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Tênis da Prada e Dolce & Gabbana, relógios e mais: polícia encontra itens de luxo na casa de chefe do CV

Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss, foi preso nesta segunda-feira por comandar um esquema de fornecimento de drogas da facção.

Agência O Globo - 22/09/2026
Tênis da Prada e Dolce & Gabbana, relógios e mais: polícia encontra itens de luxo na casa de chefe do CV
Laércio Isidoro do Nascimento Júnior

Preso durante a Operação Ícarus, Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss, tinha diversos itens de luxo em casa, em Maceió, no Alagoas. Durante a ação para prendê-lo, nesta segunda-feira, os agentes encontraram tênis da Prada e da Dolce & Gabbana, óculos da Louis Vuitton, relógios e roupas de grife. Ainda não se sabe se os produtos são originais. Segundo as investigações, Boss ocupava um papel central no esquema do Comando Vermelho (CV) para o transporte de drogas, mas teria conseguido se manter por anos longe dos inquéritos ao agir discretamente e mudar constantemente de endereço para dificultar sua localização. O esquema comandado por ele teria movimentado cerca de R$ 70 milhões, segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

A investigação sobre a movimentação de toneladas de drogas entre SP e RJ — rota considerada estratégica para o abastecimento de facções criminosas fluminenses — começou após a apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, que mesmo preso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, segue agindo como um dos chefes do CV. Entre as anotações apreendidas, os investigadores identificaram registros de contabilidade do tráfico que indicavam pagamentos realizados por My Thor a Boss.

Segundo as investigações, Laércio articulava diretamente com chefes do CV o abastecimento de comunidades. Ele também seria responsável por negociar cargas, organizar fretes e pagamentos, coordenar operadores logísticos e utilizar laranjas para movimentar dinheiro do tráfico.

Além de Boss e My Thor, foram denunciados pelo MP os policiais militares Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista, acusados de prestar apoio armado à quadrilha, além de atuar na distribuição de drogas e no recolhimento de valores. Os dois estão presos. Já os denunciados Petterson Suzuki Marques Trindade, o Pet; Rafael de Menezes Faustino, o Alemão; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira são apontados como responsáveis pela logística, pelo transporte e por cobranças.

Duas apreensões de drogas estão relacionadas à organização criminosa. Em 2 de fevereiro de 2024, foram apreendidos 715,7 quilos de cocaína e de maconha em Guarulhos (SP). Em 31 de maio do mesmo ano, policiais apreenderam outros 73,8 quilos de cocaína em Seropédica, na Baixada Fluminense. Os elementos reunidos durante a investigação indicam que as duas cargas estavam inseridas na mesma dinâmica de transporte interestadual de entorpecentes.

A investigação também identificou o uso de empresas dos setores de transporte e logística para ocultar e viabilizar o envio de drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro.

No braço financeiro da organização, foram identificadas operações consideradas atípicas envolvendo investigados e pessoas jurídicas, possivelmente usadas para a ocultação e dissimulação de valores. As movimentações comunicadas às autoridades alcançaram R$ 70.497.597 em curto período.

Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Operação Ícarus cumpre outras medidas judiciais destinadas à apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos, valores, veículos e demais elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.

A ação tem à frente o Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC/CGPOL) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), da Polícia Civil do Rio. Equipes do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), da Corregedoria da Polícia Militar, da Polícia Penal e das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas atuam em apoio.