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'Ele me afundava na piscina até eu encostar no chão', relata filha de ex-namorada de Jairinho em depoimento

Jovem contou ao júri que sofreu agressões físicas e episódios de afogamento quando tinha 5 anos; mãe diz que filha carregou culpa pela morte de Henry Borel: 'Achava que, se tivesse falado antes, isso não teria acontecido'

Agência O Globo - 08/06/2026
'Ele me afundava na piscina até eu encostar no chão', relata filha de ex-namorada de Jairinho em depoimento
- Foto: Reprodução / Agência Brasil

Um dos depoimentos mais impactantes do julgamento que condenou o ex-vereador Jairinho pela veio de uma jovem que, anos antes da tragédia, afirma ter sido vítima de agressões semelhantes às atribuídas ao padrasto do menino. De acordo com informações exclusivas relacionadas ao julgamento divulgadas pelo Fantástico na noite deste domingo (7), o relato de Kaylane, hoje com 18 anos, foi apontado no plenário como uma das peças que ajudaram a sustentar a condenação de Jairinho a 43 anos e nove meses de prisão por homicídio, tortura e coação.

Confira a programação:

Uma década de VLT:

Filha de uma ex-namorada do ex-vereador, Kaylane prestou depoimento ao júri sobre episódios ocorridos quando tinha apenas 5 anos de idade. Em um dos trechos mais fortes do julgamento, ela descreveu situações que teriam acontecido durante passeios com Jairinho para motéis.

— A gente ia para esses lugares e lá ele me dava como se fossem socos na cabeça. Ele falava que eram "mocas". Apertava meu braço muito forte — contou.

A jovem relatou ainda um episódio que chamou a atenção dos jurados por lembrar a dinâmica de violência e sofrimento descrita em outras acusações contra o ex-vereador.

— Tinha uma piscina. Ele ficava me afundando até eu encostar no chão. Me soltava, eu respirava, e ele me afogava de novo com o pé dele me empurrando. Até o chão, várias vezes — afirmou.

Segundo Kaylane, as agressões vinham acompanhadas de ameaças para que ela não contasse nada à mãe.

— Ele falava que, se eu falasse para minha mãe, ela ia ficar muito triste.

A mãe da jovem, Natasha Machado, também depôs no julgamento e afirmou que só descobriu o que havia acontecido cerca de um ano após o fim do relacionamento com Jairinho. Segundo ela, a filha nunca havia revelado os episódios de violência.

— Ela estava assistindo a um programa sobre violência infantil com a minha mãe e começou a chorar. Falou que ele fazia isso com ela. Ela falou que ele batia na cabeça dela, torcia o braço dela. Às vezes, quando eu ia fazer unha, ele tirava ela do brinquedo e batia nela no carro — relatou Natasha.

Questionada pela juíza sobre o sentimento que guarda do ex-companheiro, Natasha respondeu de forma direta:

— De medo.

Culpa após a morte de Henry

Os depoimentos revelaram ainda o impacto provocado pela morte de Henry Borel na vida de mãe e filha. Natasha contou que as duas descobriram pela imprensa os indícios de que o menino havia sido assassinado. Naquele momento, segundo ela, Kaylane passou a acreditar que poderia ter evitado a tragédia se tivesse denunciado as agressões sofridas anos antes.

— Ela entrou correndo para dentro de casa. Eu fui atrás e perguntei o que tinha acontecido. Ela falou: "Foi a gente. Foi porque eu não fiz nada. A culpa é minha" — recordou Natasha.

As duas choraram juntas. Segundo a ex-namorada de Jairinho, foi naquele momento que decidiu procurar a família de Henry.

— Eu falei para ela que a única coisa que eu podia fazer era procurar o pai do menino e dizer para ele não desistir.

A própria Kaylane relatou aos jurados o sentimento que carregou desde então.

— Quando a gente descobriu, eu me senti muito culpada, porque achei que, se a gente tivesse feito alguma coisa, se tivesse falado, não teria chegado ao que chegou.

Mães falam em alívio após condenação

Após a condenação de Jairinho, mulheres que tiveram filhos apontados como vítimas do ex-vereador afirmaram sentir alívio com o resultado do julgamento. Como mostrou O GLOBO, .

O Conselho de Sentença acolheu a tese do Ministério Público de que Jairinho submeteu Henry a agressões sucessivas que culminaram na morte do menino em março de 2021. Na sentença, a juíza Elizabeth Machado Louro afirmou que o ex-vereador demonstrou uma "personalidade insidiosa" e destacou a extrema violência empregada contra a criança.

Embora os jurados tenham condenado Jairinho pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo, a defesa já anunciou que recorrerá da decisão.

O caso também continua gerando controvérsia em relação à situação de Monique Medeiros. A mãe de Henry recebeu perdão judicial após os jurados desclassificarem a acusação de homicídio doloso para culposo. .