RJ em Foco
Esquema de distribuição de drogas de Boss e My Thor, chefes do CV, no eixo SP-Rio é alvo de operação
Quinze integrantes da quadrilha foram denunciados pelo Ministério Público; traficante e PM foram presos
A Polícia Civil e o Ministério Público estadual (MPRJ) deflagraram, nesta terça-feira, a Operação Icarus, para desarticular um dos principais canais de fornecimento de drogas do Comando Vermelho de São Paulo para o Rio de Janeiro, que movimentou R$ 70 milhões. São cumpridos 15 mandados de prisão e outros de busca e apreensão nos estados do RJ, São Paulo, Minas Gerais e Alagoas. Até o momento, seis suspeitos foram capturados, entre eles está o principal alvo da ação, Laércio Isidoro do Nascimento Júnior, conhecido como Boss, apontado como um dos chefes da facção. Ele, que atuaria como fornecedor de entorpecentes e articulador central da estrutura criminosa, foi localizado em Maceió (AL).
A investigação sobre a movimentação de toneladas de drogas entre SP e RJ — rota considerada estratégica para o abastecimento de facções criminosas fluminenses — começou após a apreensão de anotações de Marcos Antônio Pereira Firmino da Silva, o My Thor, que mesmo preso no Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná, segue agindo como um dos chefes do CV. Entre as anotações apreendidas, os investigadores identificaram registros de contabilidade do tráfico que indicavam pagamentos realizados por My Thor a Boss.
Segundo as investigações, Laércio articulava diretamente com chefes do CV o abastecimento de comunidades. Ele também seria responsável por negociar cargas, organizar fretes e pagamentos, coordenar operadores logísticos e utilizar laranjas para movimentar dinheiro do tráfico.
Além de Boss e My Thor, foram denunciados pelo MP os policiais militares Claudio Tavares da Silveira e Diego Portella Batista, acusados de prestar apoio armado à quadrilha, além de atuar na distribuição de drogas e no recolhimento de valores. Já os denunciados Petterson Suzuki Marques Trindade, o Pet; Rafael de Menezes Faustino, o Alemão; Renato Ivo de Oliveira; e Felipe Santos de Oliveira são apontados como responsáveis pela logística, pelo transporte e por cobranças.
Segundo o delegado Alexandre Capote, que está à frente da Corregedoria Geral da Polícia Civil (Cgpol), um policial civil também é investigado por fazer parte do esquema.
— O policial civil tinha um papel muito importante no núcleo financeiro desse grupo criminoso. Ele era o responsável por ocultar os valores auferidos pela organização criminosa com a mercancia ilícita de entorpecentes — disse ele, em entrevista ao Bom Dia Rio, da TV Globo.
Foi a partir da identificação desse agente que, de acordo com o telejornal, a polícia chegou às anotações de My Thor e à ligação do traficante com Boss.
Também ao Bom Dia Rio, o promotor Décio Alonso, disse que os PMs eram do núcleo operacional da criminosa:
— Eles faziam a supervisão da entrega de cargas, a escolta de figuras do mundo criminoso e forneciam a segurança armada quando necessária.
Ele destacou que essa é uma investigação pioneira da Corregedoria da Polícia Civil porque identificou um chefe do CV que até agora passava despercebido pelas autoridades de segurança do Rio.
— O Laércio era capaz de mover grandes quantidades de dinheiro. E esse volume agora está sendo apurado por uma investigação patrimonial específica dentro desse crime de lavagem de dinheiro — destacou Alonso.
Duas apreensões de drogas estão relacionadas à organização criminosa. Em 2 de fevereiro de 2024, foram apreendidos 715,7 quilos de cocaína e de maconha em Guarulhos (SP). Em 31 de maio do mesmo ano, policiais apreenderam outros 73,8 quilos de cocaína em Seropédica, na Baixada Fluminense. Os elementos reunidos durante a investigação indicam que as duas cargas estavam inseridas na mesma dinâmica de transporte interestadual de entorpecentes.
A investigação também identificou o uso de empresas dos setores de transporte e logística para ocultar e viabilizar o envio de drogas entre São Paulo e Rio de Janeiro.
No braço financeiro da organização, foram identificadas operações consideradas atípicas envolvendo investigados e pessoas jurídicas, possivelmente usadas para a ocultação e dissimulação de valores. As movimentações comunicadas às autoridades alcançaram R$ 70.497.597 em curto período.
Além dos mandados de prisão e de busca e apreensão, a Operação Icarus cumpre outras medidas judiciais destinadas à apreensão de aparelhos eletrônicos, documentos, valores, veículos e demais elementos que possam contribuir para o avanço das investigações.
A ação tem à frente o Serviço de Investigações Complexas da Corregedoria-Geral (SIC/CGPOL) e da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte), da Polícia Civil do Rio. Equipes do Departamento Geral de Polícia Especializada (DGPE), da Corregedoria da Polícia Militar, da Polícia Penal e das polícias civis de São Paulo, Minas Gerais e Alagoas atuam em apoio.
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