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Prisão da ex-vereadora Verônica Costa é mantida após audiência de custódia no Rio

Conhecida como Mãe Loira do Funk, empresária foi presa em Petrópolis na quinta-feira; processo tramita sob sigilo.

Agência O Globo - 26/09/2026
Prisão da ex-vereadora Verônica Costa é mantida após audiência de custódia no Rio
Verônica Costa (PL) - Foto: Reprodução / Instagram

A ex-vereadora e empresária Verônica Costa, popularmente conhecida como Mãe Loira do Funk, teve a prisão mantida pela Justiça após passar por audiência de custódia realizada neste sábado, em Benfica, na Zona Norte do Rio. Verônica foi presa na quinta-feira, em Petrópolis, na Região Serrana. A decisão de manter a custódia foi ratificada durante a audiência, mas os fundamentos não foram divulgados, uma vez que o processo tramita sob segredo de justiça. Por esse motivo, a ata da sessão não está disponível para consulta pública.

A ex-parlamentar foi encaminhada ao sistema prisional após sua prisão e permanece à disposição da Justiça.

De acordo com uma investigação realizada pela Polícia Civil, em fevereiro de 2011, quatro pessoas ligadas à funkeira teriam ido até a residência do casal e, a mando dela, amarrado Márcio no banheiro. Além dela, também foram presos Bruno Chaves Ribeiro, Tatiane Chaves Ribeiro Marques e Bruno Marcelo Bahia Marques. Uma quinta pessoa condenada pelo crime permanece foragida.

Verônica trocou de defesa após a decisão judicial. A advogada criminalista Maíra Fernandes, que assumiu sua representação, protocolou na última sexta-feira (25) um pedido de revisão criminal no Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), alegando que a condenação desconsiderou o histórico de violência doméstica relatado pela ex-parlamentar.

O que a defesa de Verônica alega

O principal argumento da revisão é um boletim de ocorrência registrado por Verônica em 2010. No documento, ela relata ter sido vítima de agressões físicas e psicológicas constantes praticadas pelo então marido, além de ameaças com arma de fogo. Segundo o registro, em um dos episódios, ele teria realizado uma roleta-russa, apontando a arma para a cabeça da vereadora.

O boletim também afirma que o homem retirou dinheiro destinado à campanha eleitoral de Verônica, caracterizando, segundo a defesa, um episódio de violência patrimonial. De acordo com a advogada, familiares encontraram a ex-vereadora machucada e em estado de desespero e reagiram ao presenciar a situação. A defesa ressalta que não considera a reação física dos parentes como uma solução legítima para o conflito, mas argumenta que o episódio deve ser analisado dentro do contexto de violência e da ausência de proteção estatal disponível à época.

— É muito diferente olhar para uma mulher que procurou a polícia em 2010 com os instrumentos de proteção que temos em 2026. Hoje, uma mulher que relata agressões, violência patrimonial e ameaças com arma encontra uma legislação mais detalhada e mecanismos de proteção que foram fortalecidos ao longo de 16 anos. Não podemos analisar o que aconteceu em 2010 como se toda a estrutura existente hoje estivesse disponível naquela época — afirmou Maíra Fernandes.

Na ocasião, a então vereadora procurou uma delegacia e solicitou uma medida protetiva de urgência. De acordo com os documentos anexados ao pedido de revisão, a proteção foi negada. A defesa afirma que, meses depois, Verônica voltou a ser agredida e roubada pelo ex-marido.

Sobre o crime

Em entrevista ao O GLOBO, em 2019, o ex-marido detalhou como o caso ocorreu. Segundo seu relato, ele teve os pulsos e os pés amarrados com correntes, corda e cadeado, e uma venda foi colocada em sua boca e olhos. Em seguida, ele foi agredido.

— Me bateram. Jogaram um produto químico no meu corpo. Não sei se era gasolina ou querosene. Ficaram ameaçando colocar fogo em mim. Ela ficava repetindo que eu tinha amante. Depois, disse que eu estava roubando o dinheiro dela — contou Márcio à época.

No mesmo período, o ex-marido da funkeira declarou ter deixado o Brasil por medo de novos ataques. Ele começou o relacionamento com Verônica quando ela ainda era casada com o tio dele, Rômulo Costa, da Furacão 2000. O casal ficou juntos por 11 anos e se separou após a briga. Atualmente, Rômulo e Márcio já retomar a comunicação.

Após o crime, Verônica acusou o ex-marido de ser usuário de drogas e de ter entrado em sua casa, sem consentimento, roubando diversos objetos. Em meados de março de 2011, Márcio apresentou um laudo que mostrou resultado negativo para indícios de maconha e cocaína em seu sangue. Márcio também negou ter levado objetos da residência da ex-parlamentar. Entretanto, ela sempre negou haver torturado o ex-marido.

A decisão que condenou Verônica Costa foi da 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça, após o Ministério Público recorrer da sentença em primeira instância, na qual a parlamentar havia recebido uma pena de cinco anos e dez meses.