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Estação de tratamento de esgoto é inaugurada em Queimados e deve reduzir poluição no Guandu
Unidade atenderá Queimados e Japeri e integra plano de saneamento na Baixada Fluminense, com meta de ampliar conexões para 90% até 2027
Após 18 meses de obras, foi inaugurada na manhã desta segunda-feira a primeira Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Queimados, na Baixada Fluminense. Anunciado em 2023, o projeto deve tratar os descartes de cerca de 270 mil pessoas em Queimados e Japeri, dois dos municípios que mais são avaliados para a poluição da Bacia do Guandu, responsável gerencial pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Construída pela Águas do Rio, por meio do programa Saneamento para Todos, do Ministério das Cidades, a unidade terá capacidade para tratar até 51 milhões de litros de esgoto por dia. A estação, instalada em uma área de 38,4 mil metros quadrados próxima ao Rio Guandu, recebeu investimento de R$ 172,8 milhões pelo Novo PAC, no âmbito do Programa Saneamento para Todos, com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
A manifestação ocorre na mesma semana em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpre agenda no Rio de Janeiro para anunciar uma série de medidas externas ao estado. Entre eles estão a adesão do Rio ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), a autorização para início de obras e a entrega de empreendimentos de urbanização e saneamento por meio do Novo PAC Periferia Viva – Urbanização de Favelas. Também está prevista a estreia da primeira etapa da nova Serra das Araras.
O investimento total previsto para a região é de R$ 640 milhões. O projeto contará com 700 milhas de redes coletoras, 13,2 milhas de coletores-tronco e mais de 60 estações elevatórias. Segundo o presidente da Águas do Rio, Anselmo Leal, a iniciativa busca reduzir a vulnerabilidade social em áreas historicamente carentes de saneamento básico.
— A gente vai investir R$ 640 milhões em toda aquela bacia: Japeri, Queimados e um pedaço de Nova Iguaçu. Tem bastante trabalho ali para as pessoas começarem a reverter esse abismo social enorme, que é a vulnerabilidade das regiões mais pobres, que também não têm nenhum tipo de saneamento básico — afirmou.
A região, que até então não contava com sistema de tratamento de esgoto, é uma das principais fontes de poluição que chega à Bacia do Guandu. Os projetos de Japeri, Queimados e Nova Iguaçu, lançados diretamente nas redes pluviais in natura, representam 60% dessa carga poluidora.
A obra é uma das contrapartidas da privatização da Cedae, realizada em agosto de 2021. Na época do anúncio do projeto, a notificação informou que a evitar iniciativa o despejo diário, na Bacia do Guandu, de um volume equivalente a 20 piscinas olímpicas de esgoto.
30% desconectado
Segundo Anselmo Leal, 30% da área atendida em Queimados e Japeri já está conectada à estação de tratamento. A meta é atingir 90% da população até o final de 2027. O cronograma é acompanhado pela agência reguladora e pelo Ministério Público.
De acordo com o presidente da Águas do Rio, o novo modelo de construção permite que os módulos de 200 litros por segundo sejam ampliados conforme novas redes realizadas. Em obras anteriores, segundo ele, equipamentos não eram conectados especificamente, o que comprometia a expansão e a operação plena dos sistemas.
— Diferente do que se viu no passado, a nossa estação é modular. A gente tem espaço para crescimento. Serão módulos de 200 litros por segundo, expandidos conforme as novas conexões. A boa notícia é que, desde que chegamos ao Rio de Janeiro, já tiramos 130 milhões de litros de esgoto da Baía de Guanabara por dia. Como fizemos isso? Ligando equipamentos que estavam abandonados, que ninguém se conectou no passado — destaque.
Leal afirma que esse é um dos pontos considerados pela especificação para evitar a repetição de cenários em que as estações de tratamento foram construídas, mas não operaram completamente. Segundo ele, o marco principal ocorreu em 2024, quando a estação foi incluída no financiamento. O processo também envolveu etapas anteriores de licenciamento e elaboração de projetos.
— Em três anos, ter uma estação para três cidades aprovada e construída é um tempo bem possível. Acho que até que, se as pessoas fizerem um comparativo com outros investimentos em saneamento no Brasil, parece rápido — pontudo.
Outros municípios
A Estação de Tratamento de Esgoto de Queimados recebe os jatos da região de Queimados e Japeri. Sobre os demais municípios da Baixada Fluminense, como São Gonçalo e Duque de Caxias, o presidente da Águas do Rio afirma que há investimentos e obras em andamento.
Em São Gonçalo, segundo ele, estão sendo executados projetos importantes de esgotamento sanitário, incluindo a construção de coletores de tempo seco — sistema projetado para interceptar esgoto de ligações clandestinas que deságuam em galerias de águas pluviais. Leal também destacou a ampliação da capacidade da estação já existente no município.
— Dobramos a capacidade da estação São Gonçalo. Ou seja, já existia uma unidade lá e nós ampliamos a capacidade de tratamento dela — ressaltou.
O presidente da concessionária acrescentou que há uma estação sendo construída pelo governo do estado, prevista no contrato de concessão. Sobre a Baixada Fluminense como um todo, Leal afirma que as ETEs Sarapuí e Pavuna terão papel central no sistema regional de tratamento.
— O saneamento é uma jornada, que começou com o contrato de concessão celebrado em 2021 e que, até 2033, vai abranger toda a região metropolitana, resolvendo de forma estrutural o esgotamento sanitário. É um processo paulatino: todo dia a gente vai ligando uma casa nova, até equacionar esse problema no Rio de Janeiro. Até o final de 2027, é provável que haja uma melhoria importante no Rio Guandu, na qualidade da água, com o avanço do tratamento do esgoto. Isso vai acontecer na Baixada inteira, até refletir na qualidade ambiental da Baía de Guanabara — concluiu.
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