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Veja a previsão do tempo para a primavera, que começa nesta terça: temperaturas devem ficar elevadas

Calor, vento e chuva: extremos climáticos devem avançar pela nova estação que está chegando

Agência O Globo - 22/09/2026
Veja a previsão do tempo para a primavera, que começa nesta terça: temperaturas devem ficar elevadas
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após intermináveis dias de chuva, o último fim de semana do inverno foi de sol e temperaturas elevadas, acima dos 35°C — mas a felicidade durou pouco. Ontem, nova reviravolta: o amanhecer trouxe céu nublado e vento forte, que provocou quedas de árvores em alguns pontos da cidade. Essa montanha-russa meteorológica deve avançar pela primavera, que começa às 21h05 de hoje. As típicas paisagens floridas prometem dividir as atenções com os efeitos do El Niño no Hemisfério Sul, trazendo mudanças climáticas que já começaram a se manifestar, mas poderão se intensificar pelos próximos três meses.

Aviso:

Antigo Hotel Glória:

A ventania de ontem atingiu 77 km/h às 7h30, no Vidigal, espalhando galhos pelas calçadas e até derrubando árvores, em locais como a Rua Macedo Sobrinho, no Humaitá. À noite, perto das 20h15, a Defesa Civil disparou alerta já para a madrugada e avisou: “Terça com frente fria, chuva forte, ventos e raios. Emergência ligue 199 e 193”. Instabilidades à parte, a temperatura segue elevada. É esse o padrão que, potencializado pelo El Niño, deve se repetir daqui para frente.

— Como é uma estação de transição, a primavera é naturalmente mais complexa. Mantém alguns padrões típicos do inverno, associados aos do verão. Como esses fenômenos se juntam, acabam gerando o que a gente chama de eventos de curtíssimo prazo, que se formam com poucas horas de antecedência — explica o meteorologista Fabio Hochleitner, pesquisador do Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe/UFRJ.

O especialista se refere a chuvas e ventos que chegam — e vão embora — quando menos se espera. Essa instabilidade, segundo o pesquisador, requer preparação prévia do poder público para dar uma resposta imediata.

Confusão no Fundão:

— É preciso estar preparado para tomar providências com a devida agilidade — diz Hochleitner, acrescentando que, mais perto do verão, fenômenos locais e de curto prazo exigem monitoramento maior e contínuo, para que a população seja avisada com rapidez e no tempo hábil.

Temperaturas em alta

As projeções climáticas indicam temperaturas acima do esperado ao longo dos próximos meses. A média máxima para a primavera, que costuma ser em torno de 28°C, pode subir para algo perto de 30°C, segundo meteorologistas. Aqui não estão sendo considerados extremos, como os do Alto da Boa Vista, onde as marcas dos termômetros são mais amenas, nem os dos bairros da Zona Oeste, onde são mais altas. A possibilidade de ondas de calor também não está descartada.

A mudança brusca de tempo de anteontem para ontem e o que está previsto para hoje dão uma pista do que podemos aguardar nos próximos três meses, segundo o meteorologista Cesar Soares, do Climatempo. Ele explica que o encontro de massas de ar quente e de ar frio faz dias de calor darem lugar, em poucas horas, a ventos fortes, temporais e quedas de temperatura.

— A frente fria provoca choques de massas de ar. É o que está acontecendo com o Rio hoje (ontem) e é comum na primavera. Existe a possibilidade de ventanias, e é importante que a população fique atenta — reforça Soares.

‘Sempre sonhei estar nesse lugar’:

Especialista no estudo de desastres, o professor Leandro Torres Di Gregorio, do Departamento de Construção Civil da Escola Politécnica da UFRJ, afirma que os efeitos de um El Niño mais intenso demandam preparação mais efetiva das defesas civis. Com relação à possibilidade de ondas de calor, ele lembra que a prefeitura do Rio desenvolveu protocolos específicos e está bem preparada para enfrentar as situações por vir. Mas há muito com o que se preocupar.

— Em relação às chuvas e às ameaças de deslizamento de terra e inundações, cada localidade precisa elaborar ou colocar em ação protocolos que já deveriam ter sido treinados e estabelecidos numa fase anterior de preparação. Novamente, o Rio de Janeiro tem protocolos bem definidos de alertas de deslizamentos, com utilização de sirenes. Nos casos das inundações, também está avançando — diz o professor, que coordena um projeto desenvolvido pela prefeitura do Rio em conjunto com a UFRJ e a PUC-RJ, e com patrocínio da organização C40 Cities.

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A iniciativa, segundo ele, é destinada a desenhar um sistema de alerta de inundações inovador para a cidade, de acordo com as necessidades da população.

— Também trabalhamos com núcleos comunitários em que a gente organiza os moradores para responder às emergências em articulação com a Defesa Civil e outras secretarias — explica, acrescentando que um projeto-piloto deve ser desenvolvido na região da bacia do Rio Acari, particularmente sujeita a enchentes, já no próximo verão.

Impactos na floração

As mudanças bruscas afetam também uma característica típica da estação, que é a floração das plantas. Izar Aximoff, biólogo e doutor em botânica, explica que, antes mesmo de a primavera se iniciar, as plantas já começaram a sentir os efeitos do chamado Super El Niño.

Segundo Izar, é a chuva que dispara o gatilho da floração. O normal, explica o biólogo, é que o inverno seja mais seco — o que não aconteceu este ano. Com a antecipação da temporada das águas, as flores chegam mais cedo também.

Na Zona Sul:

— Como a gente teve no inverno uma quantidade de chuva cinco vezes maior do que a de outros anos, desregulou-se a rotina de muitas plantas que floresciam no início ou no meio da primavera.

A grande quantidade de chuva fora do período adequado pode resultar, no caso de alguns cultivos, como o do café, por exemplo, em florações fora de época ou duas florações no mesmo ano, explica o botânico.