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Governo do Rio e BNDES firmam parceria para expandir metrô, mas Couto destaca que início das obras é responsabilidade do governador eleito

Memorando prevê estudos de demanda, traçados e modelos de engenharia para as linhas 2, 3 e 4; trajeto que liga capital a Niterói está entre as opções

Agência O Globo - 25/09/2026
Governo do Rio e BNDES firmam parceria para expandir metrô, mas Couto destaca que início das obras é responsabilidade do governador eleito
Ricardo Couto - Foto: Reprodução

O Governo do Estado do Rio e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) assinaram, nesta sexta-feira, um Memorando de Entendimentos para estruturar os projetos de expansão das linhas 2, 3 e 4 do metrô na Região Metropolitana. A parceria, que também envolve a Coppe/UFRJ, não autoriza obras, mas inicia uma nova etapa de estudos técnicos que definirão demanda de passageiros, traçados, integração entre linhas e o modelo de engenharia mais viável.

Entenda:

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Entre as alternativas já analisadas para a futura Linha 3 está um trajeto com saída do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, em direção ao bairro de Gragoatá, em Niterói, por meio de um túnel subterrâneo escavado por tatuzão. O percurso, porém, é apenas uma das possibilidades e ainda poderá ser alterado conforme os levantamentos técnicos.

Ao todo, oito projetos de mobilidade vêm sendo estudados pela Coppe. As extensões das linhas 2 e 4 também farão parte da nova cooperação, mas ainda não possuem traçados definidos.

O governador em exercício, Ricardo Couto, afirmou que optou por não estabelecer prazos para o início das obras e disse que a continuidade da agenda dependerá do governador eleito, que toma posse em janeiro de 2027.

— Estamos antecipando para o próximo governo estudos e projetos de mobilidade urbana. Após as eleições, se o governador eleito assim desejar, poderemos assinar o pacto para iniciar essa agenda. Seria irresponsável assumir um compromisso dessa dimensão às vésperas da eleição — afirmou.

Segundo a superintendente da Área de Soluções para Cidades do BNDES, Luciene Machado, os estudos irão determinar não apenas o percurso das linhas, mas também onde a expansão deverá começar e qual tecnologia será adotada.

Ela explicou que o levantamento de origem e destino da população será decisivo para identificar os deslocamentos de maior demanda entre Rio, Niterói e São Gonçalo.

— Hoje não conseguimos dizer com exatidão qual será o traçado. Vamos estudar desde onde a obra deve começar até qual é a solução de engenharia mais segura e com melhor impacto econômico para o Estado.

A executiva destacou ainda que propostas antigas, como a ligação pela Ponte Rio-Niterói ou diferentes modelos de túnel sob a Baía de Guanabara, voltarão a ser avaliadas à luz das tecnologias atuais.

O coordenador dos estudos pela Coppe/UFRJ, professor Glaydston Mattos Ribeiro, afirmou que a pandemia alterou significativamente o padrão de deslocamentos na Região Metropolitana, tornando necessário atualizar todos os modelos de demanda utilizados em projetos anteriores.

— Desde 2023 verificamos uma mudança importante na forma como as pessoas se deslocam. Isso afeta diretamente o sistema de transporte. Precisamos entender essa nova dinâmica para definir o melhor traçado e atender às necessidades reais da população — explicou.

A previsão é que os estudos atualmente em andamento para a Linha 3 sejam concluídos até o fim de 2027. As análises das linhas 2 e 4 serão incorporadas ao mesmo escopo.

BNDES financiará estudos

Embora ainda não haja recursos desembolsados, o BNDES informou que financiará integralmente a contratação das consultorias responsáveis pelos estudos. O ressarcimento ocorrerá posteriormente, conforme o modelo escolhido para a implantação — obra pública ou parceria público-privada (PPP).

O secretário estadual de Fazenda, Guilherme Mercês, afirmou que a iniciativa está ligada à renegociação da dívida do Estado com o banco, processo que busca reduzir custos financeiros e abrir espaço para novos investimentos em infraestrutura.

— Os estudos serão custeados inicialmente pelo BNDES. Depois de concluídos, o Estado negociará a forma de financiamento das eventuais expansões — disse.

Além da Linha 3, a expansão da Linha 2 deverá buscar reduzir a sobrecarga da Linha 1, enquanto a Linha 4 também terá seu traçado redefinido a partir dos novos estudos, sem compromisso de aproveitar projetos ou túneis previstos em décadas anteriores.