RJ em Foco
Pai de Henry faz corrente de oração na porta do plenário enquanto jurados decidem destino dos réus
Antes do início da votação, Leniel Borel pediu justiça pela morte do filho e disse que julgamento representa 'milhares de crianças' vítimas de violência; Conselho de Sentença analisará 47 quesitos
Enquanto os sete jurados responsáveis por decidir o futuro de se preparavam para iniciar a votação do caso Henry Borel, o pai do menino, Leniel Borel, participou de uma corrente de oração na porta do plenário do II Tribunal do Júri do Rio, na noite desta quarta-feira. Emocionado, ele agradeceu pelo tempo que conviveu com o filho e afirmou acreditar que a decisão dos jurados será guiada pela “justiça divina”.
‘Uma mãe não mata seu filho’,
— Nós estamos aqui porque cremos que temos um Deus de justiça. Ele vai fazer justiça aqui. Chegamos crendo que esse dia chegaria e que não seria o homem, seria o Senhor — afirmou.
Durante a oração, Leniel relembrou o filho e disse que Henry teve a vida interrompida de forma brutal.
— Hoje, não é mais sobre o Jairinho e Monique. É sobre uma criança que foi brutalmente assassinada. Uma criança que foi brutalmente assassinada na presença da mãe e do padrasto — disse.
O pai do menino também afirmou que a morte de Henry ajudou a dar visibilidade à violência contra crianças dentro de casa.
— Após a morte dele, quantas outras crianças passaram a ser representadas? A violência doméstica era uma violência obscura, escondida dentro das famílias e ninguém falava sobre isso — declarou.
Pouco antes da manifestação de Leniel, a juíza Elizabeth Machado Louro realizou a leitura dos quesitos que serão submetidos ao Conselho de Sentença. Ao todo, os jurados terão de responder a 47 perguntas objetivas, cujas respostas servirão de base para a sentença.
A maior parte dos quesitos trata das acusações atribuídas a Jairinho. Os jurados deverão se manifestar sobre a autoria da morte de Henry, a eventual absolvição do ex-vereador, a tese de que ele assumiu o risco de produzir o resultado morte e as qualificadoras apontadas pela acusação.
Também serão analisadas questões relacionadas ao emprego de meio cruel, ao recurso que teria impossibilitado a defesa da vítima e à causa de aumento de pena pelo fato de Henry ter menos de 14 anos. A votação ainda inclui quesitos sobre os episódios de tortura atribuídos a Jairinho em datas anteriores à morte do menino e sobre a acusação de coação no curso do processo.
Na etapa final, os jurados responderão aos quesitos referentes a Monique Medeiros, incluindo acusações de falso testemunho. A combinação das respostas definirá a condenação ou absolvição dos réus e quais crimes serão considerados comprovados pelo Conselho de Sentença.
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi vítima de agressões praticadas por Jairinho com a participação de Monique. Ambos negam as acusações.
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