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Vídeos emocionais, camisetas, e boneco anatômico: como acusação e defesa buscaram impactar visualmente os jurados no caso Henry

Ao longo de 11 dias, acusação e defesas recorreram a imagens, objetos, documentos e símbolos para reforçar narrativas e tentar tornar suas teses mais palpáveis aos jurados

Agência O Globo - 05/06/2026
Vídeos emocionais, camisetas, e boneco anatômico: como acusação e defesa buscaram impactar visualmente os jurados no caso Henry
Henry Borel - Foto: YOUTUBE/Reprodução Fonte: Agência Senado

Diante dos sete jurados — cinco homens e duas mulheres — responsáveis pelo veredicto do julgamento que definiu o destino de Jairinho e Monique Medeiros pela morte de Henry Borel, acusação e defesa recorreram a uma série de recursos visuais, emocionais e simbólicos para reforçar suas narrativas. A disputa travada no plenário chegou a usar vídeos editados, camisetas estampadas com fotografias de Henry, mensagens extraídas de celulares, documentos pessoais da vítima e até um manequim anatômico infantil numa tentativa de transformar teses complexas em imagens de fácil compreensão.

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A estratégia apareceu de forma mais evidente nos debates finais, na quarta-feira. Durante sua sustentação, a assistência de acusação exibiu um vídeo de quase seis minutos reunindo imagens de Henry ainda bebê, momentos de convivência com familiares, registros de lazer e trechos de reportagens produzidas após sua morte. O material foi apresentado aos jurados pelo advogado Cristiano Medina.

Em um dos momentos de maior impacto emocional, o vídeo mostrou imagens produzidas durante a investigação do caso, incluindo uma fotografia de Henry já sem vida sobre uma maca do Instituto Médico-Legal após os exames periciais. Enquanto as imagens eram exibidas, o pai do menino, Leniel Borel, chorou intensamente no plenário. O publico que assistia ao julgamento, também reagiu com emoção e um certo choque ao ver a imagem do menino já morto.

A defesa de Monique Medeiros respondeu apostando em outro tipo de narrativa visual. O vídeo exibido aos jurados buscava destacar a relação entre mãe e filho, mostrando momentos de carinho, brincadeiras e conversas entre os dois. Em uma das gravações, Monique pergunta ao menino se ele sabia que era amado. Em outra, lê para o filho o livro infantil “Árvore de Sapato”, apontado pela defesa como uma das histórias favoritas de Henry.

As imagens foram acompanhadas por músicas que ajudavam a construir toda uma atmosfera emocional da apresentação. Enquanto o material era exibido, Monique chorou diante dos jurados e chegou a abraçar uma de suas defensoras.

Mas os recursos visuais não ficaram restritos às telas instaladas no plenário. No último dia do julgamento, o advogado Hugo Novais chamou a atenção ao abrir a toga e revelar uma camiseta estampada com fotografias de Monique ao lado de Henry e a frase “Sou testemunha do amor entre mãe e filho”. A mesma peça também era usada por familiares da professora que acompanhavam a sessão na plateia.

A estratégia tinha uma particularidade: a mensagem permanecia visível aos jurados mesmo quando a palavra estava com outros integrantes do julgamento. Em diferentes momentos dos debates, a camiseta funcionou como uma forma silenciosa de comunicação visual paralela às sustentações orais.

A defesa de Monique também recorreu a elementos materiais para sustentar sua narrativa. Entre eles, a agenda escolar de Henry, utilizada para destacar anotações feitas pela mãe e reforçar a tese de proximidade entre os dois.

Do outro lado, a defesa de Jairinho apostou em recursos visuais voltados à discussão técnica que dominou boa parte do julgamento. Para ilustrar a tese de que determinadas lesões poderiam estar relacionadas às tentativas de reanimação realizadas no Hospital Barra D’Or, o advogado Zanone Junior utilizou um manequim anatômico infantil semelhante aos empregados em treinamentos médicos.

O objeto ajudava a traduzir para os jurados uma discussão altamente especializada que mobilizou peritos, médicos legistas e advogados ao longo do processo. Não por acaso, o próprio Zanone resumiu o esforço da defesa ao afirmar, durante o julgamento, que sua equipe precisou estudar medicina para sustentar a tese apresentada ao conselho de sentença.

Outro elemento presente de forma constante durante os 11 dias de julgamento foram as mensagens recuperadas dos celulares envolvidos na investigação. Conversas entre Monique, Leniel, a babá de Henry e outras pessoas citadas no processo foram exibidas repetidamente por acusação, Ministério Público e defesa para reconstruir cronologias, questionar versões e sustentar diferentes interpretações sobre os acontecimentos que antecederam a morte do menino.