RJ em Foco
Menino morto por bala perdida na Pavuna estava em festa de primeira comunhão de amiga quando foi atingido
Bento Bezze, de 12 anos, estava na área de lazer em condomínio. Polícia apura se tiro partiu de festa de traficante
A primeira comunhão de uma amiga era o motivo da festa. Teve bolo, brigadeiro, brincadeiras e, claro, foto com a turma. Para Bento Costa Petillo Bezze, de 12 anos, foi o último retrato: em meio à comemoração, na tarde de domingo, na área de lazer do condomínio onde morava, o garoto foi . Agentes do 41º BPM (Irajá) chegaram ao local, mas o menino, socorrido por moradores, havia sido levado para o Hospital Santa Teresinha, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, onde já chegou sem vida.
TCE-RJ rejeita
Caso Henry:
O caso está com a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). A polícia investiga a possibilidade de a bala perdida ter partido da comunidade da Quitanda, no Complexo da Pedreira, na Pavuna, Zona Norte do Rio, a menos de dois quilômetros de distância. Por lá, no mesmo fim de semana, era celebrado o aniversário de Douglas Oliveira dos Santos, o “Pudim” chefe do tráfico local.
— Nós sabemos que o condomínio fica próximo de algumas comunidades e, às vezes, ouvimos tiros quando tem confronto ou tiroteio. Mas, no domingo, não ouvimos nada. Nenhum tiro — contou Jacqueline Gomes, mãe da menina que festejava a primeira comunhão e uma das pessoas que viu de perto os últimos momentos de Bento.
Diversão no condomínio
Jacqueline, que conhecia o menino desde que nasceu, lembra como sua filha e ele, que tinham a mesma idade, passavam horas brincando com outras crianças do condomínio onde moram, na Pavuna. Bento vivia com a mãe, Fernanda, a avó, Eduarda, e dois irmãos: Kauã, de 18 anos, e o do meio, com 13.
— Na sexta e no sábado antes da festa, o Bento estava aqui em casa com as outras crianças e com a minha filha — lembrou ela. — E, no momento em que ele foi atingido pela bala, minha filha também estava perto dele. Estavam os dois e um dos irmãos dele, o de 13 anos, ao lado da quadra, enquanto as outras crianças jogavam futevôlei. Até que o Bento colocou a mão no peito e disse “bala, bala”, mas, como ele era muito gozador, as crianças acharam que ele estava brincando. Até que ele caiu e o irmão viu fumaça saindo do peito dele.
Taxa de turismo em Angra dos Reis:
Moradores próximos ao local onde Bento foi baleado confirmam que outra comemoração acontecia na comunidade da Quitanda. As câmeras do condomínio registraram o momento em que a amiga e o irmão saíram correndo gritando para que socorressem o garoto. Também foi gravado o instante em que Bento é baleado, mas o síndico, Marcelo Costa, não quis assistir. Segundo ele, faltou coragem para ver o amigo do seu filho, que tem 8 anos, cair baleado.
— Quem viu as imagens me falou que dá para ver o Bento se levantando com a mão no peito e caindo para frente, no colo do irmão — contou Marcelo. — Todo mundo ficou desesperado para ajudar o mais rápido possível, para socorrê-lo. Todos tentaram ajudar de alguma forma.
— Meu filho está muito triste. Ele ainda não acredita no que aconteceu — disse o síndico. — Ele me falou: “pai, o Bento me defendia como se eu fosse da família dele”.
Segundo os familiares e quem convivia com Bento, ele era um garoto muito agarrado à mãe e à avó. De acordo com a madrinha do garoto, Camila Sant’Anna, ele gostava de ficar o tempo todo ao lado de Fernanda enquanto ela fazia as unhas das clientes na casa em que moravam. A mãe de Bento estava em casa quando ele foi atingido. Ao saber do que tinha acontecido, desceu correndo com o filho mais velho, mas desmaiou antes de chegar ao carro usado pelos moradores para levar o menino até o hospital.
— A Fernanda está destruída, não para de chorar. Ela espera o Bento voltar pela porta da frente da casa — comentou a madrinha.
Crime organizado:
Fã de Neymar
Na escola, Bento era dedicado e só tirava notas boas. Queria ser jogador de futebol, como o ídolo Neymar, e, recentemente, estava batalhando para completar o álbum de figurinhas da Copa do Mundo 2026.
Estudo da Coppe:
O corpo de Bento foi levado para o Instituto Médico Legal (IML), no Centro do Rio, e liberado pela família na tarde de ontem. O pai, devastado, não quis falar com a imprensa.
— O condomínio é movimentado, era por volta das 17h, as crianças brincando na quadra, tudo normal, como sempre foi num dia de domingo. Ele faleceu nos braços do irmão — lamentou o tio Daniel de Castro, também no IML.
O velório está programado para hoje, no Cemitério de Inhaúma, Zona Norte do Rio, a partir das 8h da manhã; o sepultamento foi marcado para as 13h.
*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga
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