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Referência no Rio, Clínica da Dor da Uerj pode ganhar versão nacional

Proposta em tramitação na Câmara prevê criação de unidades especializadas em hospitais universitários federais, tendo como referência experiência do Hospital Pedro Ernesto, no Rio

Agência O Globo - 07/06/2026
Referência no Rio, Clínica da Dor da Uerj pode ganhar versão nacional
- Foto: Reprodução

Em funcionamento no quinto andar do Hospital Universitário Pedro Ernesto, em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio, a Clínica da Dor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) tornou-se referência nacional no atendimento a pacientes com dor crônica. Um campo ainda pouco estruturado no sistema público de saúde, mas agora, a experiência fluminense pode servir de modelo para uma política pública de alcance nacional.

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O deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ) apresentou na Câmara dos Deputados o Projeto de Lei 5.978/2025, que propõe a criação de Clínicas da Dor em todos os hospitais universitários federais do país. A iniciativa busca ampliar o acesso a um tratamento especializado para milhões de brasileiros que convivem diariamente com dores persistentes, entre eles pacientes diagnosticados com fibromialgia, condição que afeta principalmente mulheres.

A proposta surge em um cenário em que as doenças relacionadas à dor crônica estão entre as principais causas de afastamento do trabalho. As lombalgias, popularmente conhecidas como dores na região lombar, estão entre os problemas de saúde que mais geram concessão de benefícios previdenciários.

Somente em 2025, a dorsalgia liderou pelo terceiro ano consecutivo o ranking de afastamentos registrados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Segundo especialistas, a falta de serviços especializados faz com que muitos pacientes percorram diferentes unidades de saúde em busca de diagnóstico e tratamento, sem que haja integração entre os profissionais responsáveis pelo acompanhamento.

— Nosso objetivo é prontificar um local que forneça um atendimento multidisciplinar a essas pessoas, que muitas vezes enfrentam viagens e mais viagens com dores para serem atendidas em locais diferentes, por profissionais que não conversam entre si. A clínica da dor acaba com esse problema, porque essa dor é invisível, mas real — afirma Hugo Leal.

Clínica da Dor da Uerj

A Clínica da Dor da Uerj, coordenada pelo médico e professor Nivaldo Ribeiro Villela, reúne uma equipe multiprofissional formada por médicos especializados em dor, reumatologistas, neurologistas, fisioterapeutas, psicólogos, enfermeiros, terapeutas ocupacionais, farmacêuticos, nutricionistas e assistentes sociais.

O modelo adota uma abordagem biopsicossocial, que considera não apenas os aspectos físicos da doença, mas também os impactos emocionais e sociais causados pela dor persistente. O objetivo é reduzir limitações funcionais, melhorar a qualidade de vida e promover a reinserção dos pacientes em suas atividades cotidianas.

A proposta em análise no Congresso prevê que o governo federal apoie a implantação e manutenção das futuras unidades por meio de repasses financeiros, convênios, assistência técnica e programas de capacitação profissional. O texto também estabelece que o atendimento seja baseado em protocolos clínicos fundamentados em evidências científicas.

Além do diagnóstico e do tratamento da dor, as clínicas deverão oferecer programas de reabilitação funcional, acompanhamento psicossocial e monitoramento contínuo dos pacientes.

Para o parlamentar, a ampliação desse tipo de serviço pode trazer benefícios que vão além da saúde física. Segundo ele, a dor crônica frequentemente está associada a quadros de ansiedade, depressão e isolamento social.

— A recuperação dessas pessoas significa a manutenção de sua dignidade. Um dos maiores problemas que se abatem sobre quem sofre com dor crônica é a depressão, pois a pessoa fica impossibilitada de viver a vida por causa das dores — afirma.

O Projeto de Lei 5.978/2025 tramita na Câmara dos Deputados e já foi encaminhado para análise das comissões de Educação, Saúde, Finanças e Tributação e Constituição e Justiça e de Cidadania. Caso seja aprovado, poderá transformar uma iniciativa consolidada no Rio em uma rede nacional voltada ao cuidado de pacientes que hoje enfrentam dificuldades para encontrar atendimento especializado.