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Piscina principal do Copacabana Palace fecha para obras e ‘black pool’ é liberada

O prédio que atualmente é conhecido como ‘Anexo’ também será reformado e vai ganhar outro nome e novo conceito

Agência O Globo - 06/06/2026
Piscina principal do Copacabana Palace fecha para obras e ‘black pool’ é liberada
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

Já dizia o filósofo Heráclito que nenhum homem entra no mesmo rio duas vezes: “não é o mesmo rio e ele não é o mesmo homem”. No Copacabana Palace, daqui a três meses, é a piscina mais famosa do Brasil que não será mais a mesma. Construída em 1934, a partir de depois de amanhã ficou fechada por três meses, para obras que vão mudando completando seu cenário. A área de lazer do hotel tem história: por suas águas, nos anos 1970, a cantora Janis Joplin nadou nua. Foi lá também onde Maria Lenk ensinou aos seus alunos os nadados crawl e a borboleta nos anos 1930.

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A boa notícia é que o fechamento da piscina principal abre uma chance de ouro para os hóspedes comuns que fazem reservas no hotel, durante as obras: todos poderão utilizar uma “piscina preta”, que ganhará até um novo mobiliário para dar conforto aos novos frequentadores. A piscina de mármore negro normalmente costuma ter o uso restrito a quem ocupa as suítes presidenciais localizadas no sexto andar do hotel. Já desfrutaram dessa privacidade, além de chefes de estado, estrelas do quilate da modelo Gisele Bündchen, do ator Richard Gere, das cantoras Katy Perry, Shakira, Lady Gaga e Madonna, e os integrantes dos Rolling Stones.

O rei Charles, da Inglaterra, foi outro que nos anos 1990 usou o espaço restrito. Já Lady Di, na mesma visita, quis distância do então marido e foi relaxar, sem ligar para as lentes de fotógrafos, na piscina principal, que vai entrar em obras. O mesmo fez, há seis meses, a cantora Rosalía. A espanhola ganhadora de 15 estatuetas do Grammy passou o protetor solar no corpo e foi pegar um bronze nas espreguiçadeiras perto do Pérgula, restaurante do térreo do hotel.

A reforma é apontada como um dos maiores investimentos globais da Belmond, rede que cuida de hotéis luxuosos como o Copa e Hotel das Cataratas, em Foz do Iguaçu, que não divulgou valores. As novidades incluem ainda a criação do Edifício Piscina, hoje denominado “Anexo”. A aldeia passou por transformações como, por exemplo, a redução do número de famílias. Atualmente são 96, que serão transformados em 60 suítes e 8 quartos, sendo quatro comunicantes. A construção terá cinco andares de bem-estar— focados em cuidados, bem-estar e fitness — e numa proposta que se aproxima do slow luxo.

— Este é o maior investimento feito de uma vez só na história do hotel, um marco significativo para o futuro do Copacabana Palace. O projeto só reafirma nosso compromisso em honrar o passado e inspirar o futuro, sempre buscando oferecer aos nossos hóspedes e clientes experiências incomparáveis ​​— explica Ulisses Marreiros, gerente-geral do hotel e diretor da Belmond no Brasil.

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A reforma do anexo e da área de lazer do Copacabana Palace prevê mais conforto para os hóspedes e uma nova cara às dependências. Os quartos têm mais amplitude e as suítes, com 70 e 80 metros quadrados, serão preparadas para atender hóspedes de longa permanência e famílias. O escritório de Ivan Rezende, responsável pela reforma do teatro do hotel em 2021, assina o projeto.

O “Anexo” foi criado às vésperas do período em que Copacabana teve uma explosão imobiliária e de visitantes. Em 1948, para atender à crescente demanda de hóspedes, a edificação foi elevada, ainda na gestão de Octavio Guinle, fundador do hotel. O empresário decidiu erguer os 11 andares no lugar das antigas quadras de tênis. A ideia era oferecer apartamentos com quarto e sala, inovação para a época. Pelas passagens passaram Jô Soares, Bob Marley, Jorge Ben e Freddie Mercury.

Hoje, o foco é no conceito slow luxo, pautado por relaxamento e desconexão. Para atender à proposta de valorização da cultura local, o novo prédio anexo à área de lazer terá biblioteca reformada com referências de artistas como Carybé, Aldemir Martins e Ciro Fernandes.

Nas suítes e nos quartos em menor número, há um luxuoso spa distribuído em dois pavimentos do prédio. O antigo espaço, no andar térreo, será transformado em área de fitness mais ampla, com equipamentos e instalações de última geração e estrutura voltada ao cuidado e ao relaxamento. A renovação das instalações inclui o restaurante Cipriani, de Nello Cassesse, fechado para obras desde maio do ano passado. Estuda-se ainda a possibilidade de alguns dos quartos terem varandas externas para a nova piscina.

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Boas gravações

Em nota, o hotel informou que a conclusão das obras está prevista para o final do segundo semestre de 2026. Durante esse período, o hotel funcionará normalmente, com o edifício principal, os restaurantes Mee e Pérgula abertos:

“Os movimentos relacionados à obra ficarão restritos ao edifício anexo, com entrada independente pela Avenida Nossa Senhora de Copacabana, o que não atrapalhará o restante da operação do hotel”.

Da divisão ao perdão:

A piscina do Copa traz boas gravações para quem já teve o privilégio de frequentá-la. E nem pessoalmente seja hóspede. Há cerca de dez anos, quem se dispusesse a desembolsar de R$ 10 mil a R$ 13.500 por ano ganhava um cartão-piscina, com acesso liberado. O seleto grupo incluía moradores do vizinho Chopin. Hoje, só os hóspedes podem mergulhar em suas águas. Alice Tamborindeguy, advogada e ex-deputada estadual, lembra bem dessa época, usufruída ao lado da irmã, Narcisa.

— A piscina infantil era separada da de adulto. Eram duas. Hoje, é uma só. Houve também um tempo em que tinha uma ilha no meio da piscina de adulto. E os cartões-piscina tinham várias modalidades: individual, família — explicada.

Alice lembra também da época que a Copa era gerida pela mão firme de Mariazinha Guinle. Foi ela que tentou a expulsão de Rod Stewart e seus músicos, em 1977, quando o grupo se apresentou pelada na suíte presidencial, danificando quadros:

— Lembro dela percorrendo o hotel com seu blazer, sempre no comando.