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Especialistas discutem desafios e oportunidades para o crescimento econômico do Rio

Evento do RioAgora.org aponta gargalos históricos, mas destaca potencial do estado para liderar o desenvolvimento nacional

Agência O Globo - 01/06/2026
Especialistas discutem desafios e oportunidades para o crescimento econômico do Rio
Imagem ilustrativa gerada por inteligência artificial - Foto: Nano Banana (Google Imagen)

O estado do Rio de Janeiro reúne condições únicas para impulsionar um novo ciclo de desenvolvimento econômico, mas ainda enfrenta gargalos históricos que limitam sua capacidade de transformar potencial em crescimento sustentável, geração de empregos e redução das desigualdades. Esse foi o diagnóstico apresentado por especialistas durante o debate sobre Desenvolvimento Econômico e Social promovido pela RioAgora.org nesta segunda-feira, no Instituto 12. O encontro fez parte do ciclo de debates da iniciativa, que reúne especialistas, representantes da sociedade civil e gestores públicos para formular propostas a serem consolidadas em uma agenda estratégica voltada aos candidatos ao Executivo e ao Legislativo fluminenses.

As contribuições apresentadas durante o encontro irão compor o documento final da RioAgora.org, que reunirá prioridades, propostas de implementação e indicadores de acompanhamento para o futuro do Estado do Rio de Janeiro. O material será entregue aos candidatos ao governo do estado e aos cargos legislativos nas eleições deste ano.

Na abertura do evento, o economista Cláudio Frischtak, líder regional do International Growth Center (IGC), defendeu que a recuperação do Rio depende, antes de tudo, do fortalecimento das instituições e da reconstrução da capacidade de governança do estado. Segundo ele, o principal desafio não é a falta de recursos, conhecimento ou capital humano, mas a dificuldade de transformar esses ativos em desenvolvimento efetivo. Entre as vantagens do estado estão a localização estratégica, forte vocação para serviços avançados, ampla rede de universidades e centros de pesquisa, capacidade logística e conexão internacional.

— O primeiro desafio do Rio de Janeiro é alcançar um ambiente de normalidade institucional. Não há desenvolvimento fora do mundo das instituições. O problema que nós temos aqui não é falta de capital humano, não é falta de estudos ou de conhecimento. O que falta é capacidade de transformar tudo isso em ação e desenvolvimento — afirmou Frischtak.

A discussão sobre desigualdades regionais e estrutura produtiva foi aprofundada por Marlucio Barbosa, pró-reitor adjunto de Planejamento, Avaliação e Desenvolvimento Institucional da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Segundo ele, o Rio vive uma situação paradoxal: a renda domiciliar cresceu acima da média nacional nos últimos anos, mas esse avanço não foi acompanhado pela melhora dos indicadores sociais. Barbosa aponta que parte do problema está relacionada à dependência do estado da indústria extrativa.

— O petróleo não é o problema. O problema é o que fazemos com ele — destacou, acrescentando a necessidade de fortalecer a indústria de transformação.

Representando a Firjan, Karine Fragoso abordou o papel das cadeias produtivas ligadas à energia, ao petróleo e gás e à indústria naval no desenvolvimento fluminense. Para ela, o estado do Rio possui condições únicas para liderar uma nova etapa do crescimento econômico brasileiro, mas ainda encontra dificuldades para transformar seus ativos em negócios. Ela ressalta ainda a importância da relação entre energia, turismo, economia criativa e inovação. O desenvolvimento do estado passa pelo fortalecimento de vocações econômicas já consolidadas, sem abrir mão de novas oportunidades associadas à tecnologia e à sustentabilidade.

— A gente tem muito conhecimento que não consegue transformar em negócio — defendeu Karine Fragoso.