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Defesa diz que Monique foi ‘execrada pelo Brasil’ e afirma que jurados contrariaram condenação já imposta pela opinião pública
Advogados afirmam que jurados analisaram as provas produzidas ao longo dos dez dias de julgamento e rejeitaram uma condenação baseada na opinião pública
Após a leitura da sentença que concedeu perdão judicial a Monique Medeiros pelo homicídio culposo na morte de Henry Borel, a sua defesa afirmou, ainda na madrugada desta quinta-feira, que o resultado do julgamento contrariou uma condenação que, segundo os advogados, já havia sido imposta pela opinião pública desde o início do caso.
Ao comentar a decisão dos jurados, a defesa sustentou que o Conselho de Sentença teve acesso a provas e depoimentos produzidos ao longo dos dez dias de julgamento e conseguiu chegar a uma conclusão diferente daquela que predominou nas redes sociais e no debate público desde 2021.
— A resposta dos jurados é o que a sociedade precisava, porque eles entraram lá pressionados com a expectativa de corresponder à sentença já dada pela sociedade — afirmou Florence Rosa, uma das advogadas de Monique.
Segundo a defesa, o julgamento foi marcado por uma análise moral da conduta da mãe de Henry, impulsionada por informações que ganharam repercussão nacional durante as investigações.
Os advogados citaram episódios como a divulgação da fotografia de Monique tirada após a morte do filho e a repercussão de sua ida a um salão de beleza poucos dias depois do enterro da criança.
— A Monique foi execrada pelo Brasil porque no dia 12 foi ao salão — afirmou Florence.
Segundo os advogados, a equipe teve acesso a informações que poderiam ser utilizadas para questionar publicamente comportamentos de outras pessoas envolvidas no caso, mas optou por não divulgá-las.
— Nós tínhamos acesso a várias informações, mas acabamos optando, até em respeito à dor que ele sente, também porque é a mesma que ela sente, por não publicar esse tipo de informação com o único objetivo de prejudicá-lo — declarou Florence.
Ciência das agressões
A defesa voltou a sustentar a principal tese apresentada ao longo do julgamento: a de que não havia provas de que Monique soubesse das agressões que teriam sido praticadas contra Henry.
Segundo os advogados, o ponto central do processo não era discutir hábitos, comportamentos ou escolhas pessoais da mãe do menino, mas sim verificar se existiam elementos que demonstrassem que ela tinha conhecimento inequívoco das agressões.
Ainda segundo a defesa, os jurados concluíram que as provas produzidas durante a investigação e na ação penal não demonstraram essa ciência.
— Não se tinha no caderno processual, desde o início das investigações, nenhuma certeza, nenhum elemento de convicção que traduzisse que Monique era uma mãe ruim. Pelo contrário, as provas arrecadadas no inquérito policial e na ação penal traduziram que Monique foi uma mãe extremamente zelosa — afirmou Hugo Novaes, um dos advogados da defesa.
Em uma das declarações mais enfáticas após o julgamento, os advogados defenderam que Henry recebeu todos os cuidados possíveis da mãe enquanto esteve vivo.
— Monique foi a melhor mãe que o Henry poderia ter. Enquanto ele teve vida, ele teve a melhor mãe — declarou Hugo.
Ao comentar a composição do Conselho de Sentença, a defesa também destacou que a maioria dos jurados era formada por homens e afirmou que a decisão afastou um julgamento baseado apenas em critérios morais.
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