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Prisão da ex-vereadora Verônica Costa é mantida após audiência de custódia no Rio

Conhecida como Mãe Loira do Funk, empresária foi presa em Petrópolis na quinta-feira; processo tramita sob segredo de justiça

Agência O Globo - 26/09/2026
Prisão da ex-vereadora Verônica Costa é mantida após audiência de custódia no Rio
Verônica Costa (PL) - Foto: Reprodução / Instagram

A ex-vereadora e empresária Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia realizada neste sábado, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Verônica foi presa na quinta-feira, em Petrópolis, na Região Serrana. A decisão de manter a custódia foi ratificada durante a audiência, mas os fundamentos não foram divulgados porque o processo tramita sob segredo de justiça. Por esse motivo, a ata da sessão não está disponível para consulta pública.

O principal argumento da revisão é um boletim de ocorrência registrado por Verônica em 2010. No documento, ela relata ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas constantes praticadas pelo então marido, além de ameaças com arma de fogo. Segundo o registro, em um dos episódios ele teria feito uma roleta-russa apontando a arma para a cabeça da vereadora.

O boletim também afirma que o homem retirou dinheiro destinado à campanha eleitoral de Verônica, caracterizando, segundo a defesa, um episódio de violência patrimonial. A advogada de Verônica, Maíra Fernandes, destaca que a defesa não considera a reação física dos familiares da ex-vereadora uma forma legítima de solucionar o conflito, mas afirma que o episódio deve ser analisado dentro do contexto de violência e da ausência de proteção estatal existente à época.

— É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção reforçados ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época — afirmou Maíra Fernandes.

Na ocasião, a então vereadora procurou uma delegacia e solicitou uma medida protetiva de urgência. De acordo com os documentos anexados ao pedido de revisão, a proteção foi negada. A defesa sustenta que, meses depois, Verônica voltou a ser agredida e roubada pelo ex-marido.

A revisão criminal argumenta que os fatos anteriores ao episódio que levou à condenação são essenciais para a compreensão do caso. Para a nova defesa, o Judiciário deve reavaliar a decisão à luz do histórico de violência doméstica registrado pela ex-vereadora.

— O processo precisa ser analisado a partir de toda a história, e não apenas do episódio final. Meses antes, ela havia procurado o Estado, registrado as agressões e solicitado proteção. A medida protetiva não foi concedida e ela retornou ao ambiente em que dizia sofrer violência. Para esse cenário, apenas dois desfechos eram possíveis: ou Verônica seria vítima de feminicídio ou reagiria à violência de Márcio para se salvar — disse a advogada.