RJ em Foco
'Uma mãe não mata seu filho': veja as frases marcantes do julgamento do caso Henry
Sessão mais longa da história recente foi marcada por versões opostas e acusações. Os réus, cada um a seu modo, tentaram demonstrar inocência
O julgamento mais longo da história recente do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sobre a morte do menino Henry Borel, que tinha no banco dos réus a mãe do menino, Monique Medeiros e o então padrasto Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, foi marcado por versões opostas e acusações. No total mais de 20 testemunhas foram ouvidas, antes dos depoimentos dos dois acusados de envolvimento na morte do menino. Cada um, a seu modo, tentou demonstrar inocência. Veja, a seguir, as frases que marcam os dez dias de sessão:
'Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama',
Monique nega relato da babá sobre agressões a Henry:
“Uma mãe não mata seu filho.”
Em um dos momentos mais enfáticos de seu interrogatório no julgamento pela morte de Henry Borel, Monique Medeiros voltou a negar participação no crime e afirmou aos jurados que uma mãe não seria capaz de matar o próprio filho. A professora foi ouvida por cerca de seis horas no nono dia do júri.
‘— Estou há dois anos e oito meses em uma prisão no seguro. Lá não tem nenhuma mãe que matou seu filho. Lá tem mães que mataram os filhos dos outros, porque nenhuma mãe mata seu próprio filho— , declarou.
Julgamento do caso Henry:
'Se estivesse respondendo por algo, seria pelo homicídio de Jairo'
Sustentando que não teve participação na morte do filho, Monique afirmou em seu interrogatório que, se tivesse que ser julgada por algo que teria feito, deveria ser por sua reação ao descobrir o que aconteceu com Henry.
— Se eu estivesse aqui respondendo por alguma coisa, seria pelo homicídio do Jairo"— disse Monique
'Jairo é psicopata severo e Monique narcisista'
Em sua sustentação, no décimo dia de julgamento, o promotor Fábio Vieira afirmou que Jairinho se valia de seu poder político e econômico para intimidar pessoas e sustentou que o ex-vereador apresentaria traços de “psicopatia severa”, enquanto Monique seria “narcisista, com traços de megalomania”.
— Tudo indica que ele é um psicopata muito severo. E a Monique é narcisista. Um desses traços é a megalomania. Ela fala que o Henry não podia ter mãe melhor que ela— , disse o promotor .
Testemunha de defesa de Jairinho:
'Infidelidade. Ele tinha esse defeito'
Atual mulher de Jairo Souza Santos Júnior, o ex-vereador Jairinho, Fernanda Abidur Figueiredo afirmou, no sétimo dia de julgamento da morte do menino Henry Borel, em março de 2021, que o "único defeito" do acusado é a "infidelidade". Fernanda foi a 19ª testemunha a ser ouvida no 2º Tribunal do Júri da Capital, no Centro do Rio.
— Descobri algumas traições dele. Ele tinha esse defeito, mas insisti por um bom tempo, já que ele era um companheiro excelente. Mas chegou um tempo em que resolvi viver minha vida, mas sempre com respeito a ele e amizade, até porque temos um vínculo, que é o amor da minha vida — relatou.
'Apaga as mensagens'
A babá Thayná de Oliveira Ferreira, uma das testemunhas mais aguardadas do julgamento de Jairinho, e de Monique pela morte de Henry Borel, afirmou, no sétimo dia do júri, que pretendia se retratar de versões apresentadas anteriormente sobre o caso. Em depoimento à juíza Elizabeth Machado Louro, antes de ser formalmente ouvida como testemunha, relatou episódios que considerou suspeitos envolvendo Jairinho e Henry e afirmou que, após a morte do menino, recebeu orientações para apagar mensagens e minimizar qualquer relato sobre a família.
— Apaga as mensagens. Vão te perguntar, fala o mínimo. Fala que a nossa relação era muito boa — disse Thayná, ao atribuir a orientação a Monique.
'É uma grande mentirosa'
Monique Medeiros rebateu a fala da ex-babá durante seu depoimento. Ela negou que soubesse que o filho sofria agressões e sustentou, ainda, que não mandou que ex-funcionária apagasse mensagens após a morte do menino e classificou a versão apresentada por ela como falsa.
— Eu tenho provas de que não mandei Thayná apagar as mensagens. Ela é uma grande mentirosa — afirmou Monique.
Agressão:
'Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama'
Durante seu interrogatório Monique contou que o filho chegou a dizer que havia sido empurrado por Jairinho durante um episódio ocorrido no apartamento, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio, onde os três moravam, mas que, na época, ela acreditou na explicação apresentada pelo então companheiro e não interpretou a situação como uma agressão.
— Quando eu perguntei ao Henry, ele disse que de fato tinha caído da cama. Mas ele falou assim: ‘Mamãe, o Jairo me empurrou e eu caí da cama’ — contou.
'Minha vida está destruída'
Ao longo de todo o interrogatório Jairinho negou repetidamente ter agredido Henry e sustentou que foi acusado injustamente pela morte do menino. E ainda se colocou no papel de vítima.
— A coisa que eu mais queria no mundo é que o Henry estivesse aqui agora. Eu não fiz isso com o Henry. Minha vida está destruída, minha família está destruída por conta de uma história que foi criada — declarou.
Julgamento:
‘Como os médicos não perceberiam nada?’
Ao longo do seu depoimento, Jairinho também contestou a versão da acusação de que o menino apresentava sinais evidentes de violência antes de chegar ao hospital. Para ele, médicos, familiares e até integrantes do Conselho Tutelar teriam percebido imediatamente qualquer indício de espancamento.
— Como que eu e Monique vamos levar uma criança que teria sido espancada para dentro de um hospital e os médicos não perceberiam nada? Os médicos viram o corpo, os familiares viram o corpo. E ninguém viu nada — afirmou aos jurados.
'Toda hora Jairinho brincava e beijava a cabeça dele'
Ao prestar depoimento, Coronel Jairo, pai de Jairinho, tentou descredibilizar a versão de duas ex-namoradas do réu e da filha de uma delas, que relataram episódios de agressões suspostamente praticadas pelo filho contra elas e contra o menino.
—Minha indignação é que as histórias são ruins. São versões claramente induzidas. Se Jairinho tivesse pisado na barrigada da criança que contou isso, ela teria morrido. Toda hora Jairinho brincava e beijava a cabeça dele — disse o pai do ex-vereador.
'Apaga as mensagens':
'Preciso sair daqui, eu não estou bem’
Uma das oitivas mais aguardadas de todo o julgamento da morte de Henry Borel foi marcada por momentos de forte tensão emocional. Em meio ao depoimento, a babá Thayná de Oliveira Ferreira se inclinou em direção à própria advogada e, em voz baixa, afirmou:
— Eu preciso sair daqui. Eu não estou bem.
Mais lidas
-
1DIREITOS TRABALHISTAS
Quando começa a valer a escala 5x2?
-
2JULGAMENTO DO CASO HENRY BOREL
Filha de ex-namorada de Jairinho relata agressões sofridas na infância
-
3EDUCAÇÃO
Vestibular Unicamp 2027: confira os temas mais recorrentes na prova
-
4ATAQUE NA PRAIA DE PIEDADE
Menino de 11 anos é atacado por tubarão e passa por cirurgia em Pernambuco
-
5RESGATE NO LITORAL PAULISTA
Mulher resgatada após mais de 40 horas no mar recebe alta: 'Continuem orando pelo meu colega'