RJ em Foco
‘Mataram meu filho mais uma vez’, diz Leniel após perdão judicial concedido a Monique
Pai de Henry Borel criticou duramente a decisão que livrou Monique Medeiros de punição e afirmou que a sentença representa uma nova violência contra a memória do filho
A condenação de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, a 43 anos, 9 meses e 20 dias de prisão pelos crimes relacionados à morte de Henry Borel não foi suficiente para aliviar a indignação de Leniel Borel. Logo após o anúncio da sentença, na madrugada desta quinta-feira, o pai do menino criticou duramente a decisão da juíza que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança, e afirmou que o filho foi “morto mais uma vez”.
— Mataram meu filho mais uma vez. É um absurdo falar em misoginia — declarou Leniel, ao comentar a justificativa apresentada pela magistrada para conceder o benefício à ex-companheira.
Durante a leitura da sentença, a juíza entendeu que Monique deveria receber o perdão judicial após o Conselho de Sentença reconhecer sua responsabilidade por omissão diante das agressões sofridas por Henry. Ao justificar a decisão, a magistrada afirmou que, em situações semelhantes, pais costumam ser tratados de forma diferente pelo sistema de Justiça e mencionou aspectos relacionados à violência de gênero.
A posição foi imediatamente contestada por Leniel.
Questionado se colocava no mesmo patamar a responsabilidade de Jairinho, apontado como autor das agressões fatais, e a de Monique, acusada de não impedir a violência contra o filho, o pai de Henry respondeu que considera a conduta da ex-mulher ainda mais grave.
— Jairo foi um monstro, perverso, sádico. Mas ela foi muito pior — afirmou.
Também após a sentença, o advogado Cristiano Medina, assistente da acusação e representante de Leniel no processo, afirmou que recorrerá da decisão para tentar anular o julgamento em relação a Monique.
— Estamos felizes com a condenação do Jairo. Entretanto, vivemos uma das maiores aberrações jurídicas do nosso país com essa desclassificação de Monique. O Conselho de Sentença reconheceu a materialidade, a autoria e reconheceu que Monique agiu por força de dolo eventual. Ao perceber que Monique seria condenada, a juíza criou uma situação e colocou a questão novamente para ser votada. Enquanto a Monique não teve posição favorável, a juíza não se deu por satisfeita — afirmou.
Segundo Medina, a defesa da família de Henry também discorda do perdão judicial concedido à mãe do menino.
— Mais que isso, mesmo sendo condenada por um crime de caráter hediondo, a juíza deu perdão com um discurso de gênero. Não tenho dúvida de que vamos anular essa condenação e de que Monique será submetida a um novo Conselho de Sentença. Vamos recorrer e vamos anular esse júri — disse.
O julgamento do Caso Henry chegou ao fim após mais de uma semana de sessões. Jairinho foi condenado por homicídio triplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo. Já Monique teve a conduta desclassificada pelos jurados e recebeu perdão judicial na sentença proferida pela magistrada. A decisão ainda pode ser contestada pelas partes em instâncias superiores.
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