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TRF-2 aumenta para 28 anos pena de traficante Marcelo Piloto por assassinato de jovem no Paraguai

Ex-líder do Comando Vermelho matou Lidia Meza Burgos com 53 facadas dentro de uma cela de segurança máxima na tentativa de impedir sua extradição ao Brasil; Marcelo está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, desde 2018

Agência O Globo - 23/09/2026
TRF-2 aumenta para 28 anos pena de traficante Marcelo Piloto por assassinato de jovem no Paraguai
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) aumentou para 28 anos e 1 mês de prisão a pena do traficante Marcelo Fernando Pinheiro da Veiga, conhecido como Marcelo Piloto, pelo assassinato da jovem paraguaia Lidia Meza Burgos, de 18 anos, em 2018. Apontado durante anos como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), Piloto foi condenado pelo homicídio qualificado cometido em novembro de 2018 dentro de uma penitenciária de segurança máxima em Assunção, no Paraguai. Marcelo está preso na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, desde o ano em que cometeu o crime.

A decisão reconhece que o crime foi praticado com meio cruel, dissimulação e para assegurar a impunidade de outros delitos. A nova condenação se soma às penas que o traficante já cumpria por tráfico de drogas, associação criminosa e outros crimes ligados à atuação da facção no Rio de Janeiro.

Marcelo Piloto ficou conhecido nacionalmente por ocupar um papel estratégico no Comando Vermelho. Mais do que comandar o tráfico no Complexo de Manguinhos, na Zona Norte do Rio, ele era apontado pelas autoridades como um dos principais responsáveis pela logística internacional da organização criminosa, articulando a entrada de carregamentos de cocaína, fuzis e munições vindos do exterior para abastecer comunidades dominadas pela facção.

Antes de fugir do Brasil, Piloto acumulava mais de 20 mandados de prisão. Sua ficha criminal reunia acusações e condenações por homicídios, roubos, formação de quadrilha, porte ilegal de arma de fogo, receptação, incêndio e dano ao patrimônio público.

Após permanecer cerca de uma década foragido, ele foi localizado e preso em território paraguaio no fim de 2017. A expectativa das autoridades brasileiras era de que o traficante fosse extraditado para responder pelos processos e cumprir as penas no país. No entanto, enquanto estava detido em Assunção, Marcelo Piloto passou a arquitetar uma forma de impedir seu retorno ao Brasil.

Em novembro de 2018, o traficante assassinou Lidia Meza Burgos, de 18 anos, dentro de sua cela no quartel da Polícia Nacional paraguaia. Durante uma visita, ele atacou a jovem — que trabalhava como garota de programa — sem que ela tivesse chance de defesa, desferindo 53 golpes de faca. Ela foi encontrada por policiais paraguaios com a faca cravada no pescoço.

De acordo com as investigações, o homicídio foi premeditado. O objetivo de Piloto era cometer um crime em solo paraguaio para criar um novo processo criminal e, com isso, interromper o procedimento de extradição. Pela legislação do país à época, um preso não poderia ser enviado ao exterior antes de responder e cumprir eventual pena por crimes cometidos no Paraguai.

A estratégia, porém, produziu o efeito contrário. A repercussão do assassinato levou o governo paraguaio a adotar uma medida excepcional. Apenas dois dias após o crime, as autoridades decidiram expulsar Marcelo Piloto do país, entregando-o diretamente às forças de segurança brasileiras, em vez de aguardar o trâmite tradicional da extradição.

Desde então, o traficante cumpre pena no sistema penitenciário federal brasileiro. Atualmente, ele está recolhido na Penitenciária Federal de Porto Velho, em Rondônia, considerada uma das unidades de segurança máxima do país.