RJ em Foco
Marcha Trans & Travesti reúne participantes no Centro do Rio
Quinta edição do evento teve serviços de saúde e atendimento para retificação civil, além de apresentações de Bixarte e Linn da Quebrada
A quinta edição da Marcha Trans & Travesti do Rio de Janeiro foi realizada neste sábado (19), na Rua da Quitanda, no Centro do Rio. O evento contou com serviços públicos, apresentações musicais e discursos de organizadores e participantes sobre questões relacionadas à população trans e travesti.
Durante a tarde, a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro disponibilizou uma van para atendimento de retificação civil. O serviço permite a alteração do nome e do gênero nos documentos oficiais.
Nerissa Iolanda de Alencar Gomes, de 23 anos, moradora de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, participou do atendimento.
— Ter a identidade com meu nome significa uma prova da minha existência contra as pessoas que dizem que eu não existo. Eu vou poder acordar e dizer que sou a Narissa, de fato — afirmou.
A Secretaria Municipal de Saúde também esteve presente com a Vanbora, que ofereceu testes rápidos para ISTs.
Os irmãos gêmeos Juca Maia e Sofia Maia, de 21 anos, participaram pela primeira vez da Marcha. Depois de realizarem o teste, acompanharam a programação musical.
— Nossa comunidade é muito excluída. Ter um espaço para que a gente possa se encontrar e celebrar a nossa existência é muito importante — disse Juca Maia, homem trans.
Programação musical
Parte da programação ocorreu no Queerioca, espaço voltado ao público LGBTQIA+. Entre as atrações estava a cantora Bixarte, que se apresentou na sacada do local.
— Estar na Marcha do Rio de Janeiro, sendo uma travesti da Paraíba, significa para mim que é necessário ocupar todos os territórios, levar a cura através da música e formar uma geração disposta a não cair. O Rio tem uma energia que atravessa meu axé e é sempre uma emoção diferente cantar aqui — afirmou Bixarte.
Gab Van, fundador da Marcha Trans & Travesti e da Liga TransMasculina João W. Nery, também falou durante o evento. Em seu discurso, destacou as reivindicações relacionadas a direitos e cidadania.
— As pessoas estão aqui para afirmar e reafirmar as nossas existências. Para dizer: nenhum direito a menos. Queremos mais respeito. Mais cidadania — disse.
Na sequência, o ativista afirmou:
— Estamos aqui, em milhares de nós, na Marcha Trans & Travesti do Rio de Janeiro, fazendo história e gritando para quem quiser ouvir que não há força reacionária que irá nos parar. A força da nossa ancestralidade é muito maior.
Linn da Quebrada
A programação musical também teve a participação de Linn da Quebrada. A artista apareceu na sacada do Queerioca e, posteriormente, desceu para a rua e continuou a apresentação no palco.
Linn falou ainda sobre sua relação com o Rio de Janeiro e lembrou que, há dez anos, realizou na cidade as fotos de seu álbum de estreia, "Pajubá", na Casa Nem, apresentada no material do evento como abrigo e espaço de direitos para pessoas trans e travestis.
— O show foi lindo. O público carioca sempre entrega muito. Eu tenho uma história de amor com o Rio. Foi nessa cidade, há dez anos, que eu fiz as fotos do meu álbum de estreia, Pajubá, na Casa Nem (abrigo e casa de direitos para pessoas trans e travestis). Eu amo estar aqui e foi muito especial cantar na Marcha Trans & Travesti pelo direito de viver e de sonhar.
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