.

A declaração ocorreu durante a visita do prefeito Eduardo Cavaliere ao local, no primeiro dia de início das obras. Citando o cineasta pernambucano Johathas de Andrade, autor do documentário "O Levante", Cavaliere afirmou que a Feira de São Cristóvão "precisa de um despertar":

— Nós vamos liderar um levante na Feira de São Cristóvão, um despertar. Aos poucos, vamos abrir os corredores, removendo o que deve ficar no passado e abrindo as portas para o futuro da Feira. Hoje é o primeiro passo, a pedra fundamental. Entretanto, ao longo da construção, a mudança mais profunda não será realizada com concreto ou aço. Será na governança. A Prefeitura do Rio entregará nas mãos de cada comerciante, artista e feirante o poder sobre suas próprias vidas, que é o que eles mais desejam aqui — afirmou o prefeito.