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Caso Henry: veja os destaques do oitavo dia de julgamento de Jairinho e Monique
Perito do IML reafirmou conclusões dos laudos sobre a morte de Henry Borel, enquanto assistente técnico da defesa questionou exames periciais, atendimento médico e a cronologia das lesões
O oitavo dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, e de Monique Medeiros terminou às 21h de segunda-feira com o encerramento dos depoimentos de 22 testemunhas na fase de instrução. Ao longo da sessão, marcada pelas versões apresentadas pelo perito do Instituto Médico-Legal (IML) Leonardo Tauil e pelo médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa do ex-vereador, as discussões se concentraram nos laudos periciais sobre a morte de Henry Borel e nos questionamentos apresentados pela defesa às conclusões da investigação. Este já é o julgamento mais longo da história do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro.
Perito do IML afasta hipótese de queda
Caso Henry:
Conforme apurou o GLOBO, nesta terça-feira Monique Medeiros começará a fase dos interrogatórios. Em seguida, será a vez do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho. Já na quarta-feira, estão previstos os debates entre acusação e defesa. Ao fim de quarta ou no início da quinta-feira, terá início a votação dos quesitos pelos jurados.
Como foi o oitavo dia de julgamento
Perito diz que não encontrou no apartamento objeto capaz de causar lesão hepática
Responsável por assinar os laudos produzidos no caso Henry Borel, o perito do Instituto Médico-Legal (IML) Leonardo Tauil afirmou que a equipe de investigação não encontrou, no apartamento onde o menino estava antes de ser levado ao hospital, nenhum móvel ou objeto compatível com a laceração hepática identificada no exame cadavérico. Questionado pela defesa de Jairinho sobre a possibilidade de os ferimentos terem sido provocados por uma queda acidental, Tauil disse que a hipótese foi analisada durante a perícia.
— Foi isso que nos foi questionado: se ele poderia ter caído da cama e sofrido a laceração do fígado. Com base na literatura médica, não encontramos nenhum móvel ou objeto capaz de causar uma laceração hepática por uma queda acidental — afirmou.
Monique deixa plenário durante exibição de fotos da necropsia
A exibição de fotografias de Henry feitas durante a necropsia provocou uma nova saída de Monique Medeiros do plenário. As imagens foram apresentadas pelo advogado Cristiano Zanone, da defesa de Jairinho, durante o depoimento de Tauil.
Foi a segunda vez no julgamento que a ré deixou a sala durante uma discussão técnica sobre a morte do filho. Na semana passada, Monique já havia se retirado do plenário durante o depoimento do perito Luiz Carlos Leal Prestes, que descrevia as lesões encontradas no corpo da criança.
Médico da defesa diz que lesão fatal pode ter ocorrido até 48 horas antes da morte
Última testemunha a depor no oitavo dia do júri, o médico Jeferson Evangelista Correa, assistente técnico da defesa de Jairinho, afirmou considerar "mais provável" que a lesão hepática apontada como causa da morte de Henry Borel tenha ocorrido entre 24 e 48 horas antes do óbito. Segundo ele, o trauma poderia ter sido provocado por uma queda ou outro tipo de acidente nos dias anteriores.
Correa também afirmou não ter encontrado indícios de maus-tratos ou de agressões intencionais nos laudos que analisou.
— Definitivamente, não vi, nem no laudo principal nem nos complementares, alguma lesão que tivesse ação intencional dolosa — disse.
O médico ainda criticou a documentação fotográfica produzida durante a perícia, argumentando que a quantidade e a qualidade das imagens seriam insuficientes para sustentar algumas conclusões apresentadas pela acusação.
Médico questiona atendimento médico e sugere agravamento da lesão durante reanimação
Durante o depoimento, Correa levantou dúvidas sobre os procedimentos realizados no Hospital Barra D'Or e afirmou que a laceração hepática poderia ter se agravado durante as manobras de ressuscitação.
— Essa lesão teria coagulado espontaneamente. Se está coagulado e você fizer massagem cardíaca, vai fazer esse fígado sangrar — afirmou.
O médico também apontou possíveis complicações relacionadas à entubação, à sondagem nasogástrica e à própria reanimação cardiopulmonar, além de questionar informações registradas no prontuário médico.
Segundo ele, o documento informa apenas que foram administradas seis doses de adrenalina em Henry, sem detalhar a quantidade utilizada ou o intervalo entre as aplicações.
— O protocolo ficou pela metade ou está faltando prontuário — declarou.
Ministério Público confronta médico sobre tortura psicológica e divergências periciais
Após o encerramento das perguntas da defesa, o Ministério Público passou a interrogar Correa. O promotor Fábio Vieira questionou o médico sobre a possibilidade de caracterização de tortura psicológica a partir dos relatos reunidos na investigação, incluindo episódios em que Henry teria permanecido trancado em um quarto com Jairinho.
Correa afirmou que não encontrou elementos suficientes para concluir pela existência de tortura psicológica.
O Ministério Público também confrontou o assistente técnico sobre divergências entre sua análise e as conclusões de outros peritos. Enquanto especialistas que atuaram no caso apontaram a existência de três lesões distintas na cabeça de Henry, Correa sustentou que os laudos descrevem apenas uma infiltração craniana.
— O laudo usou a palavra "infiltração", e não "infiltrações". Quando o perito quer dizer três infiltrações, ele escreve três infiltrações. Ele vai quantificar as lesões — afirmou.
Interrogatórios previstos para terça-feira
Encerrada a fase de testemunhas, o julgamento entrará em uma das etapas mais aguardadas do processo: os interrogatórios dos réus. Monique Medeiros deverá ser ouvida primeiro. Jairinho falará em seguida, após obter na Justiça o direito de ser o último a depor.
A defesa do ex-vereador argumentou que há conflito de versões entre os acusados e sustentou que ele deveria ter a oportunidade de se manifestar depois de ouvir integralmente o depoimento da corré. A decisão foi autorizada pela Justiça na semana passada.
Os advogados de Jairinho alegaram que Monique passou a atribuir exclusivamente a ele a responsabilidade pelas agressões contra Henry e que, por isso, seria necessário garantir ao ex-vereador o direito de falar por último entre os réus.
Nos bastidores, a expectativa é que essa fase não se prolongue. Jairinho tem o direito constitucional de permanecer em silêncio e responder apenas às perguntas que desejar. Segundo pessoas ligadas à defesa, a tendência é que ele responda somente aos questionamentos formulados por seus próprios advogados.
A morte
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, aos 4 anos, após dar entrada no Hospital Barra D’Or, na Barra da Tijuca, com múltiplas lesões internas e em parada cardiorrespiratória. Jairinho e Monique respondem por homicídio triplamente qualificado, tortura, coação no curso do processo, fraude processual e falsidade ideológica. Segundo a denúncia do Ministério Público, o menino foi submetido a agressões dentro do apartamento onde morava com a mãe e o então padrasto, na Zona Oeste do Rio.
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