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Aluno relata agressão e homofobia que sofreu com o namorado após festa em prédio da UFRJ

Caso aconteceu na saída de um evento chamado “Pizzada”, por volta das 23h da última sexta-feira

Agência O Globo - 21/09/2026
Aluno relata agressão e homofobia que sofreu com o namorado após festa em prédio da UFRJ
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Após um episódio anterior de agressão, um aluno relata mais um caso de violência, desta vez na Cidade Universitária. Um casal usou as redes sociais para denunciar ter sido agredido e vítima de homofobia após uma festa no prédio da Reitoria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). O caso ocorreu na saída do evento chamado “Pizzada”, por volta das 23h da última sexta-feira. As vítimas fizeram um relato nas redes sociais e também publicaram fotos dos machucados provocados pelo ato de violência. Em nota, a universidade informou que a festa não foi autorizada pela administração e que ainda não recebeu uma denúncia formal sobre o caso.

‘Sempre sonhei estar nesse lugar’:

Após idas e vindas:

O vídeo sobre o ocorrido foi postado pelas próprias vítimas: o estudante de doutorado Guilherme Couto, de 34 anos, e o modelo Pablo Dominguez, de 26. Segundo Couto, a violência ocorreu em dois episódios. Eles afirmaram que estavam saindo da festa quando, próximo à escada, um homem esbarrou em Couto.

— A primeira abordagem começou quando um rapaz veio andando na minha direção e esbarrou bruscamente no meu braço. Na hora, eu fiquei desconfiado, achando que poderia ser uma distração para alguém nos furtar, mas ele começou a provocar e perguntar se eu queria brigar — contou.

De acordo com Dominguez, o homem provocou Couto usando xingamentos de cunho homofóbico.

— Quando ele esbarra no Guilherme, já fala: “Quer apanhar, viadinho?”. Então ele já estava com a intenção de começar uma briga — explicou.

Segundo Couto, demorou até que ele percebesse que estava sendo agredido.

— Achei até que era uma brincadeira ou deboche, porque a gente demora a entender o que está acontecendo. Foi quando, de repente, me percebi no chão, tomando vários chutes.

Couto contou que havia cerca de cinco pessoas ao redor dele, chutando e agredindo o estudante enquanto ele estava no chão.

Segundo eles, apenas após a agressão escalonar, outras pessoas apareceram para tentar impedir a violência. Após a briga, o casal conseguiu se recompor, mas acabou encontrando novamente o grupo no caminho de volta para casa. Couto afirmou que, enquanto esperava no ponto de ônibus para ir embora, viu pessoas que supostamente participaram da agressão e confrontou um dos homens que estavam por ali.

— Eu não queria ser vítima. Eu fui até lá para identificar quem eles eram e filmar. Mas, quando eu confronto um deles, eles se exaltam. Eu consigo acertar um soco no rapaz, mas depois nós fomos jogados no chão e começou toda a confusão, uma briga mais generalizada.

De acordo com o casal, o caso foi registrado na polícia e eles passaram por exame de corpo de delito. Couto revelou que, além de ser aluno, é professor da UFRJ e esperava se sentir seguro dentro do prédio. Apesar disso, afirmou não saber se a universidade poderá tomar alguma providência, visto que não há provas de que os envolvidos sejam estudantes da instituição.

— Não temos como saber se eram alunos. O que me conforta é que, em razão de uma mordida que eu levei, os legistas conseguiram registrar a questão da arcada e talvez pelo menos um dos agressores possa ser identificado. Isso me dá esperança — contou.

No vídeo publicado nas redes sociais, Couto também expressou sua tristeza por ter sido vítima de violência em um ambiente universitário:

“Achamos ainda mais triste o fato de estarmos em um local que esperamos ser seguro, onde buscamos proteção. Eu sou não só aluno da instituição, mas também professor, e isso pesa: saber que não estamos em um lugar seguro como esperávamos”, afirmou no vídeo.